Popularização de medicamentos injetáveis usados no tratamento de diabetes e obesidade aumenta preocupação com agulhas e dispositivos descartados no lixo comum ou reciclável
A popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, usadas em tratamentos relacionados a diabetes e obesidade, trouxe uma nova preocupação para a cadeia da reciclagem no Brasil. O descarte incorreto de dispositivos com agulhas no lixo comum ou reciclável tem colocado em risco catadores, catadoras e profissionais que atuam diariamente na separação de resíduos em cooperativas e centrais de triagem.
O alerta é da Prolata Reciclagem, entidade gestora de logística reversa de latas de aço, que chama atenção para um problema cada vez mais presente fora dos ambientes de saúde. Antes mais concentradas em hospitais, clínicas, farmácias e outros estabelecimentos com protocolos específicos de descarte, as medicações injetáveis passaram a fazer parte da rotina doméstica de milhares de brasileiros, ampliando o risco de descarte inadequado.
Na prática, uma agulha misturada a latas, papelão, plástico, vidro ou outros materiais recicláveis pode provocar ferimentos durante a triagem manual. Além da lesão física, há risco de contaminação por doenças transmitidas pelo sangue, como hepatites e HIV, o que transforma um erro doméstico aparentemente simples em uma ameaça direta à saúde de trabalhadores da reciclagem.
Expansão do uso aumenta responsabilidade no descarte
O crescimento do uso desses medicamentos ajuda a explicar a urgência do alerta. Pesquisa do Instituto Locomotiva apontou que 62% dos brasileiros afirmam conhecer alguém que usa ou já usou medicamentos injetáveis destinados ao tratamento de diabetes e obesidade. O levantamento também indicou que, em um a cada três domicílios, há pelo menos um morador que utiliza ou já utilizou esse tipo de medicação.
Para a Prolata, o avanço do uso doméstico exige mais informação ao consumidor. A entidade reforça que canetas, seringas, agulhas e resíduos de medicamentos não devem ser descartados junto ao lixo reciclável, justamente porque esses materiais seguem para uma cadeia formada por profissionais que manipulam resíduos manualmente.
“As medicações injetáveis sempre existiram, mas, na maior parte das vezes, eram utilizadas em hospitais, clínicas, farmácias ou outros estabelecimentos de saúde, que têm um sistema correto de descarte de agulhas e seringas. Com a febre das chamadas ‘canetas emagrecedoras’, esses dispositivos chegaram às residências e estão sendo descartados indevidamente no lixo orgânico ou no reciclável, colocando em risco todos os profissionais que lidam com resíduos”, alerta Thais Fagury, presidente executiva da Associação Prolata Reciclagem.
A entidade apoia mais de 1.200 catadores em todo o país, inclusive com fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual. Ainda assim, a proteção individual não elimina os riscos quando materiais perfurocortantes chegam de forma indevida às cooperativas.
Risco também é ambiental
O descarte inadequado não representa apenas ameaça aos trabalhadores. Resíduos de medicamentos e dispositivos contaminados também podem causar impactos ambientais quando vão parar no solo, na água ou em aterros sem a destinação adequada.
Thais Fagury reforça que a separação correta é uma responsabilidade compartilhada entre consumidores, poder público, fabricantes, farmácias e toda a cadeia envolvida na gestão de resíduos.
“Resíduos de medicamentos podem atingir o solo e a água e provocar sérios danos ambientais e sanitários”, destaca.
Como descartar corretamente canetas e agulhas
A orientação principal é simples: agulhas e canetas nunca devem ser descartadas no lixo comum, no lixo orgânico ou no reciclável. Esses materiais precisam seguir fluxos específicos de descarte, de acordo com sua composição e risco sanitário.
As agulhas devem ser retiradas das canetas e acondicionadas em coletores apropriados para materiais perfurocortantes, que podem ser adquiridos em farmácias. Na falta de orientação específica do município, o consumidor deve buscar informações junto à Unidade Básica de Saúde mais próxima ou à prefeitura local sobre o ponto correto de entrega.
As canetas devem estar sem agulhas antes de qualquer destinação. No caso de dispositivos fabricados pela Novo Nordisk, o programa Reciclaneta recebe canetas usadas em pontos de entrega voluntária participantes. A própria empresa informa que o programa é voltado especificamente às canetas de sua fabricação.
Já medicamentos vencidos, sobras de medicamentos, embalagens primárias contaminadas e outros resíduos farmacêuticos devem ser encaminhados a pontos de coleta especializados, como farmácias, unidades de saúde e programas de logística reversa disponíveis em cada cidade.
Informação evita acidentes
Para a Prolata, o avanço da reciclagem no país depende também da educação ambiental da população. Separar corretamente os resíduos em casa é uma atitude que protege o meio ambiente, melhora a eficiência da reciclagem e preserva a saúde de quem trabalha na linha de frente da coleta e da triagem.
No caso das canetas injetáveis, a atenção precisa ser redobrada. O material plástico pode até parecer reciclável, mas, quando associado a agulhas ou resíduos de medicamentos, passa a exigir destinação específica. O alerta é direto: não basta separar o lixo; é preciso separar corretamente.
Serviço
Como descartar canetas e agulhas usadas
Agulhas: retire da caneta e armazene em coletor próprio para materiais perfurocortantes. Depois, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima ou a orientação da prefeitura local.
Canetas: descarte sempre sem agulha. Canetas fabricadas pela Novo Nordisk podem ser destinadas aos pontos participantes do programa Reciclaneta.
Medicamentos vencidos ou em desuso: devem ser levados a pontos de coleta especializados, como farmácias, unidades de saúde ou programas de logística reversa de medicamentos.
Onde consultar: programas como Reciclaneta, LogMed, Descarte Consciente, ReciclaSampa e os canais das prefeituras podem indicar pontos de coleta disponíveis.
Siga o @feedfortal no Instagram.





