Índice chegou a 18,24% no primeiro semestre de 2026 e aumenta pressão sobre despesas essenciais e planejamento financeiro dos empreendimentos
A inadimplência em condomínios no Ceará chegou a 18,24% no primeiro semestre de 2026 e ampliou a pressão sobre o caixa dos empreendimentos no Estado. O percentual é o maior da série histórica apresentada pela uCondo e está acima da média nacional, de 12,5%, e da registrada no Nordeste, de 12,71%.
Depois de recuar de 16,92% no primeiro semestre de 2024 para 15,14% no mesmo período de 2025, o indicador voltou a avançar. Em um ano, a alta foi de 3,10 pontos percentuais.
O crescimento dos atrasos ocorre em um cenário no qual as despesas condominiais também ficaram mais elevadas. A taxa média de condomínio no País chegou a R$ 538 no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2025, o valor era de R$ 516. Em 2022, estava em R$ 413, o que representa uma alta acumulada de 30,3%.
Atrasos atingem despesas essenciais
As taxas pagas pelos moradores sustentam despesas como portaria, segurança, limpeza, energia, manutenção das áreas comuns e pagamento de funcionários. Com o avanço da inadimplência, a diferença entre o valor previsto e o efetivamente arrecadado pode comprometer o planejamento financeiro dos condomínios.
Para George Melo, presidente da Adconce, o aumento dos atrasos está relacionado, entre outros fatores, à elevação das despesas condominiais e ao endividamento das famílias.
“A inadimplência afeta diretamente o caixa do condomínio. Em alguns casos, pode ser necessário aprovar uma taxa extra para garantir o pagamento de despesas básicas, o que acaba afetando também os moradores que estão em dia. O cenário pode criar um ciclo de aumento das cobranças e do endividamento, especialmente quando os débitos permanecem acumulados por longos períodos”, explica.
O problema pode atingir também quem mantém os pagamentos em dia. Caso a arrecadação não seja suficiente para cobrir os compromissos do empreendimento, a administração pode precisar recorrer a reservas ou discutir novas cobranças em assembleia.
Condomínios reforçam controle da cobrança
Diante do cenário, uma das recomendações é estabelecer procedimentos claros para acompanhar e cobrar os débitos antes que os valores se acumulem.
George defende a criação de uma régua de cobrança aprovada em assembleia, com etapas e prazos definidos. O processo pode começar com um lembrete após o vencimento, seguir para uma notificação formal e tentativa de negociação e, caso o débito permaneça, avançar para a cobrança judicial.
O acompanhamento dos indicadores financeiros também permite identificar alterações no comportamento dos pagamentos e antecipar os possíveis impactos sobre o fluxo de caixa.
Outro ponto é a transparência com os moradores. A apresentação periódica dos índices de inadimplência, da situação das receitas e das despesas ajuda a demonstrar de que forma os atrasos individuais interferem na manutenção dos serviços coletivos.
Com o Ceará no maior patamar da série apresentada pela uCondo, planejamento financeiro, acompanhamento da arrecadação e políticas estruturadas de cobrança ganham importância na administração dos condomínios.
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