Novo sistema pode impactar preços, margens, contratos, fluxo de caixa e sistemas; levantamento mostra que parte das empresas ainda não simulou os efeitos da mudança
A Reforma Tributária já começou a fazer parte da rotina das empresas brasileiras e transforma 2026 em um período decisivo de preparação para as mudanças que ganharão força a partir de 2027. Com a transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo em andamento, empresários precisam avaliar desde agora os possíveis impactos sobre preços, margens, contratos, sistemas e fluxo de caixa.
O processo de implementação será gradual e seguirá até 2033. Em 2026, o país vive o período de testes da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com mudanças nos documentos fiscais e adequações operacionais.
A partir de 2027, uma nova etapa entra em vigor com a cobrança da CBS e a extinção do PIS e da Cofins. Também começa a aplicação do Imposto Seletivo, previsto para determinados produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
O IBS continuará avançando progressivamente durante os anos seguintes. Entre 2029 e 2032, ocorrerá a substituição gradual do ICMS e do ISS pelo novo imposto. A previsão é de que, em 2033, o novo sistema esteja integralmente implantado.
Empresas ainda enfrentam dificuldades de preparação
Mesmo com a transição já iniciada, parte das empresas brasileiras ainda não conseguiu dimensionar como a Reforma Tributária poderá interferir diretamente em seus negócios.
Um levantamento realizado entre maio e junho de 2026 com 70 gestores e diretores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia de médias e grandes companhias, que juntas representam mais de R$ 2 trilhões em receitas anuais, apontou que 24% ainda não haviam realizado simulações sobre os impactos financeiros da Reforma Tributária.
Outros 34% não sabiam como as mudanças poderiam afetar os preços de produtos e serviços em 2027. O estudo também mostrou que 37% ainda não haviam revisado contratos com clientes e fornecedores considerando o novo cenário tributário.
A pesquisa aponta ainda desafios relacionados ao capital de giro e à tecnologia. Entre as empresas consultadas, 37% ainda não haviam avaliado os impactos do chamado split payment sobre o capital de giro.
O mecanismo permitirá que, em determinadas operações, o valor correspondente ao tributo seja separado no momento do pagamento, alterando a dinâmica financeira hoje utilizada pelas empresas.
Reforma vai além da área contábil
As mudanças reforçam que a Reforma Tributária não deve ser tratada exclusivamente como uma questão fiscal ou contábil. Embora essas áreas tenham papel central na adaptação, os efeitos podem alcançar praticamente toda a operação empresarial.
Formação de preços, planejamento financeiro, margens de lucro, contratos, relacionamento com fornecedores, negociação com clientes, sistemas de gestão e tecnologia estão entre os pontos que precisam entrar nas análises.
A antecipação permite que as empresas façam simulações de diferentes cenários, revisem contratos, analisem a formação dos preços e identifiquem possíveis alterações no fluxo de caixa antes que os principais efeitos financeiros do novo sistema sejam sentidos.
Micro e pequenas empresas também precisam se preparar
As adaptações não estão restritas às grandes companhias. Micro e pequenas empresas também precisam acompanhar as mudanças.
Em agosto de 2026, novas regras foram aprovadas para adequar o Simples Nacional à Reforma Tributária do Consumo e incorporar CBS e IBS ao regime. As alterações produzem efeitos, em regra, a partir de 1º de janeiro de 2027.
Por isso, mesmo negócios de menor porte precisam revisar processos, sistemas, estrutura de custos e formação dos preços, considerando as particularidades do regime tributário em que estão inseridos.
2026 se torna ano estratégico para planejamento
Com poucos meses até uma nova fase da Reforma Tributária, 2026 passa a ser um período estratégico para empresas que pretendem reduzir riscos durante a transição.
A preparação antecipada permite identificar possíveis efeitos sobre margens e caixa, atualizar sistemas, capacitar equipes e renegociar contratos antes que as mudanças sejam incorporadas definitivamente às operações.
Deixar as análises apenas para 2027 pode levar empresas a realizar ajustes sob pressão justamente quando as novas regras começarem a produzir impactos mais diretos sobre os negócios.
Para os empresários, portanto, o desafio deixou de ser apenas entender o que é a Reforma Tributária. O momento é de calcular como ela poderá atingir cada operação e transformar esse diagnóstico em planejamento.
Serviço
Reforma Tributária do Consumo
Período de transição: 2026 a 2033
2026: fase de testes e adaptações da CBS e do IBS
2027: cobrança da CBS, extinção de PIS e Cofins e início do Imposto Seletivo
2029 a 2032: substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS
2033: implementação integral do novo modelo
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