Hábito conhecido como onicofagia provoca microlesões que facilitam a entrada de bactérias e pode estar relacionado a situações de estresse e ansiedade
Roer as unhas pode parecer apenas um hábito cotidiano, mas a prática pode abrir caminho para infecções e outras complicações de saúde. Conhecido tecnicamente como onicofagia, o comportamento provoca pequenas lesões na pele ao redor das unhas, facilitando a entrada de microrganismos e, em quadros mais graves, podendo levar à necessidade de intervenção cirúrgica.
A prática costuma começar ainda na infância e pode permanecer ao longo da vida. Embora muitas vezes seja encarada apenas como uma questão estética, especialistas alertam que os danos repetidos à pele e às cutículas aumentam a vulnerabilidade da região.
Segundo Cláudia Velasco, diretora médica da Clínica SiM, o contato constante entre a boca e áreas lesionadas dos dedos favorece a contaminação.
“A boca é uma das regiões mais contaminadas do corpo e, ao ferir a pele ao redor da unha, criamos uma porta de entrada direta para bactérias agressivas na corrente sanguínea”, explica.
Onicofagia pode favorecer infecções
Ao roer as unhas, resíduos e microrganismos acumulados sob elas podem ser levados diretamente à boca. Ao mesmo tempo, a saliva entra em contato com pequenas lesões provocadas pelos dentes na região das cutículas.
Essa combinação pode favorecer o desenvolvimento da paroníquia, infecção da pele ao redor da unha que pode provocar vermelhidão, inchaço, dor e formação de pus.
Sem tratamento adequado, determinadas infecções podem avançar para tecidos mais profundos. Em situações graves, podem ser necessárias intervenções médicas ou cirúrgicas para impedir a disseminação do processo infeccioso.
Entre os sinais que merecem atenção estão vermelhidão e inchaço persistentes ao redor da unha, aumento da temperatura local, sensibilidade, dor pulsante e presença de secreção amarelada ou esverdeada. Febre e calafrios associados a uma infecção no dedo também exigem avaliação médica, pois podem indicar um quadro mais importante.
Estresse e ansiedade podem funcionar como gatilhos
Além dos impactos físicos, a onicofagia pode estar associada a fatores emocionais e comportamentais. Situações de tensão, estresse ou ansiedade podem intensificar o impulso de levar as mãos à boca.
Para a psicóloga da Clínica SiM Mirella Martins Lippi, identificar os gatilhos envolvidos no comportamento é uma etapa importante para interromper o ciclo.
“Procurar um psicólogo ou psiquiatra é fundamental para entender os gatilhos que levam ao comportamento e tratar a causa primária, evitando que a intervenção seja apenas física”, afirma.
Cláudia Velasco destaca que, quando existe uma infecção associada ao hábito recorrente, é importante cuidar tanto das consequências físicas quanto dos fatores que mantêm o comportamento.
“O tratamento médico resolve a infecção e protege a integridade da pele, mas se não houver o suporte especializado para controlar a ansiedade, o paciente voltará a ferir o próprio corpo em um ciclo de reinfecções”, pontua.
Como tentar parar de roer as unhas
Algumas estratégias podem ajudar a reduzir o comportamento. Manter as unhas curtas diminui a área disponível para roer, enquanto produtos próprios com sabor amargo podem funcionar como um lembrete para interromper automaticamente o movimento.
Outra possibilidade é substituir o estímulo por objetos que mantenham as mãos ocupadas em momentos de tensão, como bolinhas antiestresse. Curativos nos dedos também podem funcionar como barreiras físicas temporárias.
Segundo Mirella Martins Lippi, a mudança exige paciência e ferramentas capazes de interromper o reflexo automático de levar as mãos à boca, especialmente nos momentos em que os gatilhos emocionais aparecem.
Caso existam sinais de infecção, dor intensa, pus, febre ou piora progressiva da região afetada, a recomendação é procurar avaliação profissional em vez de tentar tratar ou drenar a lesão por conta própria.
Sobre a Clínica SiM
A Clínica SiM, integrante do Grupo SiMco, é uma rede de clínicas de saúde acessíveis com presença na Bahia, Ceará e Pernambuco. Segundo a empresa, são mais de 230 mil beneficiários ativos atendidos pela rede.
Serviço
Clínica SiM
Informações e serviços: site oficial da Clínica SiM
Telefone: 0800 357 6060
Siga o @feedfortal no Instagram.




