Família, escola, amigos e ambientes de trabalho podem contribuir para identificar mudanças de comportamento, ampliar o acolhimento e incentivar a busca por ajuda profissional.

O Setembro Amarelo amplia, ao longo deste mês, o debate sobre valorização da vida, prevenção do suicídio e a importância de tornar o cuidado com a saúde mental uma responsabilidade compartilhada. A mobilização ganha ainda mais destaque com a proximidade do Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, celebrado em 10 de setembro.
Embora as discussões sobre saúde emocional tenham conquistado mais espaço nos últimos anos, estigmas, preconceitos e falta de informação ainda podem dificultar a procura por acompanhamento especializado. Nesse cenário, especialistas defendem que o acolhimento precisa acontecer não apenas nos consultórios, mas também dentro de casa, nas escolas, entre amigos e nos ambientes de trabalho.
A depressão está entre as condições que exigem atenção. Segundo informações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, a prevalência da doença ao longo da vida no Brasil é estimada em cerca de 15,5%. O próprio órgão destaca que pessoas em sofrimento psíquico podem apresentar diferentes sinais e que mudanças comportamentais não devem ser avaliadas isoladamente.
Para Sarah Rebeca Barreto, psicóloga, neuropsicóloga e educadora parental, fortalecer uma rede de apoio é fundamental para que pessoas em sofrimento encontrem acolhimento e tenham condições de buscar ajuda.
“O cuidado com a saúde mental é uma tarefa coletiva. A responsabilidade não cabe apenas ao indivíduo que está atravessando um momento difícil, mas envolve ativamente a família, as escolas, os amigos, os ambientes de trabalho e toda a rede ao seu redor. Muitas vezes, quem está em sofrimento não consegue vocalizar suas necessidades de forma direta. Cabe a nós, como sociedade, desenvolver um olhar atento e uma escuta empática para perceber sinais como mudanças repentinas de comportamento, isolamento e perda de interesse pelas atividades do dia a dia”, afirma.
Família e escola têm papel importante
Entre crianças e adolescentes, Sarah destaca que a construção de ambientes seguros para falar sobre sentimentos pode contribuir para o desenvolvimento emocional e facilitar a identificação de situações que necessitam de acompanhamento.
“Nas escolas e nos lares, precisamos construir espaços seguros onde as emoções possam ser nomeadas e acolhidas sem julgamentos. Educar parentalmente e emocionalmente significa ensinar nossas crianças e adolescentes que sentir frustração, medo e vulnerabilidade faz parte da vida, mas que eles nunca estarão sozinhos para enfrentar esses sentimentos. A valorização da vida começa na convivência diária, na validação do outro e no fim do tabu sobre procurar ajuda profissional”, pontua.
A atenção, segundo a especialista, também passa pela observação de alterações persistentes na rotina, como isolamento social, mudanças acentuadas de humor e perda de interesse por atividades anteriormente consideradas prazerosas. Esses sinais, isoladamente, não determinam um diagnóstico, mas podem indicar a necessidade de uma conversa mais cuidadosa ou de avaliação profissional.
Escutar sem julgamento pode fazer diferença
Outra orientação é evitar minimizar o sofrimento de quem procura ajuda. Frases que diminuem a importância dos sentimentos podem dificultar ainda mais a comunicação. Ouvir com atenção, demonstrar disponibilidade e incentivar a procura por atendimento especializado são atitudes que podem fortalecer a rede de proteção.
No caso de crianças e adolescentes, a chamada alfabetização emocional também pode ser estimulada desde cedo. A proposta envolve ajudá-los a reconhecer, nomear e expressar sentimentos, além de ensinar que pedir ajuda diante de situações difíceis não representa fraqueza.
O Ministério da Saúde reforça que a prevenção envolve diferentes setores da sociedade e orienta que pessoas em sofrimento possam recorrer à rede pública de saúde, incluindo Unidades Básicas de Saúde e Centros de Atenção Psicossocial. Em situações de urgência, também estão disponíveis UPAs, serviços hospitalares e o Samu.
Mais do que concentrar a discussão em setembro, a proposta defendida por profissionais da área é incorporar o cuidado com a saúde mental à rotina durante todo o ano, fortalecendo relações de confiança, informação qualificada e acesso a acompanhamento especializado.
Serviço
Onde buscar ajuda
Centro de Valorização da Vida, CVV
Telefone: 188
Atendimento gratuito, sigiloso e disponível 24 horas por dia.
Também é possível procurar Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial, UPAs e hospitais. Em situações de urgência, o Samu pode ser acionado pelo número 192.
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