Imigrantes empreendedores nos EUA estão por trás de 455 das 775 startups privadas avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão; especialista explica cuidados antes de investir, abrir ou expandir um negócio no país
Imigrantes empreendedores nos EUA fundaram ou cofundaram 59% das startups privadas americanas avaliadas em pelo menos US$ 1 bilhão. O dado mostra a dimensão da participação de estrangeiros na criação de empresas de alto crescimento, no desenvolvimento de novas tecnologias e na geração de empregos na maior economia do mundo.

O levantamento, divulgado em junho de 2026 pela National Foundation for American Policy (NFAP), identificou fundadores imigrantes em 455 das 775 companhias consideradas unicórnios nos Estados Unidos. Juntas, essas empresas alcançam valor estimado de US$ 5 trilhões.
A pesquisa também aponta que as startups bilionárias com pelo menos um fundador imigrante possuem, em média, 833 empregos por empresa, reforçando o impacto desse grupo não apenas na inovação, mas também no mercado de trabalho americano.
Outro recorte chama atenção para o papel das universidades nesse processo. Segundo o estudo, 24% das empresas bilionárias analisadas possuem pelo menos um fundador que chegou inicialmente aos Estados Unidos como estudante internacional. Ao todo, foram identificados 233 estudantes estrangeiros que posteriormente se tornaram fundadores ou cofundadores de startups avaliadas em US$ 1 bilhão ou mais.
Para o advogado de imigração Murtaz Navsariwala, fundador do Murtaz Law, os números ajudam a ampliar a percepção sobre a presença de estrangeiros na economia americana.

“Quando se fala em imigração, normalmente a primeira imagem é de quem chega aos Estados Unidos procurando uma oportunidade de trabalho. Esses números mostram também o movimento contrário: imigrantes estão criando empresas, tecnologia, riqueza e empregos. E estamos falando de algumas das companhias mais valiosas do país”, afirma.
Imigrantes empreendedores nos EUA precisam separar empresa e imigração
O crescimento do empreendedorismo estrangeiro também traz uma questão essencial para quem pretende fazer negócios nos Estados Unidos: abrir, comprar ou investir em uma empresa não concede automaticamente autorização para morar ou trabalhar no país.
Embora a constituição de uma empresa e o planejamento migratório possam fazer parte de um mesmo projeto, são processos juridicamente distintos.
“Investir nos Estados Unidos e ter uma estratégia migratória são questões relacionadas, mas juridicamente diferentes. Uma pessoa pode abrir uma empresa e ainda assim não possuir autorização para viver ou trabalhar aqui. Por isso, o planejamento migratório deveria acontecer antes de comprometer uma parte relevante do capital no negócio”, explica Murtaz.
A necessidade de planejamento se aplica a diferentes perfis, desde fundadores de startups até empresários interessados em adquirir companhias, operar franquias, implantar fábricas ou expandir para os Estados Unidos uma empresa que já funciona em outro país.
Caminhos para imigrantes empreendedores nos EUA
Não existe uma única categoria migratória destinada a todos os empreendedores estrangeiros. As possibilidades dependem de fatores como nacionalidade, histórico profissional, existência de empresa fora dos Estados Unidos, estrutura societária, origem dos recursos, características do investimento e objetivos de longo prazo.
Entre as alternativas que podem ser avaliadas está a classificação E-2, destinada a investidores de nacionalidades elegíveis conforme os tratados mantidos pelos Estados Unidos e sujeita a requisitos específicos relacionados ao investimento e à operação do negócio.
Outra possibilidade é o L-1A, que pode ser utilizado em determinadas situações envolvendo executivos ou gerentes transferidos entre empresas relacionadas no exterior e nos Estados Unidos, inclusive dentro de estratégias de expansão empresarial.
Já o EB-5 é uma categoria de imigração por investimento que envolve, entre outros critérios legais, aplicação de capital em empreendimento comercial e geração de empregos.
Dependendo da experiência, das qualificações e da trajetória do empresário, categorias como EB-1A e EB-2 com National Interest Waiver, conhecido como NIW, também podem ser analisadas.
Há ainda o International Entrepreneur Rule. O mecanismo não é um visto, mas pode permitir uma autorização temporária de entrada e permanência, por meio de parole, para determinados empreendedores ligados a startups que atendam aos critérios estabelecidos pelo governo americano.
“O ponto principal é que não existe um único ‘visto para empreendedor’. Duas pessoas podem querer montar negócios semelhantes e ter caminhos migratórios diferentes por causa de fatores como nacionalidade, experiência profissional, empresa no exterior, estrutura do investimento e objetivo de longo prazo”, destaca Murtaz.
De estudante a empresário nos Estados Unidos
A presença de estudantes internacionais entre os fundadores de companhias bilionárias também evidencia como uma trajetória profissional pode se transformar ao longo do tempo.
O resultado, porém, não significa que o visto F-1, utilizado por estudantes internacionais, tenha sido criado como caminho direto para empreender no país. Cada status migratório possui regras próprias sobre permanência, estudos, trabalho e outras atividades permitidas.
“O que esse número mostra é que uma trajetória migratória pode evoluir ao longo dos anos. A pessoa pode chegar para estudar, desenvolver sua carreira, criar um projeto e, posteriormente, analisar outra categoria compatível com a nova realidade. Cada etapa, porém, precisa respeitar as regras do status migratório correspondente”, afirma o advogado.
Planejamento deve começar antes do investimento
Para quem pretende investir ou empreender nos Estados Unidos, uma das primeiras decisões deve ser definir claramente o modelo do projeto: criar uma empresa do zero, adquirir um negócio existente, expandir uma operação internacional ou realizar outro tipo de investimento.
A partir disso, entram na análise fatores como experiência profissional, estrutura empresarial, participação societária, procedência e organização dos recursos financeiros e objetivos pessoais e migratórios.
“O erro é escolher primeiro um visto e depois tentar encaixar o empresário e o negócio dentro dele. O caminho mais consistente é entender primeiro quem é o empreendedor, qual é o projeto e onde ele quer chegar. Só então faz sentido avaliar quais alternativas migratórias podem ser aplicáveis”, conclui Murtaz.
Murtaz Navsariwala é advogado especializado em imigração para os Estados Unidos, com formação em Economia e História pela Northwestern University e doutorado em Direito pela Indiana University Bloomington. Ele é fundador do Murtaz Law, escritório sediado em Illinois e com atuação em processos de imigração relacionados, entre outras áreas, a profissionais qualificados e vistos baseados em emprego.
Serviço
Empreendedorismo e imigração nos Estados Unidos
Quem pretende abrir, comprar ou expandir uma empresa para os Estados Unidos deve avaliar separadamente a constituição do negócio e a situação migratória necessária para morar e trabalhar no país.
As categorias aplicáveis variam conforme nacionalidade, experiência profissional, estrutura empresarial, investimento e objetivos do empreendedor. A análise de elegibilidade deve considerar as regras específicas de cada modalidade.
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