Experiência de vida, habilidades comportamentais, capacitação e networking podem fortalecer o perfil de quem ainda não acumulou experiência profissional formal
Primeiro emprego: 5 atitudes que ajudam jovens a entrar no mercado de trabalho
Conquistar o primeiro emprego costuma colocar o jovem diante de um paradoxo: muitas oportunidades pedem algum tipo de experiência justamente de quem ainda está tentando começar a construí-la. Nesse cenário, preparar-se para o mercado de trabalho vai além de elaborar um currículo. É preciso aprender a reconhecer habilidades, desenvolver repertório e demonstrar disposição para aprender.
Para quem está dando os primeiros passos profissionais, experiências escolares, projetos acadêmicos, trabalho voluntário, participação em atividades coletivas, cursos e até responsabilidades assumidas no cotidiano podem ajudar a revelar competências importantes para uma empresa.
Fábio Sant’Anna, diretor de Pessoas e Cultura da Arcos Dorados, responsável pela operação do McDonald’s na América Latina e Caribe, reúne cinco orientações para jovens que buscam a primeira oportunidade ou querem fortalecer o início da carreira.
1. Desenvolva habilidades que não aparecem apenas no diploma
Conhecimento técnico importa, mas empresas também observam como o candidato se comunica, reage a problemas, trabalha em equipe e se adapta a situações novas.
Inteligência emocional, empatia, colaboração, flexibilidade e capacidade de ouvir perspectivas diferentes integram o conjunto de competências comportamentais conhecido como soft skills.
Para um jovem sem longa experiência profissional, essas características podem ganhar peso durante uma entrevista. Em vez de apenas afirmar que sabe trabalhar em equipe, por exemplo, é mais eficiente apresentar uma situação concreta em que precisou colaborar com outras pessoas para alcançar um resultado.
A capacitação também pode começar sem investimento financeiro. Plataformas como os cursos gratuitos da Fundação Getulio Vargas, o Aprenda Mais, do Ministério da Educação, e o MCampus Comunidade oferecem conteúdos voltados a diferentes competências profissionais.
2. Comece a construir networking antes de precisar dele
Networking não significa simplesmente adicionar pessoas no LinkedIn ou procurar contatos quando surge uma vaga.
Uma rede profissional começa a ser formada nas relações construídas em cursos, eventos, faculdade, escola, projetos, trabalhos voluntários e experiências profissionais. O valor dessas conexões está principalmente na troca de conhecimento e na possibilidade de conhecer diferentes trajetórias.
Para quem está começando, acompanhar profissionais das áreas de interesse também ajuda a entender funções, competências exigidas e transformações que estão acontecendo em cada setor.
O ponto central é construir relações reais. Uma boa conexão profissional tende a nascer de interesse genuíno, troca e participação, e não apenas de pedidos por indicação.
3. Transforme o aprendizado em rotina
A qualificação profissional deixou de depender exclusivamente de cursos longos ou presenciais.
Vídeos, podcasts, cursos rápidos, conteúdos especializados e plataformas gratuitas permitem incorporar aprendizado à rotina. Mais importante do que acumular certificados, porém, é conseguir demonstrar o que foi aprendido e como aquele conhecimento pode ser aplicado.
A própria Arcos Dorados mantém iniciativas voltadas à formação profissional, como o MCampus Comunidade e a série em áudio Amplie seu Potencial, direcionada principalmente às novas gerações.
A lógica vale para qualquer plataforma: escolher conteúdos conectados ao objetivo profissional tende a ser mais útil do que realizar diversos cursos sem uma direção definida.
4. Entenda que experiência profissional não é a única experiência que conta
A ausência de empregos anteriores não significa ausência de competências.
Organizar uma atividade escolar, participar de um projeto universitário, ajudar em um pequeno negócio familiar, praticar um esporte coletivo, desenvolver uma iniciativa própria ou atuar como voluntário pode envolver habilidades como responsabilidade, organização, liderança, atendimento, criatividade e resolução de problemas.
O desafio está em traduzir essas vivências para a linguagem profissional.
Em vez de escrever apenas “participei de um projeto acadêmico”, o candidato pode explicar qual era o objetivo, qual responsabilidade assumiu, quais ferramentas utilizou e o que conseguiu aprender ou entregar.
Essa mudança transforma uma experiência aparentemente simples em evidência concreta de capacidade.
5. Curiosidade e iniciativa podem abrir espaço
Nos primeiros anos de carreira, ninguém domina todas as tarefas. A disposição para aprender, portanto, costuma ser tão relevante quanto aquilo que o jovem já sabe fazer.
Fazer perguntas pertinentes, buscar entender processos, pedir feedback e propor soluções para pequenos problemas são atitudes capazes de demonstrar envolvimento.
Proatividade, no entanto, não significa agir sem orientação. Significa observar, compreender o contexto e assumir responsabilidades compatíveis com a função.
Para Fábio Sant’Anna, a combinação entre aprendizado contínuo, colaboração e curiosidade ajuda a fortalecer o desenvolvimento profissional. As empresas podem oferecer recursos e oportunidades, mas o jovem também precisa assumir protagonismo sobre a própria formação.
O currículo pode começar antes da carteira assinada
Um dos principais erros de quem procura o primeiro emprego é acreditar que não possui nada relevante para apresentar porque nunca teve um vínculo formal.
Um currículo inicial pode incluir formação, cursos complementares, conhecimentos digitais, idiomas, projetos acadêmicos, trabalhos voluntários, atividades extracurriculares e outras experiências capazes de demonstrar competências.
O mesmo raciocínio vale para entrevistas. Preparar previamente exemplos de situações em que foi necessário resolver um problema, aprender algo rapidamente, colaborar com outras pessoas ou lidar com responsabilidade ajuda a transformar respostas genéricas em histórias concretas.
Mais do que tentar parecer um profissional experiente, o objetivo deve ser demonstrar potencial, capacidade de aprendizado e clareza sobre o caminho que se pretende construir.
Como colocar as cinco dicas em prática
Quem pretende começar a procurar oportunidades pode estabelecer uma sequência simples: revisar o currículo, atualizar o perfil profissional online, escolher uma habilidade para desenvolver, acompanhar oportunidades compatíveis com o próprio perfil e preparar exemplos reais para utilizar em entrevistas.
Também vale criar uma rotina de busca. Reservar determinados dias para procurar vagas, estudar e desenvolver contatos ajuda a substituir a procura ocasional por um processo mais organizado.
O primeiro emprego não precisa definir toda a carreira. Ele funciona, sobretudo, como ponto de partida para adquirir repertório, compreender melhor o ambiente profissional e descobrir quais caminhos fazem sentido para o futuro.
SERVIÇO
Capacitação gratuita para quem está começando
FGV Cursos Gratuitos: formações online em diferentes áreas de conhecimento e desenvolvimento profissional.
Aprenda Mais: plataforma do Ministério da Educação com cursos online gratuitos em áreas como gestão, negócios, tecnologia, comunicação e turismo.
MCampus Comunidade: plataforma aberta de capacitação com conteúdos sobre empregabilidade, currículo, entrevistas, comunicação, atendimento, empreendedorismo e outras competências.
Amplie seu Potencial: série em áudio com conteúdos relacionados a carreira, aprendizado e desenvolvimento profissional.
Siga o @feedfortal no Instagram.




