Encontro acontece hoje na FIEC e reúne empresários, especialistas e representantes da indústria para debater oportunidades, regulação e projetos de energia eólica em alto-mar
O Ceará dá hoje mais um passo na articulação estratégica para se posicionar como um dos estados protagonistas da energia eólica offshore no Brasil. Nesta quinta-feira (18), a partir das 9h, o Sindienergia Ceará realiza uma nova edição do Café com Associados, na cobertura da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), em Fortaleza, com a apresentação oficial do Comitê de Eólica Offshore da entidade.
O encontro reúne lideranças empresariais, especialistas em energias renováveis, representantes da indústria e agentes ligados ao desenvolvimento de projetos de energia em alto-mar. A proposta é ampliar o debate sobre os caminhos da eólica offshore no Brasil, os desafios regulatórios, os impactos para a economia cearense e as oportunidades de atração de investimentos para o setor produtivo.
A programação conta com a presença do presidente do Sindienergia Ceará, Luis Carlos Queiroz, e do presidente da FIEC, Ricardo Cavalcante. A agenda técnica é conduzida pelo diretor de Geração Centralizada do Sindienergia Ceará e coordenador do Comitê de Eólica Offshore, Luiz Eduardo Moraes, que apresenta um panorama sobre o avanço da fonte no mundo, no Brasil e no Ceará.
Nova fronteira energética entra no centro da agenda industrial
A criação do Comitê de Eólica Offshore representa uma tentativa de organizar, em nível técnico e institucional, uma pauta considerada estratégica para a transição energética brasileira. O setor ganha relevância em um momento em que o país avança na construção de marcos regulatórios para o aproveitamento energético em áreas marítimas, com foco em fontes renováveis e na expansão da infraestrutura necessária para novos negócios de baixo carbono.
No Ceará, a discussão ganha força por causa da combinação entre recursos naturais, localização geográfica, infraestrutura portuária, cadeia industrial em formação e projetos associados ao hidrogênio verde. A eólica offshore é vista como uma alternativa capaz de ampliar a oferta de energia limpa em larga escala, especialmente para atender futuras demandas de plantas industriais, hubs de hidrogênio, data centers e empreendimentos intensivos em eletricidade.
Durante o evento, Luiz Eduardo Moraes também anuncia a adesão do Sindienergia Ceará à Coalizão Eólica Marinha (CEM), iniciativa nacional que reúne empresas, instituições e agentes estratégicos comprometidos com o desenvolvimento estruturado da energia eólica offshore no Brasil. A entidade passa a integrar a coalizão como Membro Impulsionador.
Comitê aproxima indústria, governo, academia e sociedade
Instituído pelo Sindienergia Ceará com apoio da FIEC, o Comitê de Eólica Offshore acompanha o desenvolvimento do setor e fortalece o debate qualificado sobre uma das principais frentes da transição energética no país.
O grupo é coordenado por Luiz Eduardo Moraes e reúne representantes da FIEC, por meio do Núcleo de Energia, associados do Sindienergia com atuação no segmento offshore e representantes do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra).
Entre os principais objetivos estão o acompanhamento do processo de regulamentação da energia eólica offshore no Brasil, a promoção de discussões técnicas, o combate à desinformação e o fortalecimento da articulação entre indústria, academia, governo e sociedade.
Segundo Luiz Eduardo Moraes, o Ceará reúne condições únicas para liderar o desenvolvimento da eólica offshore no país. Ele destaca que o estado combina recursos naturais, infraestrutura portuária, capacidade industrial e ambiente favorável à atração de investimentos.
“O desafio agora é construir uma agenda estratégica que una setor produtivo, academia, governo e sociedade para transformar esse potencial em oportunidades concretas de desenvolvimento, geração de empregos e fortalecimento da economia cearense”, afirma o coordenador do Comitê de Eólica Offshore.
