Ator e roteirista dará vida a Isaque em “O Berço”, longa de Lucas Procópio que une drama familiar, horror psicológico e tensão emocional em uma narrativa marcada por luto, memória e conflitos familiares
O cinema brasileiro segue ampliando sua presença em produções que dialogam com gêneros de forte apelo internacional, como o suspense psicológico e o horror dramático. Dentro desse movimento, o ator e roteirista Gabriel Coppola acaba de confirmar um dos passos mais importantes de sua trajetória artística. Ele será o protagonista de “O Berço”, longa-metragem dirigido por Lucas Procópio, em coprodução entre a Fourfé Filmes e a Lira Filmes.
Na produção, Gabriel interpretará Isaque, filho da personagem vivida por Sandra Corveloni, atriz consagrada nacional e internacionalmente e vencedora do prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes por sua atuação em “Linha de Passe”, filme de Walter Salles e Daniela Thomas. A parceria coloca o jovem artista em contato direto com uma das intérpretes mais respeitadas da dramaturgia brasileira, em um projeto que aposta em densidade emocional, atmosfera sombria e conflitos familiares como pilares narrativos.
“O Berço” é apresentado como um suspense de horror psicológico com forte carga dramática. A trama acompanha uma mãe conservadora que, após a morte trágica do filho gay, passa a ser assombrada pelo espectro do jovem durante as comemorações de Natal da família. O enredo aproxima o filme de uma vertente contemporânea do gênero que usa o medo não apenas como choque visual, mas como consequência de dores familiares, culpas, silêncios e traumas não resolvidos.
Para Gabriel Coppola, assumir o papel central do longa representa uma virada significativa. O convite surge em um momento de projeção internacional, após sua circulação pelo Marché du Film, em Cannes, onde apresentou o projeto autoral “Olhos em Mim”. A mesma edição do mercado também serviu como vitrine para “O Berço”, reforçando a conexão do filme com uma estratégia de internacionalização e articulação com o mercado audiovisual global.
Um encontro de gerações no cinema brasileiro
A presença de Sandra Corveloni no elenco amplia o peso artístico da produção. Reconhecida pela força de suas interpretações e por uma carreira marcada por teatro, cinema e televisão, a atriz carrega uma trajetória que se tornou referência para diferentes gerações de intérpretes brasileiros.
Para Gabriel, dividir a cena com Sandra é um momento de aprendizado e responsabilidade artística.
“A Sandra é uma referência absoluta. É uma atriz que construiu uma trajetória admirável e que carrega uma verdade muito rara em cena. Poder dividir esse projeto com ela é uma honra enorme”, destaca Gabriel Coppola sobre a oportunidade de dividir o projeto com a veterana. “Existe, sim, uma responsabilidade, mas principalmente um sentimento de gratidão. Estou chegando com muita vontade de aprender, observar e aproveitar cada momento dessa troca”, completa.
A fala do ator revela o tom com que ele encara a nova etapa. Em vez de tratar o protagonismo apenas como ascensão profissional, Gabriel reforça a ideia de troca, observação e construção coletiva. Em um filme que depende da relação emocional entre mãe e filho para sustentar sua tensão, essa parceria tende a ser decisiva para a força da narrativa.
“O Berço” aposta no horror psicológico como linguagem emocional
O longa dirigido por Lucas Procópio parte de um território cada vez mais explorado pelo cinema contemporâneo: o horror como forma de investigar feridas íntimas. Em obras recentes do gênero, o sobrenatural frequentemente funciona como manifestação de conflitos familiares, repressões, lutos e memórias. “O Berço” se insere nesse campo ao transformar a presença do filho morto em uma força que tensiona a relação entre passado e presente.
A referência a filmes como “Hereditário”, de Ari Aster, ajuda a localizar o tipo de experiência proposta pela produção. Não se trata apenas de construir sustos ou atmosferas de ameaça. A intenção está ligada à criação de um ambiente psicológico sufocante, em que a casa, a família e o ritual natalino passam a carregar camadas de medo, culpa e confronto moral.
Nesse contexto, Isaque surge como personagem central não apenas pela relação com a mãe, mas pela forma como sua ausência se transforma em presença. O papel exige sensibilidade para evitar simplificações. A história envolve sexualidade, conservadorismo, luto e memória familiar, temas que pedem uma interpretação capaz de equilibrar dor, humanidade e mistério.
Segundo o material de divulgação, a escolha de Gabriel Coppola para o papel levou em conta sua capacidade de unir intensidade dramática e sensibilidade. Esse equilíbrio será fundamental para que Isaque não seja apenas uma figura fantasmagórica, mas um personagem com densidade emocional e impacto na trajetória da mãe.
De Cannes ao protagonismo
A confirmação em “O Berço” acontece logo após um período estratégico para Gabriel Coppola. O ator e roteirista esteve no Marché du Film, ambiente considerado um dos principais pontos de encontro da indústria audiovisual mundial, onde apresentou “Olhos em Mim”, seu projeto autoral.
A experiência em Cannes aparece como um divisor de águas para o artista. Além de ampliar conexões profissionais, a passagem pelo mercado cinematográfico abriu espaço para novos diálogos e oportunidades. Foi nesse contexto que Gabriel se aproximou do projeto dirigido por Lucas Procópio.
