Primeiro longa-metragem de Alexandre Vale, drama ambientado no litoral de Trairi disputa a principal mostra competitiva do festival, que acontece de 7 a 13 de novembro, em Fortaleza.
Uma história nascida das memórias de infância de um cineasta cearense, ambientada em uma comunidade de pescadores e atravessada pelos afetos que surgem entre gerações. É com esse cenário que Terra Firme, primeiro longa-metragem dirigido por Alexandre Vale, chega à programação do 36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema, com estreia mundial prevista para novembro de 2026.
Filmado na Praia de Mundaú, no município de Trairi, a aproximadamente 150 quilômetros de Fortaleza, o drama integra a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, principal disputa do evento. A seleção reúne seis produções de diferentes países e coloca a obra cearense em uma vitrine de circulação e reconhecimento internacional.
O festival acontece de 7 a 13 de novembro, em Fortaleza, com programação gratuita. As sessões competitivas de longas-metragens estão previstas para o Cineteatro São Luiz, no Centro da capital.

Uma amizade improvável entre um menino e um pescador
A trama acompanha Juca, um menino que vive em uma pequena comunidade litorânea ao lado da mãe, Lidinha, e do amigo Leleco.
Em sua rotina, o garoto observa com curiosidade a presença de Zé Cangulo, um pescador que vive isolado em seu barco e se recusa a manter contato com a terra firme.
Aos poucos, Juca encontra uma maneira de se aproximar do homem, ajudando-o na comercialização dos peixes. O que começa como uma convivência discreta se transforma em uma relação marcada por descobertas, silêncios e lembranças.
Carregando o desejo de construir a família que sente faltar em sua vida, o menino passa a imaginar uma aproximação entre o pescador e sua mãe.
É nesse encontro entre duas pessoas de gerações diferentes que o filme desenvolve questões relacionadas ao pertencimento, à ausência, aos vínculos familiares e à possibilidade de recomeçar.
A própria relação dos personagens com o mar ocupa uma posição central na narrativa. Para Zé Cangulo, a embarcação representa sobrevivência e isolamento. Para Juca, o contato com o pescador abre espaço para compreender sentimentos e histórias que até então desconhecia.
O drama propõe, assim, um olhar sobre os afetos que podem surgir nos encontros menos esperados.

Das memórias de infância à direção do primeiro longa-metragem
A origem de Terra Firme está diretamente relacionada às experiências pessoais de Alexandre Vale.
O diretor passou parte da infância na casa de praia dos avós, na Prainha, região de Aquiraz, onde teve contato com pescadores, jangadeiros e famílias que dependiam do mar para sobreviver.
Essas lembranças influenciaram tanto a criação dos personagens quanto a construção do universo narrativo do filme.
Zé Cangulo nasceu da observação de trabalhadores do litoral, homens cuja rotina exige coragem, resistência e familiaridade com os riscos da atividade pesqueira.
Já Juca foi inspirado nas crianças que cresciam próximas aos jangadeiros, participavam da dinâmica das comunidades e, desde cedo, encontravam maneiras de colaborar com pequenas atividades locais.
A relação entre esses dois personagens tornou-se o ponto de partida para abordar emoções e experiências que ultrapassam a realidade da pesca.
Para Alexandre Vale, o mar é também um elemento profundamente ligado à sua trajetória pessoal, influência que aparece na escolha do cenário e na própria construção dramática da obra.
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com pós-graduação em Design Multimídia pela Escola BAU, de Barcelona, o cineasta acumula cerca de duas décadas de experiência na criação e direção de projetos audiovisuais.
Antes de Terra Firme, dirigiu o curta-metragem O Sentinela da Frágil Fortaleza, de 2019, e escreveu e dirigiu a série televisiva O Relógio de Einstein, lançada em 2023.
A estreia na direção de longas-metragens representa uma nova etapa de sua trajetória profissional.

