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FOMO: medo de ficar de fora pode afetar autoestima, sono e qualidade de vida

A FOMO, conhecida como medo de ficar de fora, pode favorecer comparações constantes nas redes sociais e interferir na autoestima, no sono e na qualidade de vida. Psicóloga explica os sinais de alerta e como estabelecer uma relação mais saudável com o ambiente digital.
@feedfortal 31 de agosto de 2026 5 minutes read
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Psicóloga alerta que necessidade constante de acompanhar o que outras pessoas fazem nas redes sociais pode aumentar comparações, ansiedade e insatisfação com a própria rotina

Uma viagem, uma festa para a qual não houve convite, o encontro dos amigos, uma conquista profissional ou uma rotina aparentemente perfeita. Bastam alguns minutos nas redes sociais para surgir a impressão de que outras pessoas estão aproveitando mais a vida. Essa sensação pode estar relacionada à FOMO, sigla em inglês para Fear of Missing Out, expressão que significa “medo de ficar de fora” ou de estar perdendo alguma coisa.

A FOMO ganhou espaço nas discussões sobre comportamento na era digital e está relacionada à preocupação de não participar de experiências consideradas interessantes ou gratificantes e à necessidade de permanecer constantemente conectado ao que outras pessoas estão fazendo.

Segundo a psicóloga da Hapvida Verônica Lima, a FOMO não é uma doença nem representa, isoladamente, um diagnóstico clínico, mas pode provocar sofrimento e interferir na rotina quando se torna intensa.

“É aquela sensação de que as outras pessoas estão vivendo experiências melhores ou mais interessantes. Isso pode provocar ansiedade, insatisfação e uma necessidade excessiva de acompanhar o que os outros estão fazendo”, explica.

Redes sociais podem aumentar as comparações

As redes sociais podem intensificar essa percepção porque grande parte do conteúdo publicado representa uma seleção de momentos positivos. Viagens, festas, conquistas profissionais, relacionamentos, corpos considerados ideais e experiências especiais aparecem com frequência nas telas, enquanto dificuldades e problemas do cotidiano costumam ter menos visibilidade.

A exposição repetida a esses recortes pode favorecer comparações e contribuir para que uma pessoa desenvolva uma percepção mais negativa sobre a própria rotina.

“Quando comparamos a nossa vida inteira com os melhores momentos que alguém escolheu publicar, essa comparação torna-se injusta. A pessoa pode começar a acreditar que está ficando para trás ou que sua vida não é suficientemente interessante, mesmo que aquilo que é apresentado nas redes seja apenas uma pequena parte da realidade do outro”, afirma Verônica.

Além da insatisfação, a comparação constante pode atingir a autoestima. A atenção deixa de estar concentrada nas próprias experiências e passa a ser direcionada para aquilo que outras pessoas aparentam possuir, fazer ou conquistar.

Quando o medo de ficar de fora afeta a rotina

O sinal de alerta aparece principalmente quando a necessidade de acompanhar o que acontece nas redes começa a interferir no cotidiano.

Ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, frustração, baixa autoestima e sensação de inadequação estão entre as manifestações que podem surgir ou ser intensificadas nesse contexto, segundo a psicóloga.

O sono também pode ser prejudicado quando o uso do celular se prolonga durante a noite. Permanecer conectado próximo ao horário de dormir pode dificultar o descanso adequado e contribuir para cansaço e sonolência no dia seguinte.

A ansiedade associada à necessidade permanente de acompanhar notificações, publicações e atualizações também pode vir acompanhada de manifestações físicas, como tensão muscular, dores de cabeça, palpitações e desconfortos gastrointestinais.

Outro comportamento que merece atenção ocorre quando a pessoa encontra dificuldade para aproveitar aquilo que está vivendo. Mesmo durante uma confraternização, um encontro familiar ou um período de descanso, por exemplo, permanece verificando o celular para descobrir o que está acontecendo em outros lugares.

“É importante observar quando estar conectado deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade que gera angústia. Conferir o celular repetidamente, sentir ansiedade quando não consegue acessar as redes ou perceber prejuízos no sono, nos relacionamentos, no trabalho ou nos estudos são sinais que merecem atenção”, orienta Verônica.

Como reduzir a FOMO

Reduzir os efeitos da FOMO não significa necessariamente abandonar as redes sociais. Algumas mudanças de comportamento podem ajudar a estabelecer uma relação mais equilibrada com o ambiente digital.

Entre as estratégias sugeridas pela psicóloga estão estabelecer períodos longe das telas, evitar o celular próximo ao horário de dormir, silenciar notificações desnecessárias e diminuir a exposição a perfis ou conteúdos que provocam comparações negativas.

Fortalecer experiências fora do ambiente digital também é importante. Atividades presenciais, momentos de lazer, convivência com familiares e amigos e períodos sem necessidade de registrar ou acompanhar tudo pelas redes podem ajudar a direcionar a atenção novamente para o presente.

Também é necessário considerar que aquilo que aparece nas plataformas digitais representa apenas uma parcela da vida das pessoas.

“Não precisamos participar nem saber de tudo ou estar disponíveis o tempo inteiro. É importante reconhecer os próprios limites e entender que não estar em determinado lugar ou não acompanhar tudo o que acontece não significa estar perdendo algo”, completa a psicóloga.

Quando a necessidade de permanecer conectado passa a provocar sofrimento frequente ou prejuízos no sono, nos relacionamentos, nos estudos, no trabalho ou em outras áreas da vida, buscar orientação de um profissional de saúde mental pode ajudar a compreender o comportamento e estabelecer estratégias para lidar com ele.

Serviço

Orientação: pessoas que perceberem sofrimento frequente ou prejuízos na rotina relacionados à ansiedade, ao uso das redes sociais ou à necessidade constante de permanecer conectadas podem procurar acompanhamento de um profissional de saúde mental.

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