Empresa brasileira desenvolve uma arquitetura tecnológica capaz de sustentar diferentes aplicações e escolhe Eindhoven, um dos principais ecossistemas de inovação da Europa, para ampliar sua atuação internacional
A inteligência artificial avança para uma nova etapa no mercado corporativo, em que o desafio deixa de ser apenas adotar ferramentas prontas e passa a envolver a construção de estruturas capazes de resolver problemas específicos, integrar sistemas e gerar aplicações em diferentes setores. É nesse espaço que a brasileira Cachola Tech busca se posicionar.
Criada pelo engenheiro eletricista Jardhel Martins Cachola, formado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a empresa combina inteligência artificial, engenharia de dados, automação, processamento de sinais e integração de sistemas para desenvolver tecnologias que possam ser reaproveitadas em diferentes projetos.
A estratégia se distancia da lógica de criar uma solução completamente nova para cada demanda. Na Cachola Tech, componentes tecnológicos desenvolvidos anteriormente podem integrar uma base comum e servir como ponto de partida para outras aplicações.
Essa capacidade de reutilização é um dos ativos centrais do negócio e sustenta a intenção da companhia de atuar em diferentes mercados sem ficar dependente de um único produto.
“Mais do que vender um software pronto, queremos colocar a nossa cachola para funcionar. O cliente traz um problema complexo e nós buscamos a melhor combinação de tecnologias para resolvê-lo”, afirma Jardhel.
Batiste concentra estratégia tecnológica
Entre os projetos que materializam essa proposta está o Batiste, infraestrutura desenvolvida pela Cachola Tech para servir como base de aplicações baseadas em agentes de inteligência artificial.
A tecnologia trabalha com uma arquitetura voltada à execução e à rastreabilidade das operações realizadas por esses agentes. A proposta é permitir que diferentes produtos sejam construídos sobre uma estrutura compartilhada, reduzindo a necessidade de começar cada desenvolvimento do zero.
O modelo também amplia a importância da auditabilidade em aplicações de IA. À medida que sistemas automatizados passam a participar de decisões empresariais, cresce a necessidade de registrar como determinadas operações foram executadas, quais dados foram utilizados e quais ações ocorreram durante o processo.
A Cachola Tech já mantém projetos em diferentes estágios de desenvolvimento. O portfólio público inclui aplicações relacionadas a previsão meteorológica, engenharia aplicada ao automobilismo e outras soluções construídas sobre sua infraestrutura tecnológica.
A empresa também trabalha com conceitos e protótipos voltados a segmentos como saúde, segurança, produtividade e automação.
Experiência do fundador molda modelo
A característica multidisciplinar da companhia acompanha a trajetória profissional de Jardhel Cachola.
Antes de empreender, o engenheiro acumulou experiência em processamento de sinais, radares, integração de sistemas e engenharia de dados e inteligência artificial, com passagens por projetos no Brasil e na Europa.
A formação técnica ajuda a explicar uma das premissas adotadas pela empresa: inteligência artificial não precisa ser obrigatoriamente a solução para todos os problemas.
“O que nos interessa não é usar inteligência artificial simplesmente porque ela está em evidência. A pergunta é: existe um problema real aqui? E como podemos usar IA, dados, engenharia ou automação para resolvê-lo de uma maneira melhor?”, afirma.
Essa lógica deu origem ao que o fundador define como uma “garagem de soluções”, na qual diferentes componentes, conhecimentos e propriedades intelectuais podem ser combinados de acordo com cada desafio.
Eindhoven entra na estratégia internacional
O próximo movimento da Cachola Tech está direcionado à Europa. A empresa pretende ampliar sua presença em Eindhoven, na Holanda, região onde Jardhel já possui experiência profissional.
A localização coloca a companhia dentro do ecossistema Brainport Eindhoven, que concentra milhares de empresas e organizações de tecnologia e reúne iniciativas ligadas a inteligência artificial, indústria de alta tecnologia, mobilidade e MedTech.
O ambiente também mantém uma estrutura específica para acelerar projetos de inteligência artificial e conectar empresas, instituições de conhecimento, organizações públicas, startups e scale-ups.
Para a Cachola Tech, a presença no ecossistema europeu pode funcionar como plataforma para novas parcerias, desenvolvimento de propriedade intelectual e aproximação com empresas interessadas em aplicações empresariais de IA.
A expansão deverá ocorrer paralelamente ao crescimento da equipe e à criação de novos produtos. A companhia, entretanto, ainda não divulgou cronograma detalhado para essa ampliação nem números de faturamento ou carteira de clientes.
“A tecnologia muda muito rápido. Por isso, não queremos ser definidos por um único produto. A Cachola existe para entender problemas e construir soluções. No fim, nossa principal tecnologia continua sendo a capacidade de pensar”, diz Jardhel.
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