Por que a Praia de Mundaú foi escolhida?
Localizada no litoral oeste do Ceará, a Praia de Mundaú foi escolhida por preservar características de uma comunidade tradicionalmente ligada à pesca.
Embora a região seja conhecida por suas paisagens naturais, a proposta de Alexandre Vale foi explorar uma dimensão menos associada às imagens turísticas: o cotidiano dos moradores e a relação de suas vidas com o ambiente marítimo.
Durante visitas à localidade, o diretor identificou elementos que correspondiam ao universo que desejava retratar, especialmente a presença de embarcações, os pequenos negócios e a permanência de práticas associadas à atividade pesqueira.
A escolha também carrega uma intenção de valorização territorial. Ao situar a história em Mundaú, o longa aproxima o público da identidade cultural da região e transforma o litoral cearense em parte essencial da narrativa.
Não se trata apenas de utilizar uma paisagem natural como cenário. A relação entre a comunidade, o mar e seus habitantes ajuda a construir os conflitos e sentimentos que conduzem o filme.
Essa dimensão também aparece na participação de moradores de Mundaú durante a produção, aproximando as filmagens do ambiente retratado.

Elenco reúne atores e participação da comunidade local
O elenco principal é formado por Lisandro Di Prospero, que interpreta o pescador Zé Cangulo; Benjamim Nunes, no papel de Juca; Lua Maria, como Lidinha; e Pedro Lucas, que vive Leleco.
O filme contou ainda com a participação de moradores da Praia de Mundaú, onde foram realizadas as gravações.
Produzido pela Samarica Filmes, o longa tem produção de Ana Costa e direção de fotografia de Petrus Cariry, cineasta cearense que também divide a montagem com Magno Guimarães.
A trilha sonora original é assinada por João Victor Barroso. A direção de arte reúne Ana Margaretha Cunha, Netinho Nogueira e Ingra Rabelo.
Bruno Marques responde pelo som direto, enquanto Érico Paiva assina a mixagem e a edição de som.
Com 92 minutos de duração, Terra Firme é uma produção brasileira de ficção, falada em português.
O projeto foi contemplado pelo Edital de Apoio ao Audiovisual Cearense, com recursos da Lei Paulo Gustavo, e contou com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria da Cultura do Ceará.
Terra Firme disputa premiação no Cine Ceará
A estreia mundial do longa acontece em uma das principais vitrines do cinema ibero-americano realizadas no Nordeste.
Na edição de 2026, a Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem reúne seis títulos, sendo cinco obras de ficção e um documentário.
Além de Terra Firme, a seleção inclui produções e coproduções internacionais, em uma programação que explora questões como memória, identidade, relações familiares e transformações sociais.
Os participantes disputam o Troféu Mucuripe em categorias como Melhor Longa-metragem, Direção, Roteiro, Fotografia, Montagem, Atuação, Trilha Sonora, Som e Direção de Arte.
O prêmio destinado ao Melhor Longa-metragem inclui R$ 40 mil para distribuição da obra no Brasil, conforme os critérios do festival.
Para Terra Firme, a participação representa a oportunidade de apresentar ao público e ao circuito audiovisual uma narrativa construída a partir de experiências e paisagens do Ceará.
A estreia também reforça a presença da produção cinematográfica cearense em espaços competitivos que reúnem realizadores de diferentes países.
Com uma história sobre encontros, perdas e pertencimento, o filme leva à tela uma comunidade cuja relação com o mar permanece central para sua identidade.
Quando e onde assistir a Terra Firme?
A primeira exibição pública do longa acontecerá durante o 36º Cine Ceará, em Fortaleza.
Serviço
Filme: Terra Firme
Direção e roteiro: Alexandre Vale
Gênero: Drama / Ficção
Duração: 92 minutos
Estreia mundial: 36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema
Período do festival: 7 a 13 de novembro de 2026
Local das mostras competitivas: Cineteatro São Luiz, Centro de Fortaleza
Entrada: Gratuita
Data e horário específicos da sessão: A confirmar na programação detalhada do festival.
A estreia de Terra Firme leva ao público uma história sobre a construção de vínculos e a procura por um lugar de pertencimento. Uma narrativa que nasce no litoral cearense e encontra, no cinema, uma maneira de compartilhar experiências humanas que não se limitam às fronteiras do estado.




