Primeira edição no Ceará reuniu 150 pessoas no Shopping Benfica e transformou a sala de cinema em espaço de convivência, criatividade e produção artesanal

Uma sala de cinema, 150 pessoas, agulhas, linhas e novelos trabalhando enquanto o filme seguia na tela. A estreia do Cine Crochê no Ceará mostrou que uma sessão pode ganhar novas camadas quando entretenimento, trabalho manual e convivência ocupam o mesmo espaço.
Realizada no último sábado, 26 de setembro, no Cinemas Benfica, em Fortaleza, a primeira edição da experiência teve todos os ingressos esgotados. O encontro, promovido em parceria com a Stilo Barbantes, reuniu crianças, jovens e adultos para assistir ao filme Minha Melhor Amiga enquanto produziam peças de crochê.
O resultado chamou atenção não apenas pela lotação, mas pela diversidade geracional dentro da sala. Participantes com diferentes níveis de familiaridade com o artesanato dividiram uma atividade tradicional em um ambiente normalmente associado apenas à exibição audiovisual.
Crochê vira experiência coletiva

A dinâmica transformou o ato de assistir a um filme em uma programação participativa. Em vez de ocupar a poltrona apenas como espectadores, os participantes também desenvolveram suas próprias peças durante a sessão.
Quatro tutores da Stilo Barbantes acompanharam o público, orientando a execução dos trabalhos e esclarecendo dúvidas sobre materiais e receitas.
Cada ingresso custou R$ 50 e incluía agulha, barbante, linha Vivere, duas receitas de inspiração, pipoca e refrigerante. Ao final, a programação ainda teve interação entre os participantes e sorteio de brindes.
O formato ajuda a explicar o interesse despertado pela iniciativa. Ao colocar uma prática manual dentro de uma experiência cultural coletiva, o Cine Crochê cria um encontro que não depende exclusivamente do filme exibido. A própria atividade passa a integrar o entretenimento.
Projeto aguardava dois anos para chegar a Fortaleza

Segundo Karla Garcia, gerente comercial da Stilo Barbantes, a empresa acompanhava experiências semelhantes realizadas em outras cidades brasileiras e trabalhava havia cerca de dois anos para viabilizar o projeto no Ceará.
“Como uma indústria cearense, tínhamos o desejo de trazer essa experiência para Fortaleza, e encontrar no Shopping Benfica a abertura para realizar a primeira edição no Ceará foi muito importante para nós. Os ingressos se esgotaram em poucos dias e o resultado superou nossas expectativas”, afirma.
A estreia também funciona como uma experiência para novos formatos dentro das salas de exibição. Ao receber uma atividade que mistura cinema, artesanato e interação social, o espaço amplia a relação com o público para além da programação cinematográfica convencional.
Para Valérya Abreu, gerente dos Cinemas Benfica, a proposta mostrou outras possibilidades de utilização do ambiente.
“Receber o Cine Crochê foi uma oportunidade de experimentar um novo formato de sessão e perceber como o cinema pode acolher atividades que dialogam com diferentes interesses do público”, destaca.
Entre a tela e os pontos
O encontro entre gerações foi um dos elementos mais visíveis da programação. O crochê, associado historicamente ao conhecimento transmitido entre familiares e diferentes gerações, apareceu dentro da sala em uma dinâmica mais contemporânea, compartilhada entre pessoas que nem sempre se conheciam antes da sessão.
Nesse contexto, o sucesso de público da primeira edição sinaliza espaço para experiências culturais que combinam consumo de conteúdo, criatividade e participação ativa.
No Cine Crochê, a tela continuou sendo parte central da sessão. Mas, entre um ponto e outro, o público também ajudou a construir a própria experiência.
Crédito de imagens: Mix Comunicação
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