Fundação Waldemar Alcântara recupera as 22 edições do jornal publicado em Fortaleza em 1865; lançamento acontece nesta quarta-feira (23), na Academia Cearense de Letras
Um jornal que circulou pelas ruas de Fortaleza em 1865 e transformou sátira, caricaturas e críticas à vida pública em linguagem jornalística volta a chegar aos leitores 161 anos depois. A Fundação Waldemar Alcântara lança, nesta quarta-feira (23), às 19h, na Academia Cearense de Letras, a edição fac-similar de “O Tagarella: Jornal Livre, Crítico e Noticioso”.
A publicação reúne os 22 números conhecidos do periódico e reproduz suas características gráficas e editoriais originais. Os exemplares utilizados no projeto foram cedidos pelo colecionador, pesquisador e livreiro Jorge Brito. O lançamento integra uma programação organizada pela Fliman. (Divirta-se)
Um retrato da imprensa de 1865
O Tagarella começou a circular em Fortaleza em fevereiro de 1865. Registros históricos apontam que o jornal era impresso na Typographia Industrial, por José da Cunha Bezerra, e tinha a proposta de chegar ao público duas vezes por semana. Um exemplar preservado pela Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional ainda traz no cabeçalho a periodicidade e os preços cobrados pela assinatura e pela edição avulsa. (Hemeroteca Digital)
Mais do que noticiar acontecimentos, o periódico explorava uma linguagem marcada pelo humor e pela provocação. Caricaturas, gravuras, enigmas, crônicas e textos satíricos eram utilizados para comentar personagens e episódios da Fortaleza oitocentista.
A atuação do jornal chegou a provocar reações na própria imprensa da época. Em abril de 1865, O Cearense publicou textos discutindo processos e acusações envolvendo O Tagarella. Já uma correspondência enviada de Fortaleza e publicada no Constitucional Pernambucano descrevia o periódico como uma folha de caricaturas e enigmas que não poupava diferentes grupos nas críticas. Os registros ajudam a dimensionar o espaço ocupado pelo jornal nas disputas públicas daquele período, embora apresentem interpretações divergentes sobre sua atuação. (Hemeroteca Digital)
A trajetória, no entanto, foi curta. O Tagarella chegou a 22 edições e encerrou a circulação ainda em 1865, em 27 de agosto. Mais de um século e meio depois, essas páginas passam a ser reunidas novamente em uma edição que permite observar não apenas o conteúdo publicado, mas também a estética e as escolhas editoriais de um jornal do século XIX. (Divirta-se)
Documento para novas gerações
A edição inclui uma Nota ao leitor assinada por Cid Saboia de Carvalho e texto de Lúcio Alcântara contextualizando O Tagarella dentro da história da imprensa cearense. Segundo a Fundação Waldemar Alcântara, a iniciativa busca ampliar o acesso do público a documentos capazes de revelar aspectos da cultura, dos costumes e das relações sociais do Ceará de outros períodos. (Divirta-se)
A proposta dialoga com o trabalho desenvolvido pela instituição desde 1983 na pesquisa, catalogação e publicação de documentos relacionados à memória histórica e bibliográfica do Ceará. Seu catálogo reúne obras raras, republicações e pesquisas contemporâneas relacionadas à história e à cultura do Estado. (Fundação Waldemar Alcântara)
Serviço
Lançamento de “O Tagarella: Jornal Livre, Crítico e Noticioso”
Data: 23 de setembro de 2026
Horário: 19h
Local: Academia Cearense de Letras, Palácio da Luz
Endereço: Rua do Rosário, 1, Centro, Fortaleza
Publicação: Fundação Waldemar Alcântara, por meio do Ministério da Cultura
O endereço da Academia Cearense de Letras também consta no cadastro oficial do Mapa Cultural do Ceará. (Mapa Cultural)
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