Levantamento internacional chama atenção para o acompanhamento médico na vida adulta, enquanto especialista explica por que os cuidados não devem começar apenas quando surgem sintomas
A saúde após os 18 anos passa por uma mudança que vai além das questões biológicas. Com a chegada da vida adulta, consultas que antes eram organizadas pelos pais ou responsáveis passam, na maioria das vezes, a depender da iniciativa do próprio jovem. Em meio aos estudos, trabalho, vida social e novas responsabilidades, o acompanhamento preventivo pode acabar ficando em segundo plano.
A sensação de estar saudável também contribui para esse afastamento dos consultórios. Sem dores ou sintomas aparentes, muitos jovens podem entender que não há necessidade de procurar atendimento médico regularmente. O problema é que algumas alterações de saúde podem se desenvolver sem manifestações perceptíveis nas fases iniciais.
Um levantamento internacional conduzido nos Estados Unidos chama atenção para esse cenário. A pesquisa identificou que 29% dos adultos entre 18 e 29 anos não possuem um médico de atenção primária. Entre aqueles que contam com esse tipo de acompanhamento, apenas 47% afirmaram ter realizado uma consulta de rotina no último ano.
Embora os dados sejam referentes à população norte-americana, eles levantam uma discussão que também se aplica à realidade brasileira: a necessidade de construir uma rotina de prevenção desde o início da vida adulta, antes que problemas de saúde apareçam.
Saúde após os 18 anos exige atenção mesmo sem sintomas
Para a clínica geral da Hapvida Stephanie Paula Dourado, sentir-se bem não significa necessariamente que não exista motivo para uma avaliação preventiva.
“Algumas doenças podem começar de forma silenciosa, como hipertensão, alterações de colesterol e glicemia”, explica.
A especialista lembra que fatores de risco podem estar presentes mesmo entre pessoas jovens e aparentemente saudáveis. Histórico familiar e predisposição genética, por exemplo, são informações importantes para determinar quais aspectos da saúde precisam de maior acompanhamento.
No caso da hipertensão arterial, antecedentes familiares podem aumentar a necessidade de atenção. Por isso, conhecer o histórico do paciente durante a consulta permite que o profissional faça uma avaliação individualizada e defina quais medidas de prevenção são mais adequadas.
Consulta preventiva não significa fazer todos os exames
Manter acompanhamento médico também não significa realizar uma extensa bateria de exames todos os anos. A necessidade de cada procedimento deve considerar as características individuais do paciente.
“Eles devem ser solicitados de acordo com idade, histórico familiar e fatores de risco, evitando exames desnecessários”, afirma Stephanie Paula.
A consulta preventiva pode incluir avaliação da pressão arterial, alimentação, prática de atividade física, qualidade do sono, situação vacinal, saúde mental e outros fatores relacionados ao estilo de vida.
O encontro com um profissional também permite atualizar informações sobre o histórico pessoal e familiar, identificar mudanças ao longo do tempo e discutir comportamentos que podem representar riscos futuros.
Prevenção também passa pela vacinação
Outro ponto importante da saúde após os 18 anos é manter a vacinação atualizada. A chegada à vida adulta não representa o fim da necessidade de imunização, já que existem vacinas e doses de reforço indicadas conforme a idade, o histórico vacinal e situações específicas.
A carteira de vacinação deve, portanto, fazer parte da avaliação preventiva. Caso existam doses atrasadas ou dúvidas sobre o esquema recebido durante a infância e adolescência, a situação pode ser analisada por profissionais de saúde.
Hábitos adotados na juventude podem repercutir por décadas
A transição para a vida adulta também representa um período importante para consolidar hábitos que podem influenciar a saúde ao longo das próximas décadas.
“Alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado, não fumar, controlar o peso e cuidar da saúde mental são hábitos que fazem diferença não só agora, mas também nas próximas décadas”, destaca Stephanie Paula.
Esses cuidados ganham relevância porque a rotina estabelecida no começo da vida adulta tende a acompanhar outras fases marcadas por mudanças profissionais, familiares e sociais.
A prevenção, portanto, não se resume à realização de exames. Ela também envolve observar comportamentos cotidianos e reconhecer fatores que podem contribuir para doenças crônicas no futuro.
Cuidar da própria saúde também faz parte da autonomia
Assumir a responsabilidade pelas próprias consultas, conhecer o histórico familiar, acompanhar a vacinação e prestar atenção aos hábitos cotidianos são medidas que passam a fazer parte da autonomia conquistada depois dos 18 anos.
Para Stephanie Paula, mesmo pessoas jovens e sem doenças conhecidas podem se beneficiar de avaliações preventivas periódicas.
“Para um jovem saudável, uma avaliação preventiva periódica, geralmente anual, é uma boa oportunidade para acompanhar a saúde e manter a prevenção”, conclui.
Mais do que procurar atendimento apenas diante de sintomas, a proposta é construir uma relação contínua com o cuidado da saúde. A vida adulta traz novas responsabilidades e, entre elas, está aprender a prevenir problemas antes que eles interfiram na qualidade de vida.
Serviço
Acompanhamento preventivo de saúde
Jovens e adultos podem procurar atendimento na Atenção Primária à Saúde, incluindo as Unidades Básicas de Saúde, para avaliação individual, orientação sobre vacinação, hábitos de vida e outros cuidados preventivos.
A necessidade e a frequência de consultas e exames devem ser definidas de forma individualizada por um profissional de saúde, levando em consideração idade, histórico pessoal, antecedentes familiares e fatores de risco.
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