Automedicação usada como solução rápida para dores, febre e outros sintomas pode causar interações medicamentosas, efeitos adversos e atrasar o diagnóstico de problemas de saúde.
A automedicação ainda faz parte da rotina de muitos brasileiros que recorrem a remédios por conta própria diante de sintomas como dor de cabeça, febre, dores musculares, desconfortos e sinais de gripe. Apesar da busca por alívio imediato, o uso de medicamentos sem orientação adequada pode trazer riscos que vão além de uma reação inesperada.
Intoxicações, efeitos adversos, interações entre diferentes substâncias e o mascaramento de doenças estão entre os principais perigos. O clínico geral da Hapvida Arilton Fontenele Lima explica que o fato de uma pessoa já conhecer ou ter utilizado determinado medicamento anteriormente não significa que ele seja seguro em qualquer situação.
“É muito comum a pessoa pensar que, porque já tomou determinado medicamento antes ou porque ele é facilmente encontrado, não haverá riscos. Mas todo medicamento precisa ser usado com cuidado. Uma dose inadequada, o uso por tempo prolongado ou a combinação com outros remédios pode causar efeitos adversos e até intoxicações”, explica.
Alívio do sintoma não significa tratamento
Um dos pontos de atenção está na melhora temporária provocada por determinados medicamentos. Uma dor ou febre pode desaparecer enquanto a condição responsável pelo sintoma continua evoluindo.
Dor de cabeça recorrente, febre persistente, dores abdominais e outros desconfortos que se repetem ou pioram precisam ser investigados. A tentativa de controlar esses sinais continuamente com medicamentos pode atrasar a procura por atendimento e, consequentemente, o diagnóstico.
“Às vezes, o medicamento consegue aliviar a dor ou baixar a febre, mas isso não significa que a causa do problema tenha sido tratada. Quando um sintoma persiste, piora ou se repete com frequência, é importante procurar atendimento. A automedicação pode mascarar sinais importantes e atrasar o diagnóstico conclusivo”, alerta Arilton.
Misturar medicamentos exige cuidado
Outro risco está no uso simultâneo de diferentes medicamentos sem avaliação profissional. Dependendo das substâncias envolvidas, uma combinação pode alterar os efeitos esperados, aumentar a ocorrência de reações adversas ou provocar interações medicamentosas.
A atenção deve ser maior entre idosos e pessoas que já utilizam medicamentos continuamente, inclusive para controle de doenças como hipertensão e diabetes.
“É fundamental informar ao profissional de saúde todos os medicamentos que estão sendo utilizados, inclusive aqueles que a pessoa toma apenas eventualmente. Isso permite avaliar possíveis interações e definir uma conduta mais segura para cada paciente”, orienta o médico.
Redes sociais não substituem avaliação profissional
Recomendações feitas por amigos e familiares ou encontradas na internet também merecem cautela. Um medicamento que apresentou resultado para uma pessoa pode ser contraindicado para outra, mesmo quando os sintomas parecem semelhantes.
Características individuais, outros medicamentos em uso, histórico clínico, dosagem e duração do tratamento podem mudar completamente a avaliação sobre determinada substância.
Por isso, o uso de medicamentos não deve ser baseado apenas em relatos pessoais, experiências anteriores ou conteúdos publicados nas redes sociais.
Quando procurar atendimento
A persistência ou piora dos sintomas está entre os sinais de que a avaliação profissional não deve ser adiada. Febre prolongada, dor intensa ou recorrente, falta de ar, desmaios, alterações importantes no estado geral e sintomas que não melhoram precisam de investigação.
“Medicamento não deve ser tratado como um produto comum. É preciso saber para que ele é indicado, qual a dose adequada, por quanto tempo pode ser utilizado e quais são suas contraindicações. Buscar orientação profissional é sempre a maneira mais segura de cuidar da saúde”, conclui Arilton Fontenele Lima.
Serviço
Tema: riscos da automedicação
Especialista: Arilton Fontenele Lima, clínico geral da Hapvida
Orientação: sintomas persistentes, recorrentes ou que apresentem piora devem ser avaliados por um profissional de saúde.
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