De Aquiraz aos Lençóis Maranhenses, patrimônio, natureza, cultura e hospitalidade ajudam a explicar por que algumas experiências permanecem muito depois da volta para casa.

O Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro, chega em 2026 com uma discussão cada vez mais presente no setor: como a tecnologia está mudando a forma de descobrir, planejar e vivenciar uma viagem. Neste ano, a data promovida pela ONU Turismo tem como tema “Agenda Digital e Inteligência Artificial para Redesenhar o Turismo”, com celebração oficial em San Salvador, em El Salvador.
A tecnologia pode até indicar o próximo destino, montar um roteiro ou ajudar a encontrar uma hospedagem. Mas aquilo que faz uma viagem permanecer na memória continua relacionado a elementos essencialmente humanos e territoriais: paisagens, cultura, patrimônio, gastronomia, hospitalidade, descobertas e as pessoas com quem cada experiência é compartilhada.
O turismo brasileiro chega à data em um período de crescimento. Entre janeiro e julho de 2026, mais de 4 milhões de turistas internacionais chegaram ao Brasil por via aérea, alta de 12% na comparação com o mesmo período de 2025. Já a aviação brasileira transportou 88,6 milhões de passageiros nos mercados doméstico e internacional de janeiro a agosto, crescimento de 4,7%.
Em um país de dimensões continentais, a diversidade ajuda a explicar esse movimento. Do litoral cearense às formações naturais do Maranhão e Tocantins, passando pela história do Rio de Janeiro e pelas tradições do Sul, diferentes destinos mostram que uma experiência marcante não depende de uma única fórmula.
Aquiraz reúne praia, parques e experiências no Ceará
No Ceará, Aquiraz representa um modelo de destino em que diferentes experiências podem fazer parte da mesma viagem. Um dos principais exemplos é o Beach Park, que começou em 1985 como uma barraca de praia no Porto das Dunas e se transformou em um complexo turístico com parques, hospedagem, gastronomia e lazer à beira-mar.
O Aqua Park possui mais de 30 atrações. Entre elas está o Surreal, reconhecido pelo Guinness World Records como a montanha-russa aquática mais alta do mundo, com 27,95 metros de altura. O recorde foi oficialmente registrado em abril de 2026.
O destino também ganhou, em 2025, o Parque Arvorar, espaço dedicado à combinação de lazer, educação ambiental e contato com a natureza.
Atualmente, o complexo opera quatro resorts e prepara uma nova etapa de expansão. O Ohana Beach Park Resort, quinto empreendimento hoteleiro do destino, tem inauguração marcada para 29 de setembro de 2026, também no Porto das Dunas.
A possibilidade de reunir praia, aventura, descanso, natureza e gastronomia em um mesmo roteiro ajuda a mostrar como a variedade de experiências pode se transformar em um diferencial para um destino turístico.
História também pode ser parte da hospedagem
No Rio de Janeiro, o Copacabana Palace exemplifica outro caminho para criar vínculos entre viajantes e destinos: a história.
Inaugurado em 1923, o hotel atravessou mais de um século integrado à vida cultural e social da cidade. Projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, o edifício tornou-se uma das construções emblemáticas da orla de Copacabana e recebeu, ao longo das décadas, artistas, autoridades e personalidades internacionais.
Nesse tipo de experiência, hospedar-se deixa de ser apenas uma necessidade logística. Arquitetura, serviço, gastronomia, localização e memória ajudam a transformar o próprio hotel em parte da história contada pelo destino.
Paisagens que dificilmente se repetem
Há viagens que permanecem na memória principalmente pela força da natureza. Os Lençóis Maranhenses, no Maranhão, estão entre os exemplos brasileiros mais conhecidos.
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses foi inscrito pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural em 2024. A paisagem reúne extensos campos de dunas brancas e lagoas formadas durante o período chuvoso, criando um sistema natural de relevância paisagística e geomorfológica.
O parque pode ser visitado durante todo o ano, embora o volume das lagoas varie conforme o ciclo das chuvas. Barreirinhas e Santo Amaro do Maranhão estão entre as principais portas de entrada para visitantes.
No Tocantins, o Jalapão oferece outra combinação de paisagens. Dunas, cachoeiras, trilhas, chapadões e os conhecidos fervedouros fazem parte dos roteiros da região. Nos fervedouros, a pressão da água subterrânea favorece a flutuação dos visitantes, criando uma das experiências mais características do destino.
Mais ao sul do Maranhão, a Chapada das Mesas reúne paredões rochosos, cachoeiras e piscinas naturais. O Parque Nacional da Chapada das Mesas protege cerca de 160 mil hectares, enquanto atrativos como Poço Azul, Encanto Azul e as cachoeiras de São Romão e da Prata ampliam as possibilidades de ecoturismo e aventura na região.
São destinos em que a paisagem não funciona apenas como cenário: ela é a própria experiência.
Cultura transforma visitante em participante
Em outros lugares, a memória da viagem é construída pelo contato com costumes e tradições.
Pomerode, em Santa Catarina, preserva parte importante da influência dos imigrantes germânicos na arquitetura, gastronomia e calendário cultural. A Festa Pomerana, realizada tradicionalmente em janeiro, reúne desfiles, culinária e atividades relacionadas às tradições locais. A próxima edição está prevista para ocorrer de 13 a 24 de janeiro de 2027.
Na vizinha Blumenau, a Oktoberfest transforma a cultura germânica em uma experiência coletiva. Em 2026, a 41ª edição será realizada de 7 a 25 de outubro, com música, gastronomia, desfiles e outras manifestações culturais.
Nesses casos, o visitante não encontra apenas pontos turísticos para observar. Festas, sabores, música, arquitetura e costumes permitem uma participação mais próxima na identidade do lugar.
A companhia e o acolhimento também entram na memória
Nem todas as lembranças de uma viagem dependem de um monumento ou de uma grande atração. Muitas vezes, o que permanece são pequenas experiências: uma conversa inesperada, uma refeição compartilhada, um passeio sem planejamento ou a descoberta de um lugar ao lado de pessoas importantes.
Viajar sozinho pode representar autonomia e descoberta. Em família ou entre amigos, o mesmo roteiro pode ganhar significado pela memória compartilhada.
Nesse processo, a hospitalidade também interfere na percepção sobre um destino. Atendimento, segurança, informação acessível, mobilidade, gastronomia e integração com a população local ajudam a formar a experiência completa do visitante.
A discussão ganha ainda outra dimensão em 2026. Ao escolher inteligência artificial e transformação digital como tema do Dia Mundial do Turismo, a ONU chama atenção para tecnologias que já influenciam quais destinos aparecem nas buscas, como roteiros são elaborados e quais empresas conseguem chegar ao viajante. A própria organização defende que essa transformação também beneficie pequenos negócios, comunidades e destinos emergentes.
No fim, não existe uma única fórmula capaz de tornar uma viagem inesquecível. Um parque à beira-mar no Ceará, um hotel centenário no Rio, uma lagoa entre dunas no Maranhão, um fervedouro no Tocantins ou uma festa tradicional em Santa Catarina produzem experiências completamente diferentes.
O ponto em comum está na capacidade de criar conexão. E, em uma época em que ferramentas digitais conseguem sugerir praticamente qualquer lugar do mundo em segundos, talvez o maior diferencial de um destino continue sendo aquilo que nenhum algoritmo consegue viver pelo viajante: a experiência de estar ali.
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