Projetos pioneiros e desafios do novo mercado
A programação técnica também conta com a participação do engenheiro ambiental e especialista em energias renováveis Raoni Stefano Ceci, da BI Energia. Ele apresenta a palestra “Primeiros projetos de eólica offshore no Brasil: visão dos proprietários dos projetos”, com foco nos empreendimentos pioneiros em desenvolvimento no país e nos gargalos enfrentados para consolidar esse novo mercado.
A presença de empresas com projetos em andamento reforça a importância do evento como espaço de conexão entre planejamento energético, regulação, licenciamento ambiental e viabilidade econômica. O setor ainda depende de etapas regulatórias, estudos técnicos, avaliação ambiental, estrutura de financiamento e definição de modelos capazes de dar segurança jurídica aos investidores.
Nesse cenário, o Ceará busca consolidar uma posição estratégica. O estado já ocupa papel relevante na agenda nacional de energias renováveis e hidrogênio verde, e a eólica offshore surge como uma extensão natural desse movimento, com potencial para impulsionar novas cadeias produtivas, qualificar mão de obra e ampliar a competitividade da indústria local.
Dragão do Mar coloca o litoral cearense no mapa da eólica offshore
O encontro também conta com a palestra “Qair Brasil: Complexo Eólico Marinho Dragão do Mar”, conduzida por Vinícius Caldas, coordenador ambiental da Qair Brasil. A apresentação aborda detalhes do projeto em desenvolvimento no litoral cearense e sua contribuição para a transição energética nacional.
O Complexo Eólico Marinho Dragão do Mar é um dos projetos que colocam o Ceará no centro da discussão sobre geração de energia em alto-mar. A iniciativa está associada ao avanço da infraestrutura energética necessária para atender demandas futuras de grandes consumidores, incluindo projetos de hidrogênio verde e novas operações industriais.
A apresentação reforça a importância do licenciamento ambiental, da análise técnica e do diálogo com diferentes setores da sociedade para que os empreendimentos possam avançar de forma planejada, sustentável e compatível com outros usos do território marítimo.
Por que a eólica offshore importa para o Ceará
A energia eólica offshore é considerada uma das grandes apostas para a expansão da matriz elétrica nas próximas décadas. Ao aproveitar ventos em alto-mar, a tecnologia permite projetos de grande escala e pode complementar a geração renovável já existente em terra.
Para o Ceará, o debate vai além da geração de energia. A consolidação desse mercado pode abrir oportunidades para portos, indústria naval, engenharia, serviços ambientais, tecnologia, capacitação profissional, logística e novos negócios associados à economia do mar.
O movimento também dialoga diretamente com a estratégia de posicionamento do estado na transição energética. Ao reunir setor produtivo, governo, academia e especialistas, o Sindienergia Ceará busca criar uma agenda de longo prazo capaz de transformar potencial natural em desenvolvimento econômico, inovação e geração de empregos.
Serviço
Café com Associados: Apresentação do Comitê de Eólica Offshore do Sindienergia Ceará
Data: 18 de junho
Horário: 9h
Local: Salão Aberto, cobertura da FIEC
Endereço: Av. Barão de Studart, 1980, Aldeota, Fortaleza (CE)
Programação
9h: Abertura institucional
Luis Carlos Queiroz, presidente do Sindienergia Ceará
Ricardo Cavalcante, presidente da FIEC
Eólica Offshore no mundo, no Brasil e no Ceará
Luiz Eduardo Moraes, diretor de Geração Centralizada do Sindienergia Ceará e coordenador do Comitê de Eólica Offshore
Primeiros projetos de eólica offshore no Brasil: visão dos proprietários dos projetos
Raoni Stefano Ceci, engenheiro ambiental e especialista em energias renováveis da BI Energia
Qair Brasil: Complexo Eólico Marinho Dragão do Mar
Vinícius Caldas, coordenador ambiental da Qair Brasil
Debate com os participantes
Encerramento e networking
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