Pesquisa mostra que 46% dos síndicos brasileiros já atuam profissionalmente e 72% buscaram cursos específicos de qualificação
A gestão condominial passa por um processo de profissionalização que amplia a exigência por conhecimento técnico, planejamento e capacidade de tomada de decisão. Com empreendimentos maiores e operações cada vez mais complexas, administrar um condomínio deixou de envolver apenas questões rotineiras e passou a demandar domínio de finanças, manutenção, segurança, legislação, contratos, gestão de pessoas e acompanhamento de obras.
O movimento aparece também no perfil de quem ocupa a função. Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha para o Grupo Superlógica apontou que 46% dos síndicos entrevistados já exerciam a atividade profissionalmente e viviam exclusivamente dessa renda. Outros 72% haviam buscado cursos específicos para se qualificar.
Responsabilidade vai além da rotina
A própria legislação ajuda a dimensionar o alcance da função. O Código Civil atribui ao síndico responsabilidades como representar o condomínio, cumprir a convenção e as decisões de assembleia, cuidar da conservação das áreas comuns, elaborar o orçamento anual, cobrar contribuições, prestar contas e providenciar o seguro da edificação.
Para George Melo, presidente da Adconce, esse conjunto de atribuições torna a capacitação um elemento estratégico para reduzir riscos administrativos, financeiros e jurídicos.
Na avaliação do dirigente, conhecimento técnico e atualização permanente permitem ao gestor compreender melhor as consequências de cada decisão e identificar situações nas quais é necessário recorrer a profissionais ou consultorias especializadas.
Decisões financeiras ganham peso
A concentração de responsabilidades também aparece nos números. O levantamento do Datafolha mostrou que 67% dos entrevistados se declararam os únicos responsáveis pelas decisões financeiras dos condomínios. Ao mesmo tempo, 74% disseram utilizar plataformas de gestão para atividades como prestação de contas, emissão de boletos e lançamento de despesas.
O cenário reforça uma mudança de perfil. Disponibilidade de tempo e boa relação com os moradores continuam relevantes, mas passam a dividir espaço com competências relacionadas a planejamento, controle financeiro, manutenção predial, negociação de contratos, liderança e mediação de conflitos.
Síndico assume perfil de gestor
A profissionalização também muda a forma como condomínios escolhem e avaliam seus responsáveis. Segundo George Melo, dominar diferentes áreas amplia a capacidade de enxergar o empreendimento de maneira integrada e permite que decisões sejam tomadas considerando efeitos de curto, médio e longo prazo.
A Adconce, que iniciou em 2026 uma nova gestão presidida por George Melo, mantém entre suas frentes institucionais o estímulo à profissionalização, à ética e às boas práticas no mercado condominial cearense.
Em um setor marcado por empreendimentos maiores, novas tecnologias e demandas crescentes de moradores, fornecedores e órgãos reguladores, a figura do síndico se aproxima cada vez mais da de um gestor multidisciplinar, responsável não apenas pela rotina do condomínio, mas também pela sustentabilidade administrativa e financeira da operação.
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