Especialista alerta que escuta, atenção às mudanças de comportamento e acompanhamento psicológico não devem ficar restritos ao mês de conscientização
O fim de setembro encerra o período de maior mobilização em torno da prevenção ao suicídio e da valorização da vida, mas não reduz a necessidade de atenção à saúde mental. Para especialistas, transformar a conscientização promovida pelo Setembro Amarelo em uma prática permanente é um dos principais desafios para famílias, escolas, empresas e outros espaços de convivência.
Ansiedade, depressão, estresse, isolamento e outras formas de sofrimento emocional não obedecem ao calendário das campanhas. Por isso, manter espaços de diálogo, reconhecer mudanças de comportamento e facilitar o acesso ao acompanhamento profissional são medidas que precisam fazer parte da rotina durante os 12 meses do ano.
Para o psicólogo Víctor Costa, o Setembro Amarelo tem importância justamente por ampliar discussões que, durante muito tempo, foram cercadas por silêncio e estigma. O problema surge quando a atenção ao tema diminui junto com o encerramento da campanha.
“O Setembro Amarelo cumpre um papel fundamental ao trazer à tona temas que muitas vezes são silenciados pela rotina e pelo estigma. Contudo, o sofrimento psíquico não tem data para acontecer. Quando a campanha acaba, as angústias, o estresse e a depressão continuam presentes na vida das pessoas. Por isso, os hábitos de autocuidado, a observação dos sinais no ambiente de trabalho ou em casa e a busca por apoio psicológico devem ser cultivados ao longo dos doze meses do ano”, afirma.
Atenção aos sinais
Mudanças bruscas de comportamento, afastamento do convívio social, perda de interesse por atividades antes consideradas prazerosas e alterações importantes de humor podem indicar que uma pessoa está passando por sofrimento emocional.
Esses sinais, no entanto, precisam ser observados dentro do contexto de cada indivíduo e não devem ser utilizados isoladamente para estabelecer diagnósticos.
Uma das atitudes mais importantes diante da percepção de que alguém não está bem é abrir espaço para uma conversa respeitosa. Escutar sem minimizar sentimentos, fazer julgamentos ou oferecer respostas prontas pode favorecer a procura por ajuda adequada.
O cuidado também passa pela própria rotina. Descanso, atividade física, vínculos sociais e limites entre trabalho e vida pessoal podem integrar estratégias de bem-estar, sem substituir acompanhamento profissional quando ele for necessário.
Terapia também é prevenção
Outro ponto destacado pelo psicólogo é a necessidade de romper com a percepção de que acompanhamento psicológico deve ser procurado somente quando uma situação chega ao limite.
A terapia também pode funcionar como espaço para compreensão de emoções, desenvolvimento de estratégias para enfrentar dificuldades e construção de relações mais saudáveis com a própria rotina.
No ambiente corporativo, nas escolas e dentro de casa, a manutenção de conversas sobre saúde mental também pode contribuir para que sinais de sofrimento não sejam ignorados.
Para Víctor Costa, o objetivo deve ser transformar a mobilização concentrada em setembro em uma cultura permanente de acolhimento.
“A prevenção ao suicídio e a promoção da saúde mental se fazem no cotidiano, nas pequenas atitudes de escuta e na validação da dor do outro. Precisamos aprender a perguntar como alguém está e realmente nos importarmos com a resposta, independentemente da época do ano”, conclui.
Onde buscar ajuda
Pessoas em sofrimento emocional podem procurar atendimento profissional em serviços de saúde e na rede de atenção psicossocial do município. Em situações de emergência, o atendimento médico deve ser buscado imediatamente.
O Centro de Valorização da Vida também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188.
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