Primeiro grupo de carimbó do Brasil formado exclusivamente por mulheres indígenas se apresenta nos dias 13 e 17 de setembro e promove oficinas, roda de conversa e outras atividades na Praia de Iracema.

Suraras do Tapajós em Fortaleza ganham dois palcos gratuitos em setembro com uma programação que conecta música, ancestralidade, protagonismo feminino e defesa dos territórios indígenas. O grupo paraense se apresenta neste domingo, 13, às 19h, em frente ao Soul do Pará, na Praia de Iracema, e retorna ao palco na quinta-feira, 17, às 19h30, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
A passagem pela capital cearense integra a turnê nacional “Suraras do Tapajós: Mulheres Indígenas, a Voz da Resistência”, maior projeto de circulação já realizado pelo conjunto. Fortaleza é a quinta cidade a receber a iniciativa, depois de apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Belo Horizonte.
Além dos shows, a agenda reúne atividades de formação e intercâmbio cultural, com roda de conversa, oficinas de moda consciente, carimbó e técnica de som, vivência de bastidores e feira de artesanato indígena.
Suraras do Tapajós em Fortaleza unem música e ancestralidade
Criadas em 2018 a partir da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, as artistas surgiram em Alter do Chão, distrito de Santarém, no Pará, território do povo Borari. O grupo levou mulheres indígenas a um espaço de protagonismo dentro do carimbó, manifestação historicamente marcada pela presença masculina.
No palco, as integrantes utilizam curimbós, maracas produzidas com cuias, banjo e violão, acompanhados por arranjos vocais que alternam solista e coro. A dança também ocupa papel central e aproxima o público da tradicional roda de carimbó.
O repertório reúne composições autorais do álbum “A Força Que Vem das Águas: Kiribasáwa Yúri Yí-Itá”, singles mais recentes e músicas de referências paraenses, entre elas Dona Onete. Natureza, rios, ancestralidade, mulheres e a defesa dos territórios aparecem de forma recorrente nas letras.
O Nheengatu também está presente em músicas e falas do grupo, reforçando a preservação e a circulação de saberes originários por meio da arte.
Um espetáculo entre celebração e manifesto
A experiência proposta pelas Suraras ultrapassa o formato convencional de um show. Elementos simbólicos dos povos amazônicos fazem parte da construção visual e artística das apresentações, com grafismos corporais produzidos com jenipapo, saias artesanais, cocares, biojoias e outros adornos.
Em determinado momento, o público é apresentado ao banho de cheiro feito com ervas medicinais, prática ancestral amazônica associada à proteção e ao bem-estar. Música, dança, espiritualidade e participação coletiva passam a dividir o mesmo espaço.
A proposta acompanha o posicionamento construído pelo grupo ao longo de oito anos. Para as integrantes, ocupar os palcos também significa ampliar discussões sobre preservação da floresta, direitos dos povos indígenas, protagonismo das mulheres e proteção das águas.
“Somos um território encontrando outros”, resume Val Munduruku, integrante das Suraras e presidente da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós.
Circulação nacional e internacional
Antes da atual circulação brasileira, as Suraras ampliaram a presença fora do país. O grupo passou pelo Canadá e realizou apresentações na Europa, incluindo França, Portugal e Finlândia. Também integrou a programação da COP30, realizada em Belém.
A trajetória inclui ainda participações em eventos e circuitos como Virada Cultural de São Paulo, Coala Festival, Rec-Beat, Se Rasgum e Festival Psica. Em 2024, as Suraras estiveram na edição comemorativa de 40 anos do Rock in Rio.
A turnê atual percorre 12 cidades brasileiras e foi contemplada pela Seleção Petrobras Cultural. O projeto tem patrocínio da Petrobras, realização do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet e produção da Alter do Som.
Depois da passagem por Fortaleza, a circulação segue por outras cidades do país, levando o carimbó produzido pelas mulheres indígenas do Tapajós a novos públicos.
Serviço
Suraras do Tapajós em Fortaleza
Domingo, 13 de setembro
Roda de conversa
Horário: 15h
Local: Instituto Poliglota
Endereço: Rua dos Tabajaras, 629, Praia de Iracema
Inscrições: Sympla
Oficina de moda consciente
Horário: 17h
Local: Instituto Poliglota
Endereço: Rua dos Tabajaras, 629, Praia de Iracema
Inscrições: Sympla
Show das Suraras do Tapajós
Horário: 19h
Local: em frente ao Soul do Pará
Endereço: Rua dos Tabajaras, 629, Praia de Iracema
Entrada gratuita
Terça-feira, 15 de setembro
Oficina de técnico de som
Horário: 15h
Local: Instituto Poliglota
Endereço: Rua dos Tabajaras, 629, Praia de Iracema
Quinta-feira, 17 de setembro
Oficina de carimbó
Horário: 11h
Local: Instituto Poliglota
Endereço: Rua dos Tabajaras, 629, Praia de Iracema
Inscrições: Sympla
Vivência técnica
Local: Dragão das Encantarias, Espaço Rogaciano Leite Filho, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Show das Suraras do Tapajós
Horário: 19h30
Local: Dragão das Encantarias, Espaço Rogaciano Leite Filho, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Endereço: Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema
Entrada gratuita
Feira de artesanato indígena
Data: 17 de setembro
Local: Espaço Rogaciano Leite Filho
Horário: durante a programação do show
Informações e inscrições: @surarasdotapajos
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