PeNSE 2024 mostra baixo nível de atividade física entre adolescentes, enquanto estudos associam maior tempo de tela ao risco de dor lombar
A dor na coluna não é uma queixa exclusiva de pessoas mais velhas. Entre adolescentes e adultos jovens, longos períodos diante de computadores e celulares, pouco movimento ao longo do dia e níveis insuficientes de atividade física aparecem entre os fatores que merecem atenção quando o assunto é saúde musculoesquelética.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 58,4% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos foram classificados como insuficientemente ativos e 9,7% como inativos. Apenas 30,6% atingiram o nível usado pela pesquisa para classificação como fisicamente ativos. (agenciadenoticias.ibge.gov.br)
O cenário ajuda a ampliar a discussão sobre o espaço ocupado pelo movimento na rotina dos jovens. Para a fisioterapeuta e sócia do Instituto Movis, Nívia Paula, o problema não deve ser reduzido à busca por uma única “postura correta”.
“Não existe uma única postura responsável por todas as dores. O que precisamos observar é o comportamento ao longo do dia. Permanecer muitas horas sentado, usar o celular com a cabeça inclinada e passar longos períodos sem se movimentar podem aumentar a sobrecarga sobre determinadas estruturas. Por isso, variar as posições e manter o corpo ativo são medidas importantes”, explica.
Tempo de tela e dor lombar
Pesquisas científicas apontam uma associação entre maior exposição às telas e dor lombar entre crianças e adolescentes, embora isso não signifique que o uso de dispositivos, isoladamente, seja a causa da dor.
Uma meta-análise publicada no Environmental Health and Preventive Medicine reuniu estudos com jovens de 11 a 19 anos e encontrou associação entre maior tempo diário de computador, celular e televisão e maior ocorrência de dor lombar. Na análise específica sobre computador, com 57.831 participantes, cada hora adicional de uso diário esteve associada a um aumento de 8,2% no risco observado de dor lombar. Os próprios autores ressaltam diferenças metodológicas entre os estudos incluídos, o que exige cautela na interpretação dos resultados. (J-STAGE)
A Organização Mundial da Saúde também recomenda que crianças e adolescentes limitem o tempo em comportamento sedentário, especialmente o tempo recreativo diante de telas, além de manterem atividade física regular. (Organização Mundial da Saúde)
Movimento precisa fazer parte do dia
Com computadores e celulares incorporados aos estudos, ao trabalho e ao lazer, a atenção passa também pela forma como esses períodos são distribuídos.
“Precisamos pensar no movimento como parte da rotina, e não apenas como algo que acontece durante uma hora de exercício. Levantar ao longo do dia, caminhar, alternar posições e ajustar o ambiente de estudo ou trabalho são atitudes simples que ajudam a reduzir o tempo em uma mesma postura”, reforça Nívia Paula.
A prevenção também envolve fortalecimento muscular e manutenção da mobilidade. Exercícios podem ser adaptados à idade, ao condicionamento físico e às características individuais. Quando a dor já existe, uma avaliação profissional ajuda a investigar fatores associados e definir a conduta adequada.
Quando a dor merece atenção
Outro cuidado é evitar a normalização de sintomas persistentes. Dor recorrente, limitação de movimentos, formigamento ou desconforto capaz de interferir no sono, nos estudos, no trabalho ou na prática esportiva são sinais que justificam avaliação profissional.
“Sentir dor não significa necessariamente que exista uma lesão grave, mas também não é algo que deve ser simplesmente normalizado. Quando o sintoma persiste ou começa a interferir na rotina, é importante investigar a causa. Quanto mais cedo entendemos o que está acontecendo, maiores são as possibilidades de orientar o paciente de maneira adequada”, afirma a fisioterapeuta.
Na fisioterapia, o cuidado pode envolver exercícios terapêuticos individualizados, fortalecimento, mobilidade, terapia manual e outras estratégias escolhidas após avaliação.
Para os jovens, a orientação é abrir mais espaço para movimento no cotidiano, interromper períodos prolongados na mesma posição, manter atividade física regular e buscar avaliação quando a dor persistir.
“A coluna acompanha todas as fases da vida e os cuidados com ela também podem começar cedo”, destaca Nívia Paula.
Serviço
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