Com o lipedema em evidência nas redes sociais, especialista alerta para os riscos do autodiagnóstico e explica como diferenciar a doença de linfedema, insuficiência venosa e obesidade

O aumento da visibilidade do lipedema nas redes sociais tem levado mais mulheres a buscar informações sobre a doença, mas também abriu espaço para um problema crescente: o autodiagnóstico. Inchaço nas pernas, dificuldade para perder medidas, celulite e sensação de peso passaram a ser associados automaticamente à condição, embora esses sintomas possam ter diferentes causas.
O lipedema é uma doença crônica caracterizada principalmente pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, geralmente de forma simétrica nos membros inferiores. Dor, sensibilidade ao toque e facilidade para desenvolver hematomas também podem fazer parte do quadro.
Apesar dessas características, apenas observar a aparência das pernas não é suficiente para estabelecer o diagnóstico.
O angiologista e cirurgião vascular Dr. Victor Hugo, cofundador da Clínica VHG, em Fortaleza, explica que diversas condições podem provocar aumento de volume ou inchaço nos membros inferiores e exigem tratamentos diferentes.
“A internet prestou um grande serviço ao tirar o lipedema da invisibilidade, mas precisamos de cautela. Recebo diariamente pacientes convictas que têm lipedema por causa de vídeos no TikTok, quando, na verdade, apresentam insuficiência venosa, varizes, linfedema ou obesidade. O tratamento errado gera frustração financeira, emocional e não resolve a dor”, afirma.
Lipedema costuma provocar aumento desproporcional das pernas

No lipedema, o aumento do volume tende a ocorrer de maneira bilateral e relativamente simétrica. Em algumas pacientes, existe uma diferença evidente entre a parte superior e inferior do corpo, com quadris, coxas e pernas proporcionalmente maiores.
Uma característica frequentemente observada é a preservação dos pés. O aumento de volume pode terminar próximo aos tornozelos, produzindo uma espécie de transição marcada entre a perna e o pé.
Dor e sensibilidade também são características importantes. Algumas pacientes sentem desconforto mesmo com pequenos impactos ou pressão sobre as pernas. A facilidade para aparecimento de hematomas sem um trauma significativo é outro sinal que pode estar presente.
A distribuição da gordura relacionada ao lipedema também tende a ser mais resistente à perda proporcional de medidas. Isso não significa que alimentação equilibrada e atividade física não sejam importantes, mas que a desproporção característica pode permanecer mesmo quando há redução do peso corporal.
Linfedema pode atingir os pés

O linfedema ocorre quando há comprometimento da drenagem do sistema linfático, provocando acúmulo de líquido nos tecidos.
Diferentemente do padrão mais característico do lipedema, o linfedema pode ser assimétrico, afetando uma perna de forma mais intensa do que a outra. Os pés também podem apresentar inchaço.
Entre os sintomas estão sensação de peso, tensão ou repuxamento da pele e redução da mobilidade em determinados casos. A dor à palpação, típica de muitas pacientes com lipedema, não necessariamente está presente no linfedema.
A avaliação médica é importante porque o linfedema pode ter diferentes origens, incluindo alterações primárias do sistema linfático ou surgir de forma secundária a outras condições.
Insuficiência venosa costuma piorar ao longo do dia
Outra causa frequente de pernas inchadas é a insuficiência venosa, condição relacionada à dificuldade do sangue em retornar adequadamente dos membros inferiores.
Nesse caso, o edema pode aumentar depois de longos períodos em pé ou sentado e geralmente se torna mais perceptível ao longo do dia. Algumas pessoas relatam que acordam com as pernas menos inchadas e terminam o dia com sensação de peso e desconforto.
Varizes, veias dilatadas e pequenos vasos aparentes podem acompanhar o quadro. Em situações mais avançadas, também podem surgir alterações na pele e escurecimento próximo aos tornozelos.
Repousar e elevar as pernas pode proporcionar alívio temporário dos sintomas, mas a investigação médica é necessária para determinar a origem do problema e indicar o tratamento adequado.
Obesidade e lipedema são condições diferentes
A obesidade também pode provocar aumento do volume das pernas, mas possui características diferentes.
Em geral, o acúmulo de gordura relacionado ao excesso de peso apresenta distribuição mais ampla pelo corpo, alcançando regiões como abdômen, tronco, braços, rosto e membros inferiores.
No lipedema, por outro lado, pode existir uma distribuição desproporcional do tecido adiposo, principalmente nas pernas e quadris.
As duas condições também podem ocorrer simultaneamente. Uma mulher com obesidade pode apresentar lipedema, assim como uma paciente com lipedema pode desenvolver excesso de peso ao longo da vida.
Por isso, avaliar apenas o peso ou o formato corporal não é suficiente para confirmar ou descartar a doença.
Condições podem coexistir e dificultar diagnóstico
Segundo Dr. Victor Hugo, um dos principais desafios é justamente a possibilidade de diferentes doenças estarem presentes na mesma paciente.
Uma pessoa pode apresentar lipedema associado a varizes, insuficiência venosa, obesidade ou alterações do sistema linfático. Essa sobreposição pode modificar os sintomas e dificultar a identificação da causa principal das queixas.
“O diagnóstico definitivo exige avaliação clínica presencial. O toque do especialista, o histórico da paciente e exames complementares, quando indicados, são fundamentais. A informação da internet serve para acender o alerta, mas apenas o médico pode desenhar o plano de tratamento seguro”, destaca.
O diagnóstico do lipedema é essencialmente clínico e considera histórico, sintomas, distribuição do tecido adiposo, exame físico e exclusão de outras possíveis causas para o aumento de volume dos membros. Exames podem ser utilizados para investigar doenças associadas ou auxiliar no diagnóstico diferencial.
A orientação é evitar tratamentos iniciados exclusivamente a partir de conteúdos encontrados nas redes sociais. Apesar de ampliar o conhecimento sobre sintomas e doenças, a informação disponível na internet não substitui uma avaliação individualizada.
Sobre a Clínica VHG e Dr. Victor Hugo
A Clínica VHG atua na área de saúde vascular e cuidados dos membros inferiores em Fortaleza.
Cofundador do espaço, Dr. Victor Hugo é angiologista e cirurgião vascular, com graduação em Medicina pela Unichristus, residência em Cirurgia Geral pelo Hospital Geral de Fortaleza e formação em Cirurgia Vascular pela Universidade Federal do Ceará. O médico também possui mestrado em Tecnologias Minimamente Invasivas e integra a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.
Serviço
Clínica VHG
RioMar Trade Center
Avenida Desembargador Lauro Nogueira, 1500, sala 1620, Papicu, Fortaleza
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 20h
Site: victorhugovascular.com.br
Instagram: @victorhugovascular
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