Pesquisa mostra que 40% dos compradores enxergam a aquisição como investimento; entre eles, geração de renda supera estratégia de esperar valorização para revenda.

O investimento em imóveis continua ocupando espaço nas estratégias de brasileiros que buscam construir patrimônio e criar novas fontes de renda. Entre as pessoas que compraram um imóvel nos 12 meses anteriores ao primeiro trimestre de 2026, 40% declararam que a aquisição teve finalidade de investimento.
Dentro desse grupo, a geração de receita aparece como principal objetivo. Ao todo, 58% dos investidores pretendiam obter renda com aluguel, enquanto 42% compraram pensando principalmente na valorização do imóvel para uma futura revenda.
Os dados mostram uma mudança importante na forma de olhar para a propriedade: além de patrimônio, o imóvel passa a ser tratado como um ativo capaz de produzir receita recorrente.
Aluguel amplia possibilidades de retorno
A locação tradicional permanece como uma das alternativas para transformar o imóvel em fonte de renda, mas a expansão do aluguel de curta temporada ampliou as possibilidades disponíveis aos proprietários.
Em 2025, a atividade de aluguel por temporada por meio do Airbnb movimentou R$ 113,2 bilhões na economia brasileira. O impacto estimado sobre o Produto Interno Bruto chegou a R$ 62,8 bilhões, enquanto a atividade sustentou 703,9 mil postos de trabalho.
O avanço desse modelo também aumentou o interesse por imóveis que consigam atender públicos diferentes, como moradores em contratos convencionais, turistas, profissionais em viagens temporárias e pessoas que buscam estadias por períodos menores.
A modalidade, no entanto, exige uma operação diferente do aluguel residencial de longo prazo. Mobília, limpeza, manutenção frequente, gestão de reservas, taxas das plataformas, períodos de menor ocupação e regras condominiais podem afetar diretamente o resultado financeiro.
Valorização reforça interesse pelo mercado
A geração de renda não é o único componente considerado pelo investidor. A valorização dos imóveis também segue como parte importante da decisão de compra.
O Índice FipeZAP de Venda Residencial registrou alta de 7,73% nos preços em 2024. Em 2025, a valorização média foi de 6,52%, segundo melhor resultado anual dos últimos 11 anos, atrás apenas do desempenho registrado no ano anterior.
Esse movimento ajuda a explicar por que parte dos compradores mantém a estratégia de adquirir imóveis para uma eventual revenda, mas a valorização passada não garante que o mesmo desempenho será repetido no futuro.
Rentabilidade vai além do valor do aluguel
Para Clausens Duarte, engenheiro civil e diretor-presidente da CR Duarte Engenharia, a decisão de investir precisa considerar tanto o potencial de valorização quanto a capacidade de o imóvel gerar renda dentro da realidade de cada região.
Localização, perfil do público, finalidade de uso e demanda por locação interferem na capacidade de retorno do ativo. Um imóvel voltado à moradia convencional, por exemplo, pode exigir características diferentes de uma unidade pensada para curta temporada ou ocupação comercial.
A conta também não deve se limitar à comparação entre o preço de compra e o aluguel mensal.
Condomínio, IPTU, manutenção, tributação, administração, períodos sem inquilino e eventuais reformas reduzem a rentabilidade efetivamente recebida pelo proprietário. Em imóveis destinados à curta temporada, entram ainda gastos com mobília, enxoval, limpeza e operação.
Por isso, dois imóveis com aluguel mensal semelhante podem apresentar retornos líquidos bastante diferentes.
Antes de comprar, é preciso fazer a conta completa
Para quem pretende transformar o imóvel em fonte de renda, a análise deve começar pela demanda existente na região. Proximidade de centros comerciais, áreas turísticas, serviços, universidades, hospitais e polos empresariais pode influenciar tanto a procura quanto o perfil de locação.
Também é necessário avaliar o tempo necessário para recuperar o capital aplicado e comparar o retorno líquido do imóvel com outras alternativas de investimento.
A valorização pode aumentar o patrimônio no longo prazo, mas não substitui a análise de fluxo de caixa. Para quem pretende viver da renda gerada pela propriedade, ocupação, despesas recorrentes e capacidade de reajuste do aluguel ganham peso ainda maior na decisão.
Serviço | O que analisar antes de comprar para investir
• Preço de aquisição e custos de documentação
• Demanda por aluguel na região
• Valor médio praticado em imóveis semelhantes
• Condomínio e IPTU
• Custos de manutenção e administração
• Possíveis períodos de vacância
• Gastos com mobília e operação na curta temporada
• Potencial de valorização
• Rentabilidade líquida esperada
• Liquidez em uma eventual revenda
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