Adolescente recebeu mais de 100 ferroadas e precisou de cuidados intensivos; Brasil já soma mais de 24 mil acidentes em 2026, enquanto período mais quente aumenta atenção para enxames
Um ataque de abelhas registrado em Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, voltou a chamar atenção para os riscos provocados por enxames e para os cuidados necessários diante de múltiplas ferroadas. O caso ocorreu no dia 14 de setembro, quando uma colmeia caiu de uma árvore nas proximidades de uma escola e os insetos se dispersaram pela região. Uma adolescente foi atingida por mais de 100 ferroadas e precisou ser internada.
A estudante chegou a permanecer no Centro de Terapia Intensiva, mas apresentou evolução clínica positiva e foi transferida para observação. Nesta segunda-feira (21), reportagem do UOL informava que ela continuava hospitalizada, porém com melhora significativa.
O episódio ganha relevância diante do número de ocorrências registradas no país. Dados divulgados a partir do Painel Epidemiológico de Acidentes com Animais Peçonhentos, do Ministério da Saúde, apontam 24.137 acidentes com abelhas e 75 mortes entre janeiro e agosto de 2026. Em todo o ano de 2025, foram contabilizados 24.835 acidentes e 74 óbitos. Os números deste ano ainda são sujeitos a atualização.
O próprio Ministério da Saúde informa que os acidentes com abelhas apresentam maior predominância entre outubro e março. Sudeste e Nordeste concentram os maiores números de notificações no país. Com a chegada da primavera, bombeiros também alertam para uma presença maior de enxames em áreas urbanas durante o período mais quente e florido.
Uma ferroada pode provocar reação grave
Dor, vermelhidão e inchaço na região atingida estão entre as manifestações locais mais frequentes. Entretanto, a gravidade de uma ferroada depende tanto da quantidade de veneno inoculada quanto da possibilidade de reação alérgica.
Segundo a alergista e imunologista Aline Gomes, da Hapvida, uma única picada pode desencadear anafilaxia em pessoas sensibilizadas. Entre os sinais de alerta estão urticária generalizada, inchaço em outras regiões do corpo, dificuldade para respirar, sensação de fechamento da garganta, tontura, queda da pressão e perda de consciência.
O Ministério da Saúde destaca ainda que uma pessoa não precisa ter alergia para desenvolver um quadro grave. Em acidentes com dezenas ou centenas de ferroadas, a grande quantidade de veneno pode provocar intoxicação sistêmica, com complicações que incluem alterações respiratórias, cardiovasculares, musculares e renais.
Muitas picadas exigem atendimento imediato
Quem sofreu múltiplas ferroadas deve procurar atendimento médico rapidamente, mesmo que inicialmente se sinta bem. Isso ocorre porque algumas complicações provocadas pela quantidade de veneno podem evoluir depois do acidente.
O mesmo vale para quem apresenta falta de ar, urticária pelo corpo, inchaço de língua ou garganta, vômitos, tontura, queda de pressão ou alteração da consciência.
Nos quadros de anafilaxia, a adrenalina é o medicamento de escolha para o tratamento emergencial. Pessoas com diagnóstico prévio de alergia grave devem seguir o plano definido pelo alergista, incluindo o uso de adrenalina autoinjetável quando prescrita.
Como retirar o ferrão
Quando o ferrão fica preso à pele, a recomendação do Ministério da Saúde é removê-lo por raspagem, utilizando, por exemplo, a borda de um cartão ou objeto semelhante. A orientação é evitar apertar o ferrão com pinças, já que o reservatório pode continuar liberando veneno.
Após a retirada, o local pode ser lavado com água e sabão e receber compressa fria para aliviar dor e inchaço. Medicamentos devem ser utilizados conforme orientação profissional. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia também recomenda evitar pomadas anti-histamínicas por conta própria, pois elas próprias podem provocar sensibilização da pele.
O que fazer durante um ataque de abelhas
A prioridade é sair rapidamente da área do enxame e procurar abrigo fechado, protegendo principalmente rosto, olhos, nariz e boca. Não se deve tentar espantar as abelhas com as mãos nem permanecer próximo à colmeia.
Orientações de segurança também recomendam não pular em piscinas, rios ou lagos para escapar, porque as abelhas podem permanecer sobre a superfície aguardando a pessoa emergir. Ao encontrar uma colmeia ou enxame em área de risco, a retirada deve ser feita por profissionais capacitados.
No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 em situações envolvendo enxames e o Samu pelo 192 em emergências médicas.
Alergia pode ter tratamento preventivo
Pessoas que já tiveram reação sistêmica após uma ferroada devem passar por avaliação de um alergista. Quando a alergia ao veneno é confirmada, a imunoterapia específica pode ser indicada para reduzir o risco de novas reações graves em futuras exposições.
O tratamento utiliza quantidades controladas do alérgeno para modificar progressivamente a resposta imunológica e deve ser realizado sob acompanhamento especializado.
Serviço
Em caso de ataque ou múltiplas ferroadas: procure uma unidade de emergência.
Samu: 192
Corpo de Bombeiros: 193
CIATox Ceará, emergência: (85) 3255-5050
CIATox Ceará: (85) 3255-5012
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