Pesquisa da Grammarly com a Harris Poll dimensiona impacto de ruídos no ambiente corporativo; especialista defende processos mais claros para reduzir retrabalho e perda de produtividade

Falhas de comunicação nas empresas podem representar um impacto bilionário sobre produtividade, tempo de trabalho e resultados. Uma pesquisa realizada pela Grammarly em parceria com a Harris Poll estimou que a comunicação ineficaz pode custar às empresas dos Estados Unidos até US$ 1,2 trilhão por ano em horas de trabalho desperdiçadas. (Grammarly)
A estimativa faz parte do State of Business Communication, divulgado originalmente em 2022. O levantamento ouviu 251 líderes empresariais e 1.001 trabalhadores do conhecimento nos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, os gestores estimaram que suas equipes perdiam, em média, 7,47 horas de trabalho por semana em razão de problemas de comunicação. A partir desses dados, da remuneração informada pelas empresas e de uma estimativa de 100 milhões de trabalhadores do conhecimento no país, o estudo chegou ao potencial de US$ 12.506 em perdas anuais por funcionário. (Grammarly)
O cálculo, portanto, não representa um prejuízo contábil efetivamente registrado por todas as empresas norte-americanas, mas uma estimativa do valor associado às horas de trabalho que poderiam ser perdidas em decorrência de comunicação ineficiente.
O problema vai além de mensagens mal interpretadas ou reuniões pouco produtivas. Informações incompletas, orientações contraditórias e responsabilidades mal definidas podem atrasar decisões, provocar repetição de tarefas e fazer com que profissionais gastem parte do expediente tentando compreender o que deveria ter sido estabelecido desde o início.
Para a advogada Silvia Letícia, que atua na área de gestão jurídica, tratar a comunicação apenas como uma habilidade individual pode fazer com que as empresas deixem de observar problemas existentes na própria organização do trabalho.
“Quando uma empresa depende de cada pessoa interpretar uma informação de uma maneira, o risco de ruído aumenta muito. Comunicação eficiente não significa apenas falar ou escrever bem. Significa criar processos para que a informação certa chegue à pessoa certa, no momento certo e com clareza suficiente para gerar uma ação”, explica.

A atuação profissional de Silvia Letícia Ferreira da Silva também aparece vinculada à gestão e controladoria jurídica. A Universidade Federal do Ceará registra sua produção acadêmica na área, enquanto a Comissão da Advocacia Corporativa da OAB-CE já a apresentou em atividade profissional relacionada a Legal Operations e gestão jurídica. (Ppacprof)
Mais canais também podem ampliar os ruídos
O avanço das ferramentas digitais aumentou a quantidade de ambientes usados para conversas profissionais. E-mail, aplicativos de mensagens, chats corporativos, videoconferências e plataformas de gestão podem acelerar processos, mas também fragmentar informações quando não existem critérios claros para o uso de cada canal.
Dados posteriores da pesquisa da Grammarly com a Harris Poll reforçam esse cenário. No relatório de 2024, 78% dos profissionais pesquisados afirmaram ter percebido aumento na frequência das comunicações no trabalho nos 12 meses anteriores, enquanto 73% relataram crescimento na variedade de canais utilizados. O levantamento também apontou que os trabalhadores do conhecimento passavam 88% da semana de trabalho se comunicando por diferentes meios. (Grammarly)
Silvia aponta como situações recorrentes dentro das organizações orientações contraditórias, excesso de mensagens distribuídas entre diferentes plataformas, reuniões que terminam sem definição de responsabilidades e decisões importantes que não ficam devidamente registradas.
Em ambientes híbridos e remotos, o desafio tende a ganhar outra dimensão, porque parte considerável das interações deixa de acontecer presencialmente. Na edição de 2023 do relatório, 72% dos trabalhadores pesquisados disseram estar se comunicando de forma assíncrona com mais frequência do que no ano anterior, enquanto o tempo dedicado à comunicação escrita havia aumentado 18%. (Grammarly)
Processos claros podem reduzir retrabalho
Entre as medidas apontadas pela especialista está a definição de critérios para a comunicação interna. Isso envolve estabelecer quais tipos de assunto devem ser tratados por e-mail, mensagens instantâneas ou reuniões, além de registrar decisões relevantes e determinar quem é responsável por cada etapa de uma demanda.
“Não adianta criar mais um canal de comunicação se ninguém sabe qual informação deve estar ali. Quanto mais canais uma empresa tem, maior precisa ser a clareza sobre como eles serão usados”, afirma Silvia.
A comunicação também precisa fazer parte da rotina de gestão das equipes. Instruções pouco objetivas, mudanças frequentes de prioridades e ausência de contexto podem gerar retrabalho mesmo entre profissionais tecnicamente preparados.
“Boa comunicação também é uma questão de gestão. Uma liderança precisa saber explicar prioridades, dar contexto, ouvir a equipe e confirmar se aquilo que foi entendido corresponde ao que realmente precisava ser feito”, acrescenta.
Mais do que aumentar o volume de mensagens, portanto, estruturar como a informação circula dentro das organizações pode ser um caminho para reduzir perdas de tempo, tornar responsabilidades mais claras e diminuir o risco de decisões importantes se perderem entre diferentes canais.
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