No Dia do Professor, trajetórias de educadoras com mais de duas décadas no Colégio Antares colocam em evidência o valor da permanência e dos vínculos em um cenário nacional de dificuldade na renovação do magistério
O apagão de professores deixou de ser apenas uma preocupação projetada para o futuro da educação brasileira. Dados divulgados em 2026 mostram sinais concretos de dificuldade na renovação do quadro docente, enquanto escolas enfrentam o desafio de atrair novos profissionais e, ao mesmo tempo, preservar a experiência de quem construiu décadas de trajetória em sala de aula.
Em Fortaleza, o Colégio Antares apresenta um contraponto a esse cenário. A instituição mantém professores há mais de duas décadas no corpo docente e relata casos em que educadores que acompanharam uma geração de estudantes agora recebem os filhos de antigos alunos na escola.
A realidade ganha significado especial nesta quinta-feira, 15 de outubro, Dia do Professor. Mais do que uma história de tempo de casa, a permanência desses profissionais evidencia o papel da experiência, da memória institucional e dos vínculos construídos entre professores, estudantes e famílias.
Apagão de professores expõe desafio da renovação
A segunda edição do estudo sobre o chamado apagão docente, divulgada pelo Instituto Semesp em setembro de 2026, aponta uma mudança importante na composição do magistério do ensino médio brasileiro.
Entre 2015 e 2025, o número de professores com até 24 anos nessa etapa caiu 31,1%. No mesmo período, a quantidade de docentes com 60 anos ou mais avançou 104,5%, sinalizando dificuldade de reposição geracional. (Agência Brasil)
O problema se soma a uma projeção já conhecida no setor educacional: o Brasil pode registrar déficit de até 235 mil professores na educação básica em 2040 caso não consiga ampliar a atração, a formação e a permanência de profissionais na carreira. A estimativa foi apresentada inicialmente em 2022 e continua sendo utilizada como referência no debate nacional. (Semesp)
Nesse contexto, manter profissionais experientes também passa a integrar a discussão sobre qualidade e continuidade da educação.
Experiência que atravessa gerações
No Colégio Antares, duas trajetórias ajudam a dimensionar essa permanência. Luziane Holanda Melo Monte atua na instituição há 26 anos. Tereza Cristina Barros Costa soma 21 anos de trabalho na escola.
Ao longo desse período, as professoras acompanharam mudanças nas metodologias de ensino, no comportamento dos estudantes, nas ferramentas utilizadas em sala de aula e na própria relação entre escola e família.
Segundo a instituição, a longevidade do corpo docente produz situações em que antigos estudantes retornam ao ambiente escolar já como pais, permitindo que professores acompanhem, direta ou indiretamente, diferentes gerações de uma mesma família.
A permanência não significa ausência de transformação. Para profissionais que atravessam décadas em sala de aula, o desafio envolve justamente conciliar experiência acumulada com novas linguagens, tecnologias e demandas pedagógicas.
Vínculos também fazem parte da escola
A continuidade aparece ainda na relação das famílias com a instituição. Na unidade Seis Bocas, irmãos matriculados em diferentes etapas da educação básica ilustram essa permanência familiar no ambiente escolar.
Mais do que um elemento afetivo, a construção de vínculos ao longo do tempo pode contribuir para estabelecer referências dentro da comunidade escolar. Professores experientes passam a carregar não apenas conhecimento pedagógico, mas também parte da memória e da identidade da instituição.
Para Judson Lima, diretor-geral do Colégio Antares, a permanência dos educadores representa um patrimônio construído diariamente.
“Nosso corpo docente reúne profissionais que constroem sua trajetória junto à escola e acompanham de perto o desenvolvimento de diferentes gerações de estudantes. Essa continuidade representa um patrimônio para o Antares, porque combina experiência, compromisso com a educação e capacidade de acompanhar as transformações do ensino. Valorizar esses profissionais é reconhecer que a qualidade da formação dos alunos também passa pelas relações e pelos vínculos construídos diariamente em sala de aula”, afirma.
Em um país que discute como formar os professores das próximas décadas, histórias de profissionais que permanecem por 20 ou 30 anos na educação acrescentam outra dimensão ao debate: além de atrair novos docentes, o desafio passa também por criar condições para que experiência, conhecimento e vínculos não desapareçam das salas de aula.
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