Especialistas alertam que a prevenção permite identificar precocemente doenças urológicas, alterações hormonais e problemas que podem comprometer a capacidade reprodutiva masculina
Muitos homens ainda procuram atendimento médico apenas quando surgem sintomas, como dores, alterações urinárias, dificuldades na vida sexual ou problemas para engravidar. O hábito de adiar consultas preventivas pode atrasar o diagnóstico de doenças, reduzir as possibilidades de tratamento e comprometer até mesmo a fertilidade masculina.
Enquanto as mulheres costumam criar uma rotina de acompanhamento médico desde cedo, a saúde preventiva ainda não faz parte da realidade de grande parte da população masculina. Esse comportamento ajuda a explicar um cenário preocupante. Dados do Ministério da Saúde indicam que os homens brasileiros vivem, em média, cerca de sete anos a menos que as mulheres e apresentam maior risco de desenvolver e morrer por doenças crônicas, em parte devido à baixa adesão às consultas preventivas.
Diagnóstico precoce faz diferença
Segundo o andrologista e urologista Dr. Bruno Hallan, a resistência em procurar atendimento antes do aparecimento dos sintomas ainda representa um dos principais desafios da saúde masculina.
“O homem foi culturalmente ensinado a procurar o médico apenas quando existe um problema. Isso faz com que muitas doenças sejam descobertas tardiamente. A consulta preventiva não serve apenas para identificar doenças, mas para preservar a saúde sexual, hormonal e reprodutiva ao longo da vida.”
Além da detecção precoce de doenças urológicas, as consultas periódicas permitem identificar alterações que podem comprometer a fertilidade, como varicocele, distúrbios hormonais, infecções, alterações na produção de espermatozoides e fatores relacionados ao estilo de vida, incluindo obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso de anabolizantes.
Quando identificadas precocemente, muitas dessas condições podem ser tratadas ou controladas, reduzindo impactos sobre a saúde reprodutiva e aumentando as chances de uma futura paternidade.
Fator masculino está presente em até metade dos casos de infertilidade
O acompanhamento preventivo também ganha importância porque estudos apontam que o fator masculino está presente em aproximadamente 30% a 50% dos casos de infertilidade conjugal. Apesar disso, ainda é comum que a investigação inicial seja direcionada apenas à mulher.
De acordo com o ginecologista especialista em reprodução humana Dr. Evangelista Torquato, essa situação é frequente nos consultórios.
“Recebemos muitas pacientes preocupadas porque não conseguem engravidar e, durante a investigação, descobrimos que o fator masculino também está presente. Muitas dessas alterações poderiam ter sido identificadas e tratadas anos antes, se esses homens realizassem consultas periódicas com um urologista ou andrologista. A prevenção também é um cuidado com a fertilidade e pode evitar que o casal só descubra um problema quando já está tentando ter filhos.”
Saúde masculina vai além da próstata
Os especialistas reforçam que o cuidado com a saúde do homem não deve se limitar à prevenção do câncer de próstata. O acompanhamento médico regular contribui para o diagnóstico precoce de diversas doenças, preserva a saúde sexual, hormonal e reprodutiva e amplia as possibilidades de tratamento, proporcionando mais qualidade de vida em todas as fases da vida.
Serviço
Tema: Saúde masculina e prevenção da infertilidade
Especialistas: Dr. Bruno Hallan, andrologista e urologista, e Dr. Evangelista Torquato, ginecologista especialista em reprodução humana.
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