4ª edição do Mulheres Mercosul–União Europeia reuniu empresárias e especialistas na FIEC para discutir exportação, internacionalização e os caminhos que se abrem com a aproximação comercial entre os dois blocos.
Fortaleza voltou ao centro de uma discussão que ganha peso para empresas cearenses: como transformar a aproximação entre Mercosul e União Europeia em acesso efetivo a novos mercados.
Realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), a quarta edição do Fórum Mulheres Mercosul–União Europeia reuniu empresárias, empreendedoras, especialistas e representantes de instituições ligadas ao comércio exterior. O encontro registrou 205 mulheres inscritas e marcou a segunda realização do Fórum na capital cearense.
Promovida pelo Clube de Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa, a programação colocou a internacionalização no centro do debate. Exportar, preparar empresas para mercados externos, compreender exigências internacionais e ampliar a participação feminina no comércio exterior estiveram entre os principais assuntos.
O evento ocorre em um contexto relevante para o Ceará. A própria FIEC destacou durante o Fórum que a aproximação comercial entre Mercosul e União Europeia pode impulsionar exportações locais, ao mesmo tempo em que exigirá adequações das empresas interessadas em competir no mercado europeu.
O acordo entra na rotina das empresas
Um dos principais debates foi justamente sobre as oportunidades e os desafios relacionados ao acordo entre Mercosul e União Europeia.
No painel dedicado ao tema, representantes da FIEC, Sebrae Ceará e Ministério da Agricultura e Pecuária discutiram os caminhos para empresas brasileiras interessadas em ampliar sua presença internacional.
Para pequenos e médios negócios, a internacionalização envolve etapas que começam antes da primeira venda ao exterior. Adequação de produtos, certificações, capacidade produtiva, logística, formação de preços, planejamento financeiro e conhecimento das regras do mercado de destino fazem parte desse processo.
A discussão ganha dimensão especialmente no Ceará, estado com posição geográfica estratégica em relação à Europa e uma economia exportadora que reúne segmentos como frutas, pescados, calçados, indústria, agronegócio e energias.
Nesse cenário, a questão apresentada pelo Fórum foi prática: como preparar empresas, inclusive negócios comandados por mulheres, para acessar essas oportunidades?
Mulheres ainda buscam ampliar espaço no comércio exterior
A presença feminina nos negócios internacionais também ganhou um painel específico.
Com o tema “Lente de Gênero: Mulheres no Comércio Internacional”, o encontro discutiu acesso a oportunidades, liderança e participação feminina nos ambientes em que decisões econômicas são tomadas.
Participaram Fátima Bandeira, secretária da Mulher de Fortaleza; Eliane Brasil, superintendente do Banco do Nordeste; e Cristiane Lepiane, fundadora e CEO da Relnove. A mediação ficou com a jornalista e empresária Raysa Rídia.
A discussão deslocou o empreendedorismo feminino de uma abordagem exclusivamente local para um ambiente de negócios que envolve exportação, financiamento, formação de redes e entrada em novos mercados.
Esse é também um dos objetivos declarados do Clube de Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa, organização que mantém atuação internacional e reúne participantes de diferentes países.
Agroexportação também entrou no debate
O terceiro eixo da programação aproximou o Fórum do setor agroexportador.
A Caravana do Agroexportador reuniu representantes ligados ao Ministério da Agricultura e Pecuária, diplomacia, produção e desenvolvimento de negócios para apresentar experiências e informações relacionadas à exportação.
Participaram Ana Lúcia Oliveira, do Ministério da Agricultura e Pecuária; Juçara Duarte, adida agrícola em Buenos Aires; a produtora Dina Pereira; Paulo Baroukh, diretor de Novos Negócios do Clube; e Bruno Graça Simões, chefe do Setor Econômico da Embaixada do Brasil em Lisboa.
A inclusão do agronegócio amplia o alcance da discussão porque parte importante da relação comercial brasileira com mercados externos está associada à produção agropecuária e de alimentos.
Para empresas interessadas em exportar, entretanto, identificar demanda internacional é apenas uma parte do processo. Requisitos sanitários, rastreabilidade, padrões técnicos, logística e capacidade de fornecimento podem determinar a entrada e a permanência em mercados estrangeiros.
Fortaleza recebe o Fórum pela segunda vez
A realização de 2026 também consolida Fortaleza na trajetória recente do projeto.
As primeiras três edições foram realizadas em 2025, passando por Lisboa, Brasília e Fortaleza e reunindo, segundo a organização, cerca de 300 empresárias. A capital cearense recebeu a terceira edição em dezembro daquele ano, também na FIEC.
Agora, o encontro retornou à cidade em sua quarta edição.
A presidente e fundadora do Clube de Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa, Rijarda Aristóteles, relacionou o crescimento do encontro ao interesse das participantes em ampliar sua atuação para outros mercados.
Além dos painéis, a programação abriu espaço para networking e aproximação entre empresárias de diferentes segmentos, um componente importante em processos de internacionalização nos quais fornecedores, compradores, instituições financeiras e organizações de apoio costumam formar uma rede necessária para viabilizar novos negócios.
Da conexão à internacionalização
O ponto central deixado pelo encontro está justamente na distância entre querer exportar e estar preparado para exportar.
A abertura de mercados pode criar novas possibilidades comerciais, mas não transforma automaticamente empresas brasileiras em exportadoras. Competitividade, conhecimento técnico, planejamento e adaptação às exigências internacionais continuam determinantes.
Ao reunir em Fortaleza empresárias, representantes institucionais e profissionais ligados à cadeia exportadora, o Fórum colocou essa preparação no centro da conversa.
Para as mulheres que lideram negócios, a discussão acrescenta outra dimensão: ocupar também os espaços onde as relações comerciais internacionais são construídas.
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