Ícone do axé music e voz de sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca”, cantor baiano enfrentava um linfoma não Hodgkin tipo B
O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, após enfrentar um linfoma não Hodgkin tipo B. A morte do artista, um dos nomes que ajudaram a projetar o axé music nacionalmente, foi confirmada por sua equipe. A doença evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Ernesto de Souza Andrade Júnior nasceu em 12 de julho de 1966, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Ainda criança, mudou-se com a família para Salvador, cidade onde começou sua relação profissional com a música e construiu a carreira que o transformaria em uma das vozes mais conhecidas da música baiana.
Do Carnaval ao sucesso nacional
A trajetória profissional ganhou força em 1988, quando Netinho assumiu os vocais da Banda Beijo e estreou no circuito oficial do Carnaval de Salvador. Naquele mesmo ano, gravou com o grupo o álbum “Prove Beijo”, que apresentou ao país “Beijo na Boca” e ajudou a ampliar a presença da música baiana fora do estado.
Com a Banda Beijo, Netinho também marcou uma fase importante da consolidação do axé no mercado nacional. Em 1992, o álbum “Aconteceu Axé Music” reuniu músicas como “A Vida é Festa”, “Barracos” e “Estrela Primeira”.
A carreira solo começou em 1993, com o álbum “Um Beijo pra Você”. Três anos depois, veio um dos capítulos mais importantes de sua trajetória: o disco “Netinho ao Vivo!”, gravado em Aracaju, levou “Milla” para todo o Brasil e transformou a música em um dos grandes sucessos associados ao cantor.
Luta contra o câncer
Netinho recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin tipo B agressivo no fim de fevereiro de 2025. Na época, o cantor havia retornado a Salvador após uma sequência de apresentações e procurou atendimento médico depois de sentir uma dor incomum nas costas.
Ele foi internado no Hospital Aliança Star, cancelou os compromissos previstos para o Carnaval daquele ano e iniciou imediatamente o tratamento com quimioterapia. Durante o processo, compartilhou diferentes momentos da recuperação e mensagens aos fãs por meio das redes sociais.
Nos últimos meses, o quadro voltou a se agravar. Segundo o comunicado divulgado por sua equipe nesta terça-feira, o linfoma evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
Despedida reservada
Por vontade expressa do próprio Netinho, o velório e a cremação serão realizados de forma reservada, apenas para familiares e amigos próximos. A equipe pediu respeito à privacidade das pessoas próximas ao cantor neste momento de despedida.
Netinho deixa uma trajetória diretamente ligada à expansão do axé music, aos grandes carnavais e micaretas e a uma geração que transformou a música produzida na Bahia em fenômeno nacional.
Canções como “Milla”, “Beijo na Boca”, “A Vida é Festa”, “Total”, “Menina”, “Estrela Primeira” e “Barracos” permanecem como parte de uma carreira construída ao longo de quatro décadas.
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