Encontro em Fortaleza discutiu mudanças no sistema de tributação, split payment, aproveitamento de créditos e efeitos sobre fluxo de caixa e operações das empresas
Os impactos da Reforma Tributária sobre as empresas estiveram no centro das discussões de uma reunião da Câmara de Tecnologia e Inovação do Sistema Fecomércio, realizada na última segunda-feira (31), na sede da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio-CE), em Fortaleza.
Promovido pelas Câmaras e Conselhos Empresariais (CACE), o encontro reuniu representantes do setor produtivo para analisar as mudanças previstas no novo sistema tributário e os reflexos que devem atingir processos fiscais, financeiros, contábeis e tecnológicos das empresas.
A programação contou com palestra de Adolfo Ciríaco, sócio-fundador da Conect Negócios e Contabilidade. Também participaram Raniere Medeiros, presidente da Câmara de Tecnologia e Inovação do Sistema Fecomércio, Joel Rodrigues, vice-presidente da Câmara, e Benoni Vieira, vice-presidente da Fecomércio-CE.
Empresas terão de adaptar sistemas e processos
Durante a reunião, foram apresentadas alterações operacionais, tecnológicas e financeiras relacionadas à implementação da Reforma Tributária. Entre os principais pontos discutidos estiveram a apuração assistida de débitos e créditos, o split payment, o aproveitamento de créditos tributários e os regimes diferenciados.
A Reforma Tributária do consumo foi instituída a partir da Emenda Constitucional nº 132, aprovada em 2023, e teve sua regulamentação avançada nos anos seguintes. Entre as principais mudanças está a criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios.
O processo de transição ocorre de forma gradual. Em 2026, o novo modelo passa por uma etapa de adaptação e testes, exigindo das empresas atenção especial aos documentos fiscais, sistemas de gestão, parametrizações tributárias e integração de dados. A substituição dos tributos atuais ocorrerá progressivamente até a consolidação do novo sistema.
No encontro da Fecomércio-CE, a avaliação foi de que a mudança vai além dos departamentos fiscal e contábil. Empresas também precisarão revisar processos administrativos, financeiros e tecnológicos para acompanhar a nova dinâmica de apuração dos tributos.
Split payment e fluxo de caixa estão entre pontos de atenção
Um dos mecanismos discutidos foi o split payment, modelo que prevê a segregação dos valores correspondentes ao IBS e à CBS durante o processo de liquidação financeira das operações.
A ferramenta integra a estrutura criada para o novo sistema tributário e deverá ser implantada gradualmente. Na prática, sua adoção exige integração entre documentos fiscais, meios de pagamento, sistemas empresariais e plataformas das administrações tributárias.
Durante a reunião, também foram analisados possíveis efeitos sobre fluxo de caixa, capital de giro e financiamento das operações. O impacto pode variar conforme o setor, o regime tributário e a estrutura financeira de cada negócio.
O eventual intervalo entre pagamentos realizados pela empresa, recolhimento de tributos e apropriação de créditos é um dos fatores que devem ser considerados no planejamento financeiro durante a transição.
Novo sistema amplia discussão sobre créditos tributários
Outro ponto abordado foi a sistemática de aproveitamento de créditos. Segundo Adolfo Ciríaco, alguns setores podem encontrar oportunidades dentro das novas regras, especialmente diante da ampliação das possibilidades de creditamento.
“Entre os setores que podem ter menos impacto, acredito que a indústria e a saúde podem até ter benefícios, principalmente pela possibilidade de creditamento de itens que, materialmente, não era possível aproveitar anteriormente. No caso da indústria, muitas vezes a característica da essencialidade do PIS e da Cofins impedia um aproveitamento mais amplo dos créditos. Com a transição para a CBS, esse cenário pode mudar”, afirmou.
A análise dos efeitos, no entanto, deve considerar as particularidades de cada atividade econômica, já que fatores como cadeia de fornecedores, despesas, regime de tributação e possibilidade de utilização de créditos podem modificar o resultado para cada empresa.
Fecomércio mantém debates sobre ambiente de negócios
A reunião integra a agenda permanente das Câmaras e Conselhos Empresariais da Fecomércio-CE, que promove discussões sobre temas capazes de produzir impactos na atividade econômica e na gestão das empresas.
A iniciativa busca aproximar empresários, especialistas e representantes dos setores produtivos de informações sobre mudanças regulatórias, permitindo maior preparação para os novos cenários do ambiente de negócios.
Serviço
Reunião da Câmara de Tecnologia e Inovação do Sistema Fecomércio
Data: 31 de agosto de 2026
Local: sede da Fecomércio-CE, em Fortaleza
Realização: Câmaras e Conselhos Empresariais (CACE)
Tema: impactos da Reforma Tributária sobre as atividades empresariais
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