Entidade cobra regularização dos pagamentos, reforço da segurança e melhorias nas condições de trabalho em unidades de saúde da capital.
A situação enfrentada pelos médicos que atuam na rede pública de urgência e emergência de Fortaleza tem acendido um alerta entre profissionais da saúde e representantes da categoria. Atrasos salariais recorrentes, falta de estrutura adequada para os atendimentos, escassez de insumos e sobrecarga de trabalho estão entre os problemas denunciados pelo Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), que cobra providências urgentes para evitar prejuízos ainda maiores à assistência prestada à população.
Nos últimos meses, a entidade recebeu uma série de denúncias envolvendo unidades de saúde da capital. Entre os casos mais recentes estão os atrasos nos pagamentos de médicos que atuam nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros Vila Velha, Bom Jardim e Cristo Redentor, administradas pela organização social Viva Rio.
Segundo o sindicato, os pagamentos referentes ao mês de junho seguem pendentes. Diante da situação, o Simec encaminhou ofício à administração da empresa solicitando esclarecimentos e a regularização dos repasses.
Atrasos salariais preocupam categoria
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do Ceará, Dr. Edmar Fernandes, a falta de previsibilidade nos pagamentos compromete a estabilidade financeira dos profissionais e pode refletir no funcionamento dos serviços de saúde.
“Quando o médico não sabe quando irá receber pelo trabalho realizado, sua organização financeira é comprometida. Isso gera desmotivação e cria um ambiente de instabilidade que pode refletir na qualidade da assistência oferecida à população”, afirma.
Insegurança e problemas estruturais agravam cenário
Além das questões financeiras, o sindicato também denuncia condições precárias de trabalho nas unidades de saúde.
Em denúncia anterior, médicos do Posto de Saúde João Medeiros de Lima, no bairro Vila Velha, relataram episódios frequentes de violência, ameaças e agressões envolvendo pacientes, além da ausência de segurança permanente.
Segundo os relatos encaminhados ao Simec, algumas ocorrências exigiram a intervenção da Polícia Militar. Profissionais e usuários convivem diariamente com um ambiente considerado inseguro, e parte dos trabalhadores precisou de afastamento temporário devido aos impactos psicológicos causados pelos episódios.
Outro problema apontado envolve a estrutura da unidade. Uma impressora utilizada durante os atendimentos médicos estaria sem funcionar há cerca de um mês, obrigando os profissionais a utilizarem equipamentos de outras salas para emitir receitas e documentos, situação que compromete o fluxo de atendimento e a privacidade dos pacientes.
Sobrecarga de profissionais afeta atendimento
A entidade também destaca a insuficiência de profissionais para atender à demanda da população.
Segundo relatos dos médicos, o número reduzido de equipes faz com que atendimentos sejam realizados sem o suporte adequado da enfermagem. Em algumas unidades, a procura por consultas é tão elevada que já não há disponibilidade de vagas para atendimentos eletivos até o próximo ano.
Para o Sindicato dos Médicos, o conjunto de problemas evidencia uma crise que ultrapassa questões administrativas e financeiras, comprometendo diretamente a capacidade de atendimento da rede pública de saúde.
“A manutenção de profissionais de saúde em ambiente inseguro, sem estrutura mínima e sob sobrecarga permanente compromete não apenas a saúde e a dignidade dos trabalhadores, mas também a qualidade da assistência prestada à população”, destaca Dr. Edmar Fernandes.
Sindicato cobra providências
O Simec informou que continuará acompanhando os casos e cobrando respostas dos gestores responsáveis.
Entre as principais reivindicações da entidade estão:
- Regularização imediata dos pagamentos atrasados.
- Reforço da segurança nas unidades de saúde.
- Reposição de profissionais.
- Garantia de insumos e equipamentos em pleno funcionamento.
- Maior fiscalização dos contratos firmados com as organizações responsáveis pela gestão das unidades.
Enquanto as medidas não são implementadas, médicos e pacientes seguem enfrentando uma rotina marcada por dificuldades operacionais, insegurança e incertezas que, segundo o sindicato, colocam em risco o funcionamento de uma das principais portas de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS) em Fortaleza.
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