Período de maior intensidade dos ventos favorece ressecamento das vias aéreas e pode agravar quadros de rinite, asma e bronquite
O período de ventos no Ceará mais intensos ganha força no segundo semestre, especialmente entre agosto e setembro, quando as condições atmosféricas favorecem o aumento da velocidade e a ocorrência de rajadas. O cenário, conhecido por impulsionar esportes náuticos e amenizar a sensação de calor, também exige atenção redobrada com a saúde respiratória.
Dados históricos da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) mostram que agosto e setembro estão entre os meses de maior intensidade dos ventos no Estado. No litoral, rajadas podem atingir ou superar 50 km/h em determinados episódios, com registros ainda maiores em algumas localidades. (Funceme)
A combinação entre vento, períodos de menor umidade e partículas em suspensão pode aumentar a exposição da população à poeira e a outros agentes irritantes. O resultado pode ser sentido principalmente por quem já convive com doenças respiratórias ou quadros alérgicos.
Ventos no Ceará podem agravar rinite e asma
A exposição ao ar seco favorece o ressecamento das mucosas nasais, condição que pode aumentar o desconforto de pacientes com rinite e outros problemas respiratórios. Autoridades de saúde também recomendam atenção à hidratação e à higiene nasal em períodos secos, especialmente entre pessoas mais suscetíveis a crises alérgicas. (Prefeitura de São Paulo)
Segundo o médico otorrinolaringologista Artur Lima, da Rede Oto, uma das principais funções das mucosas do nariz e dos olhos é funcionar como barreira contra agentes externos. Quando essa proteção natural fica ressecada, a filtragem de impurezas pode ser prejudicada.
“O vento forte transporta uma quantidade significativamente maior de pólen e ácaros em suspensão. Ao entrarem em contato com uma mucosa previamente desidratada, essas partículas provocam processos inflamatórios imediatos. Isso explica o aumento do número de pacientes relatando espirros frequentes, obstrução nasal, coceira intensa nos olhos e episódios de sangramento nasal decorrentes do rompimento de pequenos vasos”, explica o especialista.
Entre os sintomas que merecem atenção estão espirros frequentes, congestão nasal, coriza, coceira, irritação nos olhos e ressecamento do nariz. Pacientes com asma, bronquite ou rinite precisam observar ainda eventuais sinais de agravamento das condições já diagnosticadas.
Hidratação e lavagem nasal estão entre os cuidados
Uma das principais medidas preventivas é manter a hidratação das vias aéreas. A lavagem nasal com soro fisiológico a 0,9% pode auxiliar na remoção de partículas e alérgenos e reduzir o desconforto provocado pelo ressecamento. A medida também é recomendada por serviços públicos de saúde durante períodos de tempo seco. (Prefeitura de São Paulo)
O consumo regular de água é outro cuidado importante, principalmente para crianças e idosos, grupos que merecem maior atenção diante de situações que favoreçam a desidratação.
Dentro de casa, a recomendação é evitar métodos de limpeza que espalhem poeira pelo ambiente. O uso de pano úmido em móveis e pisos pode contribuir para reduzir partículas em suspensão.
Olhos também precisam de proteção
Os efeitos do vento não se restringem ao sistema respiratório. A exposição constante ao ar seco, à poeira e a outros irritantes também pode favorecer ardência, vermelhidão, irritação e sensação de ressecamento nos olhos. Documentos sanitários reconhecem vento e ar seco entre os fatores capazes de provocar ressecamento e irritação ocular. (Anvisa Antigo)
Ao permanecer em ambientes externos com vento intenso, o uso de óculos de sol ou de proteção pode reduzir o contato direto dos olhos com partículas. Também é importante evitar coçar a região, especialmente quando houver irritação.
Quando procurar atendimento médico
Sintomas leves e passageiros podem melhorar com hidratação e cuidados ambientais. Caso a irritação respiratória ou ocular permaneça por vários dias, apresente piora progressiva ou seja acompanhada por sinais como febre ou falta de ar, a orientação é buscar avaliação profissional.
Pessoas com diagnóstico prévio de asma, rinite, bronquite ou outras doenças respiratórias devem manter o acompanhamento e seguir o tratamento prescrito pelo profissional de saúde.
Serviço
Cuidados durante o período de ventos mais fortes
- Manter boa ingestão de água ao longo do dia
- Fazer higiene nasal com soro fisiológico conforme orientação profissional
- Evitar ambientes com acúmulo de poeira
- Priorizar pano úmido na limpeza da casa
- Evitar coçar os olhos quando houver irritação
- Usar óculos de proteção ou de sol em ambientes externos com vento intenso
- Manter o acompanhamento médico em casos de doenças respiratórias preexistentes
- Procurar atendimento diante de falta de ar, febre, piora ou persistência dos sintomas
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