No especial pelo Dia do Médico, a oftalmologista revisita quase três décadas de profissão, entre escolhas, encontros e histórias que permanecem.
O Dia do Médico, celebrado no próximo dia 18 de outubro, é o ponto de partida da série “Médicos que cuidam de Fortaleza”, do Feed Fortaleza. O especial homenageia profissionais a partir de suas trajetórias, das escolhas que orientaram a carreira e das experiências humanas que dão significado ao exercício da medicina.
Entre as homenageadas está a oftalmologista Vanessa Gomes de Moraes, de 53 anos. Formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em dezembro de 1996, ela se aproxima de um marco: os 30 anos de conclusão da graduação. Ao revisitar esse percurso, fala da responsabilidade sentida aos 23 anos, das transformações da profissão e dos pacientes que continuam presentes em suas lembranças.
Sua avaliação da carreira parte de uma realização que atravessa esse tempo. “A medicina é um dos grandes pilares na minha vida”, afirma. A experiência acumulada veio acompanhada de novos conhecimentos e desafios, enquanto a alegria pela escolha profissional permanece ligada à conquista que antecedeu tudo isso: a aprovação no vestibular.

CRM 6632/ce RQE: 2413 – oftalmologia
2539 – Acupuntura
A escolha da oftalmologia
O interesse pela oftalmologia surgiu ainda na universidade, quando Vanessa teve a oportunidade de acompanhar cirurgias da especialidade. O contato com os procedimentos ajudou a definir o caminho que seguiria depois da graduação.
Ao explicar a decisão, ela reúne duas razões: vocação e estilo de vida. A escolha levou em consideração a identificação com a área e a maneira como desejava exercer a profissão.
Em sua trajetória de formação, também se especializou em acupuntura, prática que conheceu durante uma viagem ao Japão. A descoberta se tornou um novo interesse de estudo e acrescentou outra área à sua experiência médica.
A lembrança da formatura continua acompanhada de emoção. Aos 23 anos, Vanessa já percebia a dimensão da responsabilidade que assumia. Ao falar daquele período, recorda também os plantões da residência e as noites acordada nos hospitais, experiências que compõem sua memória da formação.
Histórias que ficam
Quando é convidada a escolher um episódio marcante, Vanessa encontra várias lembranças. São acontecimentos de diferentes momentos e ambientes, unidos pelo impacto que tiveram sobre ela.
Um deles envolve um paciente de 12 anos que estava em coma por cetoacidose diabética. A médica passou uma noite inteira ao lado do adolescente. Antes de seu plantão terminar, ele acordou.
O episódio permanece entre as recordações que a emocionam. Ao relatá-lo, Vanessa recupera uma experiência concreta de acompanhamento e responsabilidade, preservada na memória mesmo depois de tantos outros atendimentos.
Ela também menciona os partos na maternidade-escola e os transplantes de córnea. Cada uma dessas experiências integra o conjunto de histórias que escolhe contar quando olha para a própria carreira.
Outra lembrança aconteceu durante uma viagem de Milão a São Paulo, quando cuidou de um passageiro que apresentava convulsões. Fora do ambiente hospitalar, a necessidade de atendimento também passou a fazer parte de seu percurso.
“Essas histórias marcam a gente para sempre”, resume.
Aprender para servir
Ao avaliar a evolução da medicina ao longo de quase três décadas, Vanessa destaca os avanços tecnológicos, os novos medicamentos e as pesquisas. São mudanças que acompanhou desde a graduação e que, em sua avaliação, exigem atualização constante.
A experiência profissional, para ela, segue acompanhada do estudo. Conhecer os recursos que chegam à área e acompanhar o desenvolvimento da medicina fazem parte da responsabilidade de continuar atendendo à população.
“Temos que estar sempre estudando e atualizando para melhor servir à população.”
A frase apresenta de forma direta o sentido que atribui ao aprendizado: servir melhor. É com esse objetivo que relaciona as transformações da profissão à necessidade de seguir estudando.
Em sua resposta, Vanessa conecta o avanço do conhecimento ao trabalho cotidiano. Depois de tantos anos de formação, a disposição de aprender continua fazendo parte da maneira como compreende o exercício da medicina.
Família, livros e viagens
Ao se apresentar fora do contexto profissional, Vanessa começa pela origem. “Venho de uma família unida e trabalhadora”, conta. O pai era advogado, e a mãe cuidava da casa e das filhas. Ela tem duas irmãs e dois sobrinhos.
Divorciada, é mãe de uma adolescente de 16 anos. Entre seus interesses estão viajar, nadar, ler e escrever, atividades que aparecem ao lado da família quando responde quem existe por trás do jaleco.
O apartamento em que mora também abriga uma convivência particular: uma cadelinha, uma gata, uma coelha, dois jabutis e um aquário com muitos peixes. A explicação está no desejo da filha de se tornar veterinária.
Esses detalhes dão à entrevista uma dimensão pessoal. A mulher que relembra plantões e cirurgias também fala dos animais de casa, dos livros e da vontade de viajar. O sonho profissional da filha encontra espaço em sua própria apresentação, compondo o retrato de uma vida em que a medicina ocupa um lugar importante junto às relações familiares e aos interesses pessoais.
A realização permanece
Depois das lembranças da formação, dos atendimentos e das mudanças que acompanhou na profissão, Vanessa volta a um sentimento que reconhece desde o início.
“A alegria que tenho vem desde a aprovação no vestibular até os dias atuais.”
A declaração aproxima a jovem que conquistou uma vaga na universidade da médica que hoje revisita quase 30 anos de formação. Entre esses momentos estão as escolhas de especialização, as responsabilidades assumidas e os encontros que ainda despertam emoção.
A fé também participa da forma como interpreta esse caminho. “Ser realizada profissionalmente é uma dádiva de Deus”, afirma.
Na homenagem pelo Dia do Médico, sua história ganha significado nesses detalhes: a escolha construída ainda na faculdade, o compromisso de continuar estudando, os pacientes preservados na memória e a realização que segue presente. É por meio dessas experiências que Vanessa Gomes conta quem é e o que a medicina representa em sua vida.
Acompanhe o especial “Médicos que cuidam de Fortaleza” e as trajetórias dos profissionais homenageados pelo Feed Fortaleza.
Oferecimento: Sindicato dos Médicos do Ceará.




