Sobrecarga feminina provocada por múltiplas jornadas, trabalho doméstico e carga mental do cuidado reforça alerta sobre ansiedade, exaustão e necessidade de divisão de responsabilidades.
Sobrecarga feminina afeta saúde mental e amplia risco de esgotamento emocional
A sobrecarga feminina provocada pelo acúmulo de responsabilidades profissionais, domésticas e familiares tem ampliado o alerta sobre a saúde mental das mulheres no Brasil. Dados da Previdência Social referentes a 2025 mostram que, dos 546.254 benefícios concedidos por transtornos mentais, 346.613 foram destinados a mulheres, o equivalente a 63,46% do total. Os homens responderam por 36,54% das concessões. (Serviços e Informações do Brasil)
Para o Instituto Revoar, braço social da Rede Memorial Fortaleza, os números ajudam a dimensionar uma realidade que vai além do ambiente profissional. Em muitos casos, a jornada de trabalho remunerado é acompanhada pela responsabilidade de organizar a casa, acompanhar os filhos, cuidar de familiares e administrar uma série de demandas cotidianas que nem sempre são percebidas como trabalho.
Sobrecarga feminina também envolve a carga mental do cuidado
A chamada carga mental não está relacionada apenas à execução de tarefas. Ela inclui lembrar compromissos, planejar atividades, antecipar necessidades, organizar rotinas e garantir que diferentes áreas da vida familiar continuem funcionando.
Quando essas responsabilidades permanecem concentradas em uma única pessoa, a sensação é de que o trabalho nunca termina. Mesmo nos períodos destinados ao descanso, a mente pode continuar ocupada com compromissos, decisões e necessidades que ainda precisam ser resolvidas.
Esse funcionamento contínuo pode contribuir para sinais de sofrimento emocional, como cansaço persistente, irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade, sensação de incapacidade e perda de interesse por atividades que antes proporcionavam satisfação.
Exaustão feminina não deve ser naturalizada
Para Elaine de Tomy, vice-presidente do Instituto Revoar, é necessário mudar a percepção de que suportar uma rotina excessivamente pesada representa necessariamente força ou capacidade.
“Durante muito tempo, a mulher foi ensinada que dar conta de tudo era uma demonstração de força. Mas quando o cuidado com todos acontece às custas do próprio equilíbrio emocional, esse esforço deixa de ser saudável e passa a representar um risco para a saúde mental”, afirma.
Segundo Elaine, parte importante desse desgaste permanece invisível justamente porque não pode ser medida apenas pela quantidade de tarefas executadas.
“Muitas mulheres não estão apenas executando atividades, elas estão planejando, lembrando, organizando e sustentando o funcionamento da família. Essa carga contínua pode gerar um desgaste profundo quando não existe divisão de responsabilidades”, explica.
Divisão de responsabilidades ajuda a reduzir a sobrecarga
Reconhecer que o cuidado e a organização da vida doméstica são responsabilidades compartilhadas é um dos pontos considerados importantes para reduzir a pressão cotidiana.
A divisão precisa envolver não somente tarefas visíveis, mas também o planejamento e a responsabilidade por elas. Delegar uma atividade enquanto uma única pessoa continua responsável por lembrar prazos, organizar horários e supervisionar sua execução não elimina completamente a carga mental.
Também é importante observar sinais persistentes de sofrimento emocional. Quando sintomas começam a comprometer o trabalho, os relacionamentos, o sono ou outras atividades da rotina, a busca por acompanhamento profissional pode auxiliar na identificação dos limites e na construção de estratégias de enfrentamento.
No caso do burnout, o Ministério da Saúde caracteriza a síndrome como um quadro relacionado a situações profissionais desgastantes e marcado por exaustão extrema, estresse e esgotamento associados ao trabalho. (Serviços e Informações do Brasil)
Instituto Revoar atua na promoção da saúde mental
Há nove anos, o Instituto Revoar desenvolve iniciativas voltadas ao acolhimento emocional e à promoção da saúde mental. Entre as ações estão grupos de apoio, rodas de conversa e projetos destinados ao fortalecimento dos vínculos familiares e ao bem-estar emocional.
Em setembro, o instituto também promoverá uma aula de yoga ao amanhecer no Parque do Cocó, em Fortaleza, como parte das ações relacionadas ao Setembro Amarelo. A atividade será realizada em 12 de setembro e terá inscrições sociais a partir de R$ 20. (Infoco Portal)
Leia também: Instituto Revoar promove yoga ao amanhecer no Parque do Cocó pelo Setembro Amarelo. (Infoco Portal)
Serviço
Instituto Revoar
Atuação: acolhimento emocional e promoção da saúde mental
Vínculo: braço social da Rede Memorial Fortaleza
Ações: grupos de apoio, rodas de conversa e iniciativas de fortalecimento de vínculos e bem-estar emocional
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