Eliane Melo, de Fortaleza, utiliza técnica não invasiva de neuromodulação associada a exercícios, terapia manual e educação em dor; evidências científicas sobre o recurso para dores crônicas avançam, mas ainda são limitadas para fibromialgia

A busca por novas estratégias para o manejo da dor crônica tem ampliado o espaço de tecnologias de neuromodulação também na fisioterapia. Em Fortaleza, a fisioterapeuta Eliane Melo passou a utilizar a radiofrequência pulsada transcutânea no atendimento de pacientes com fibromialgia, incorporando o recurso a um programa de reabilitação que combina exercícios, terapia manual, educação em dor e acompanhamento individualizado.
Segundo informações fornecidas pela profissional, ela seria a primeira especialista no Brasil a empregar a técnica especificamente no tratamento da fibromialgia. O Feed Fortaleza, no entanto, não encontrou um cadastro ou levantamento nacional independente que permita confirmar objetivamente esse pioneirismo, motivo pelo qual a informação deve ser atribuída à especialista e à clínica.
A radiofrequência pulsada transcutânea, conhecida pela sigla TcPRF, é uma técnica não invasiva em que pulsos de radiofrequência são aplicados através da pele, por meio de eletrodos, com o objetivo de modular mecanismos envolvidos na transmissão da dor.

O recurso vem despertando interesse científico. Uma revisão sistemática publicada em 2026 na revista Pain and Therapy analisou oito ensaios clínicos randomizados, envolvendo 467 participantes com diferentes condições de dor crônica. Os estudos incluíram casos de dor no joelho e no ombro, síndrome do túnel do carpo, enxaqueca crônica, dor neuropática diabética e epicondilite. A revisão encontrou resultados favoráveis em parte dos trabalhos, mas ressaltou diferenças importantes entre protocolos, populações estudadas e métodos de avaliação.
Um ponto importante é que a revisão não incluiu ensaios clínicos de radiofrequência pulsada transcutânea especificamente em pacientes com fibromialgia. Os próprios autores classificam a TcPRF como uma possibilidade promissora para algumas condições de dor crônica, mas afirmam que as evidências atuais ainda são insuficientes para recomendações firmes para todas as síndromes dolorosas.
Fibromialgia exige abordagem multidisciplinar

A cautela acompanha a própria complexidade da fibromialgia. Diretrizes brasileiras atualizadas pela Sociedade Brasileira de Reumatologia em 2026 descrevem a condição como marcada principalmente por dor crônica generalizada, podendo estar associada a fadiga, alterações do sono e comprometimento cognitivo. No Brasil, a prevalência estimada apresentada no documento varia entre 2,5% e 5,5%.
As recomendações reforçam que o manejo deve ser individualizado e interdisciplinar. Entre as estratégias não farmacológicas com evidências estão exercícios aeróbicos e de resistência, educação do paciente, intervenções psicológicas e algumas formas de neuromodulação. No documento brasileiro, as técnicas de neuromodulação analisadas especificamente para fibromialgia são principalmente a estimulação transcraniana por corrente contínua e a estimulação magnética transcraniana repetitiva. A radiofrequência pulsada transcutânea não aparece entre as modalidades avaliadas especificamente pela diretriz.
É nesse cenário que Eliane Melo afirma utilizar a tecnologia como parte de um conjunto de estratégias, e não como tratamento isolado.
Com quase duas décadas de atuação, a fisioterapeuta concentra o trabalho em reabilitação da coluna e manejo da dor. A clínica informa que mais de 1.500 pacientes já passaram por seus protocolos. No site profissional, Eliane apresenta formação em fisioterapia pela Estácio Fortaleza e capacitações em áreas como osteopatia estrutural, quiropraxia e Método McKenzie, além de informar participação na Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor.
Tecnologia integrada à reabilitação

Na prática clínica descrita pela fisioterapeuta, pacientes passam inicialmente por avaliação individual. A estratégia pode reunir recursos tecnológicos, terapia manual, exercícios terapêuticos, orientação sobre dor e acompanhamento da resposta ao tratamento.
Essa proposta deu origem ao método REStore, protocolo desenvolvido por Eliane Melo. O acompanhamento inclui ainda uma plataforma digital por meio da qual são disponibilizados exercícios e orientações para continuidade da reabilitação fora da clínica.
“Quem convive com dor por muito tempo chega também com medo, limitações e, muitas vezes, acreditando que determinadas atividades nunca mais farão parte da sua vida. Nosso trabalho começa pelo respeito a essa dor e pela construção de segurança para que essa pessoa volte a se movimentar e retome sua autonomia”, afirma Eliane.
Outro equipamento incorporado aos atendimentos é o Sistema Superindutivo, conhecido como SIS, baseado na aplicação de campo eletromagnético de alta intensidade. Segundo a clínica, a definição dos recursos utilizados depende da avaliação e das necessidades de cada paciente.
Eliane também defende que a incorporação de equipamentos deve permanecer subordinada à avaliação profissional.
“Tecnologia não substitui o olhar do profissional. Ela amplia nossas possibilidades. O paciente precisa ser ouvido, compreendido e tratado como uma pessoa, não como uma dor ou um exame. É esse equilíbrio entre conhecimento, tecnologia e humanização que orienta o nosso trabalho”, diz.
A proposta acompanha uma tendência de tratamento da fibromialgia baseada na combinação de diferentes estratégias. As diretrizes brasileiras destacam justamente a necessidade de cuidado personalizado, monitoramento e integração entre intervenções, evitando a ideia de que uma única tecnologia seja suficiente para controlar uma síndrome complexa e multifatorial.
Para os próximos cinco anos, Eliane Melo pretende ampliar a estrutura da clínica e consolidar a operação como referência regional em reabilitação da coluna e manejo da dor.
Serviço
Clínica Dra. Eliane Melo
Condomínio Novais Center
Av. Desembargador Moreira, 2001, sala 805, Aldeota, Fortaleza
Contato: (85) 99148-3493
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