“Fui apresentado ao projeto e ao trabalho do diretor Lucas Procópio em um momento muito especial. Cannes foi um divisor de águas para mim, tanto pela oportunidade de apresentar meus próprios projetos quanto pelas conexões que surgiram por lá”, revela o ator. “Receber o convite para protagonizar um longa logo depois disso foi uma notícia que me deixou muito feliz. Vejo esse papel como um passo importante na construção da carreira que venho buscando no cinema. É uma oportunidade de assumir um personagem central em uma história que tem ambição artística e emocional, algo que sempre me atraiu como ator”, pondera.
A declaração reforça a dimensão simbólica do convite. Para Gabriel, o protagonismo não surge isolado, mas conectado a um processo de amadurecimento criativo. Ao mesmo tempo em que avança como ator, ele também se movimenta como roteirista, apresentando projetos autorais e buscando espaço em narrativas de maior densidade.
A força de um personagem marcado por ausências
Em “O Berço”, Isaque deve ocupar um lugar complexo dentro da estrutura dramática. A morte do personagem é o ponto de partida para o mergulho psicológico da mãe, mas sua presença espectral também parece funcionar como elemento de confronto. A história sugere uma investigação sobre aquilo que permanece depois da perda, especialmente quando relações familiares foram atravessadas por rejeição, rigidez moral e impossibilidade de escuta.
Para Gabriel Coppola, esse tipo de construção é justamente o que torna o papel desafiador. O ator afirma que ainda está entrando no universo do filme, mas já identifica no personagem uma oportunidade de explorar camadas humanas e interpretações abertas.
“Ainda estou entrando em contato com o universo do filme, mas gosto de personagens que provocam reflexão e despertam diferentes interpretações no público. Acho que o maior desafio será encontrar a humanidade dele, fugir de respostas fáceis e construir alguém que seja genuíno dentro daquela história”, declara.
A preocupação com a humanidade do personagem indica um caminho relevante para o filme. Em narrativas que envolvem temas sensíveis, a força dramática costuma depender da capacidade de escapar de estereótipos e construir figuras que carreguem contradições, vulnerabilidades e desejos próprios. Isaque, nesse sentido, pode ser uma peça essencial para transformar o horror em experiência emocional.
Cinema brasileiro amplia diálogo com o gênero
A chegada de “O Berço” também reforça um momento em que o audiovisual brasileiro busca novas formas de dialogar com gêneros populares sem abrir mão de camadas autorais. O horror psicológico, quando bem construído, permite unir impacto comercial, tensão narrativa e debate social. Essa combinação tem atraído públicos diversos e encontrado espaço em festivais, plataformas e mercados internacionais.
Ao abordar uma história atravessada por luto, conservadorismo familiar e identidade, o filme parece mirar um território em que o medo nasce das relações humanas. O ambiente natalino, tradicionalmente associado à união familiar, ganha contornos opostos na narrativa. A celebração se transforma em palco de assombro, memória e confronto.
Essa inversão pode ser um dos pontos fortes da obra. O Natal, dentro da trama, não aparece apenas como cenário. Ele funciona como símbolo de família, tradição e expectativa social. Quando atravessado pela presença de um filho morto e por tensões não resolvidas, esse símbolo ganha força dramática.
Preparação para um papel de alta carga emocional
Ainda em fase de desenvolvimento e financiamento, “O Berço” deve exigir de seu elenco uma preparação cuidadosa. Gabriel Coppola já demonstra entusiasmo com o início dos trabalhos e com a possibilidade de construir o personagem ao lado de uma equipe que admira.
“Estou muito animado para começar esse processo e trabalhar ao lado de profissionais que admiro. Todo início de projeto traz aquele misto de ansiedade e entusiasmo, mas acho que isso faz parte. Quero aproveitar cada etapa da preparação e chegar ao set o mais pronto possível para viver essa experiência”, finaliza.
A fala sintetiza o momento vivido pelo ator. Gabriel chega ao projeto em uma fase de expansão, acumulando experiências como intérprete, roteirista e criador. Ao assumir um protagonista em um longa com ambição artística e circulação internacional, ele fortalece sua presença em um cenário audiovisual cada vez mais aberto a novos nomes e novas narrativas.
“O Berço” ainda não teve data de estreia divulgada. Mesmo assim, a reunião entre Gabriel Coppola, Sandra Corveloni, Lucas Procópio, Fourfé Filmes e Lira Filmes já coloca a produção no radar de quem acompanha o cinema brasileiro contemporâneo, especialmente dentro do segmento de suspense psicológico e horror dramático.
Serviço
Filme: “O Berço”
Gênero: suspense, horror psicológico e drama familiar
Direção: Lucas Procópio
Elenco: Gabriel Coppola e Sandra Corveloni
Personagem de Gabriel Coppola: Isaque
Produção e coprodução: Fourfé Filmes e Lira Filmes
Status: em fase de desenvolvimento e financiamento
Crédito da foto de divulgação: Johnny Moraes
Previsão de estreia: não informada até o momento
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