Geração própria ganha espaço na gestão condominial diante da busca por eficiência financeira, previsibilidade das despesas e valorização dos imóveis
A energia solar em condomínios vem ganhando espaço no mercado imobiliário brasileiro e deixando de ser vista apenas como um diferencial relacionado à sustentabilidade. Com a pressão por maior eficiência nas despesas mensais, a geração própria também passa a integrar as estratégias de síndicos e administradoras para reduzir custos recorrentes e melhorar o planejamento financeiro dos empreendimentos.
O avanço ocorre em um momento de forte interesse dos brasileiros pela aquisição de imóveis. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados em levantamento da Brain Inteligência Estratégica afirmaram ter intenção de comprar um imóvel, maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2019.
O índice ficou três pontos percentuais acima do observado no mesmo período de 2025. A pesquisa mostrou ainda que 11% dos entrevistados haviam adquirido um imóvel nos 12 meses anteriores, também estabelecendo um novo recorde da série.
O cenário amplia a atenção sobre características capazes de influenciar tanto os custos de manutenção quanto a valorização dos empreendimentos. Nesse contexto, eficiência energética, sustentabilidade e despesas condominiais passam a ocupar espaço cada vez maior na avaliação dos imóveis.
Energia solar ultrapassa 74 GW de capacidade no Brasil
O crescimento do interesse acompanha a expansão acelerada da fonte solar no país. Dados atualizados em julho de 2026 apontam que o Brasil alcançou 74,3 gigawatts de capacidade instalada de energia solar, somando geração própria e grandes usinas centralizadas.
O país também ultrapassou 4,7 milhões de sistemas de geração distribuída e acumula R$ 328,2 bilhões em investimentos ligados à fonte fotovoltaica.
Dentro dos condomínios, a tecnologia pode ser utilizada para compensar parte do consumo de áreas comuns, dependendo das características e da configuração de cada projeto. Elevadores, bombas, iluminação, portarias, equipamentos de lazer e outros sistemas podem representar parcela relevante da conta de energia de empreendimentos residenciais e comerciais.
A redução desse consumo proveniente da rede pode contribuir para aliviar uma das despesas recorrentes do condomínio e ampliar a previsibilidade do orçamento.
Economia passa a pesar na decisão dos condomínios
Para Sarah Castro, diretora comercial do Cerus, fintech especializada em soluções financeiras para condomínios, a discussão sobre energia solar deve considerar também seus possíveis impactos sobre a gestão financeira.
“A energia solar precisa ser analisada não apenas como uma solução de sustentabilidade, mas também como uma ferramenta de gestão financeira. Quando reduzimos uma despesa recorrente, criamos espaço para um planejamento orçamentário mais equilibrado e aumentamos a capacidade de direcionar recursos para outras necessidades do empreendimento. É uma decisão que envolve sustentabilidade, mas também eficiência financeira e visão de longo prazo”, afirma.
A economia obtida com energia pode abrir espaço no orçamento para outras demandas, como manutenção preventiva, reformas, modernização de equipamentos, segurança e melhorias nas áreas comuns.
A instalação, entretanto, não significa necessariamente eliminar a conta de energia. O resultado financeiro depende de fatores como consumo, dimensionamento do sistema, tarifa da distribuidora, modalidade de geração, regras de compensação, estrutura disponível e condições de financiamento.
Sustentabilidade também influencia escolha do imóvel
A transformação acontece ao mesmo tempo em que consumidores mais jovens demonstram maior interesse por empreendimentos com atributos ambientais.
Dados do Wealth Report 2025, da consultoria imobiliária Knight Frank, citados em análise da Deloitte sobre sustentabilidade no mercado imobiliário brasileiro, mostram que 48% dos jovens investidores procuram imóveis com geração própria de energia.
O levantamento aponta ainda que 53% priorizam imóveis certificados como sustentáveis e 75% desse público demonstram disposição para pagar mais por produtos ambientalmente responsáveis.
O comportamento ajuda a transformar soluções sustentáveis em elementos que também podem influenciar a percepção de valor de um empreendimento. Sistemas fotovoltaicos, iluminação eficiente, carregadores para veículos elétricos, reaproveitamento de água e outras tecnologias passam a integrar uma visão mais ampla sobre desempenho e qualidade dos imóveis.
Projeto exige análise antes da instalação
Apesar das possibilidades de economia, a decisão de instalar energia solar em condomínios exige planejamento.
Síndicos e administradoras precisam avaliar o histórico de consumo de energia, a disponibilidade de áreas adequadas para instalação dos equipamentos, as condições estruturais da edificação, o investimento necessário, os custos de manutenção e o prazo estimado para retorno financeiro.
A legislação brasileira permite a participação de empreendimentos com múltiplas unidades consumidoras no sistema de compensação de energia elétrica. Dependendo da configuração adotada, a energia gerada também pode ser distribuída entre unidades participantes conforme os critérios estabelecidos para o projeto.
Cada empreendimento, porém, apresenta características próprias. Por isso, estudos técnicos e financeiros anteriores à contratação são fundamentais para determinar a viabilidade e o dimensionamento adequado da instalação.
Com o crescimento da geração própria e a maior atenção dos compradores aos custos permanentes de um imóvel, a tendência é que a eficiência energética ocupe espaço cada vez maior nas decisões condominiais.
Mais do que uma pauta ambiental, a energia solar passa a ser discutida como instrumento de planejamento, controle de despesas e valorização patrimonial no longo prazo.
Serviço
Energia solar em condomínios
Antes da contratação de um sistema fotovoltaico, o condomínio deve analisar o histórico de consumo, condições estruturais da edificação, área disponível para instalação, dimensionamento do projeto, investimento necessário, regras de compensação de energia e prazo estimado de retorno.
A implantação deve respeitar as normas técnicas, as regras da Agência Nacional de Energia Elétrica e o Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída.
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