Durante o Agosto Laranja, campanha reforça a importância de reconhecer precocemente os sintomas da esclerose múltipla, doença neurológica que atinge principalmente adultos jovens
A esclerose múltipla pode começar com manifestações discretas, como fadiga intensa, formigamentos persistentes, alterações na visão, fraqueza e desequilíbrio. Por serem sintomas que também aparecem em situações comuns do cotidiano, os primeiros sinais podem ser ignorados, atrasando a investigação de uma doença em que o diagnóstico precoce tem papel importante na preservação da qualidade de vida.

O alerta ganha destaque durante o Agosto Laranja, movimento de conscientização sobre a esclerose múltipla. Criada em 2014 pela Amigos Múltiplos pela Esclerose (AME), a mobilização busca ampliar o acesso à informação, combater a desinformação e chamar atenção para o diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença. Em 2026, a campanha trabalha o tema “Progressão e vida com EM”, com o mote “Ganhar tempo é ganhar vida”.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica e autoimune na qual o sistema imunológico ataca estruturas do sistema nervoso central, atingindo cérebro e medula espinhal. Esse processo pode comprometer diferentes funções neurológicas e provocar sintomas motores, sensitivos e visuais.
No Brasil, estima-se que cerca de 40 mil pessoas convivam com a condição. A doença pode surgir em diferentes idades, mas é diagnosticada com maior frequência entre os 20 e os 40 anos, período marcado por intensa atividade profissional, acadêmica e familiar.
Sintomas da esclerose múltipla podem passar despercebidos
Segundo o neurologista da Hapvida Sidney Godoi, as primeiras manifestações variam de acordo com cada paciente. Entre os sinais que merecem atenção estão perda ou redução da visão em um dos olhos, visão embaçada ou dupla, formigamentos persistentes, sensação de choque ao movimentar o pescoço, fraqueza em braços ou pernas, dificuldade para caminhar e alterações no equilíbrio.
A fadiga também aparece entre os sintomas frequentes da doença e pode ser intensa ou desproporcional às atividades realizadas.
Godoi explica que algumas dessas manifestações podem ocorrer também em situações relacionadas a estresse, ansiedade ou compressões temporárias de nervos. O que deve chamar atenção é principalmente a persistência do quadro ou o surgimento sem uma explicação evidente.
“Na esclerose múltipla, esses sinais costumam durar mais de 24 horas e aparecem sem uma explicação evidente. E, muitas vezes, deixam algum grau de limitação. Por isso, quando um sintoma neurológico persiste ou se repete, é importante investigar”, orienta.
Outro fator que pode atrasar a procura por atendimento é o desaparecimento espontâneo dos sintomas. A melhora, entretanto, não significa necessariamente que o problema tenha terminado.
“Muitos pacientes acham que, se o sintoma melhorou sozinho, não há motivo para procurar um médico. Na esclerose múltipla, isso pode ser um erro, porque os surtos costumam melhorar parcialmente de forma espontânea, mas a doença continua ativa e pode causar novas lesões”, afirma Godoi.
Diagnóstico precoce da esclerose múltipla ajuda a preservar funções
A investigação da esclerose múltipla envolve avaliação clínica especializada e pode incluir exames como ressonância magnética do cérebro e da medula, além de outros testes definidos pelo neurologista de acordo com cada caso.
Embora ainda não exista cura para a doença, os tratamentos disponíveis podem reduzir a frequência e a intensidade dos surtos, diminuir a atividade inflamatória e retardar a progressão das incapacidades.
“Cada surto pode deixar sequelas permanentes. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maior é a chance de reduzir novas crises, diminuir a atividade da doença nas imagens de ressonância e retardar o aparecimento de incapacidades”, destaca o neurologista.
Os avanços nos exames de imagem, a atualização dos critérios diagnósticos e o maior conhecimento sobre a doença também contribuíram para que casos anteriormente identificados apenas em fases mais avançadas possam ser reconhecidos mais cedo.
O especialista ressalta ainda que permanece equivocada a associação da esclerose múltipla exclusivamente à população idosa. Na realidade, a condição aparece com frequência em adultos jovens.
Também não é correto afirmar que todas as pessoas diagnosticadas inevitavelmente perderão a capacidade de caminhar ou precisarão utilizar cadeira de rodas. Com acompanhamento especializado e os tratamentos disponíveis atualmente, muitos pacientes conseguem permanecer independentes e manter atividades profissionais, acadêmicas, familiares e físicas por muitos anos.
No Brasil, o dia 30 de agosto é oficialmente reconhecido como Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A data foi instituída pela Lei nº 11.303/2006 e reforça a necessidade de ampliar o conhecimento sobre os sintomas e reduzir o tempo entre as primeiras manifestações e a busca por atendimento especializado.
Serviço
Agosto Laranja 2026
Campanha de conscientização sobre a esclerose múltipla
Tema: Progressão e vida com EM
Mote: Ganhar tempo é ganhar vida
Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla: 30 de agosto
Especialidade responsável pelo diagnóstico e acompanhamento: Neurologia
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