Julho Amarelo reforça a importância da testagem, da vacinação e do acompanhamento médico para evitar complicações como cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplante
As hepatites virais voltam ao centro do debate em saúde pública durante o Julho Amarelo, campanha nacional dedicada à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento dessas infecções que atingem o fígado. Conhecidas pelo comportamento silencioso, elas podem permanecer por anos sem sintomas e, quando não identificadas a tempo, evoluir para quadros graves como cirrose, insuficiência hepática, câncer de fígado e necessidade de transplante.
Dados mais recentes do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o Brasil registrou 826.292 casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024. Desse total, 41,5% foram de hepatite C e 36,6% de hepatite B. No mesmo período, entre os óbitos por hepatites virais dos tipos A, B, C e D, 75,3% estiveram relacionados à hepatite C e 22% à hepatite B, reforçando o peso dessas duas formas da doença no cenário nacional.

O maior desafio está no fato de que muitas pessoas só descobrem a doença quando o fígado já apresenta comprometimento importante. A ausência de sintomas nas fases iniciais faz com que o paciente não procure atendimento, permitindo que o processo inflamatório avance de forma lenta e contínua.
As hepatites A, B, C, D e E têm formas diferentes de transmissão e evolução. A hepatite A está mais relacionada ao contato fecal-oral, especialmente em contextos de saneamento básico inadequado, higiene precária e consumo de água ou alimentos contaminados. Já a hepatite B pode ser transmitida por via sexual, pelo contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
A hepatite C, por sua vez, tem como principal preocupação a possibilidade de cronificação e evolução silenciosa. O Ministério da Saúde informa que as hepatites B, C e D frequentemente podem se tornar crônicas e, por não apresentarem sintomas em muitos casos, uma parte significativa das pessoas desconhece a infecção. Esse atraso no diagnóstico favorece o avanço da fibrose, da cirrose e de outras complicações hepáticas.
Entre os sinais que podem surgir nas fases mais avançadas estão cansaço intenso, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes claras, além de pele e olhos amarelados. De acordo com o especialista da Rede Oto, esperar o aparecimento desses sintomas pode significar perder uma janela importante de tratamento e prevenção de danos irreversíveis.
A principal recomendação é incluir a testagem na rotina de cuidados. Os testes rápidos para hepatites B e C estão disponíveis no SUS e podem detectar a infecção de forma simples e segura. Para a hepatite B, a vacinação é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente para pessoas não vacinadas. Já a hepatite C não possui vacina, mas tem tratamento com antivirais de ação direta, com taxas de cura superiores a 95%, geralmente em esquemas de 12 ou 24 semanas.
No Julho Amarelo, o alerta é direto: quem nunca fez o teste deve procurar uma unidade de saúde ou avaliação médica, especialmente pessoas que já passaram por transfusão de sangue antes da triagem obrigatória, realizaram procedimentos com materiais perfurocortantes sem segurança, compartilharam objetos de uso pessoal ou tiveram exposição sexual sem proteção.
Serviço
Campanha: Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais
Onde fazer o teste: Unidades básicas de saúde e serviços de saúde habilitados
Prevenção: vacinação contra hepatite B, uso de preservativo, não compartilhamento de objetos perfurocortantes e atenção a materiais esterilizados em procedimentos
Atenção: em caso de sintomas ou histórico de exposição, procure atendimento médico para avaliação e exames





