Obra da Fundação Waldemar Alcântara será lançada em Fortaleza e revisita a trajetória cultural do Ceará a partir de depoimentos de artistas, gestores, pesquisadores e agentes que ajudaram a construir o cenário artístico do Estado
A cultura cearense ganha um novo documento de memória, escuta e reflexão. A Fundação Waldemar Alcântara lança, no dia 26 de junho de 2026, a partir das 18h30, o livro Ceará em 40 anos: Cultura e memória, publicação que reúne 44 depoimentos para reconstruir, por diferentes perspectivas, a trajetória da vida cultural do Estado ao longo de mais de quatro décadas.
Organizada por Dora Freitas e Sílvia Furtado, a obra adota como ponto de partida o ano de 1983, data de criação da própria Fundação Waldemar Alcântara. A escolha do marco temporal conecta a história da instituição ao processo de amadurecimento das políticas, iniciativas, linguagens e movimentos que ajudaram a moldar o circuito cultural cearense nas últimas décadas.
O livro propõe uma leitura ampla sobre o Ceará a partir de quem viveu, criou, pesquisou, geriu, produziu e acompanhou transformações importantes no campo cultural. A publicação reúne artistas, gestores públicos, pesquisadores, produtores culturais, criadores e agentes que atuaram em diferentes áreas, como artes visuais, audiovisual, música, literatura, cultura popular, gestão, pensamento crítico e pesquisa.
O resultado é uma obra que ultrapassa a lógica de uma publicação comemorativa. Ceará em 40 anos: Cultura e memória se apresenta como um exercício de preservação simbólica, construído a partir de vozes que ajudam a compreender como a cultura cearense se consolidou, resistiu, se reinventou e abriu caminhos para novas gerações.
Um livro feito de vozes, lembranças e escolhas
A proposta central da publicação é contar o tempo pelas vozes que o atravessaram. Em vez de organizar a história cultural cearense apenas por datas, eventos ou instituições, o livro se apoia em depoimentos como matéria-prima para recompor uma linha do tempo humana, afetiva e política.
Essa escolha dá à obra um valor especial. Ao reunir 44 relatos, o projeto reconhece que a memória cultural não é formada por uma narrativa única. Ela nasce do cruzamento entre experiências pessoais, trajetórias coletivas, políticas públicas, iniciativas independentes, movimentos artísticos, espaços de formação e ações que, em diferentes momentos, ajudaram a ampliar o acesso à cultura no Ceará.
Cada depoimento funciona como uma camada dessa construção. Alguns olhares partem da gestão pública. Outros vêm da criação artística, da produção cultural, da pesquisa acadêmica, da literatura, das artes visuais, do audiovisual ou das manifestações populares. Juntos, eles constroem um panorama plural, que valoriza a diversidade de linguagens e experiências que marcam a cultura cearense.
Para a coorganizadora Sílvia Furtado, o valor do projeto está justamente em transformar trajetórias dispersas em um documento de referência sobre o Estado. “Cada depoimento é uma camada de memória. Reuni-las em um único volume é entregar ao Ceará um retrato de si mesmo, construído por quem viveu e fez essa história acontecer”, afirma.
1983 como ponto de partida para entender o Ceará cultural
A escolha de 1983 como marco inicial da obra tem peso simbólico e histórico. O ano marca a criação da Fundação Waldemar Alcântara, instituição que, desde sua origem, atua no campo da preservação documental, da memória bibliográfica e da produção editorial ligada à história do Ceará.
Ao partir desse recorte, o livro observa o que mudou no cenário cultural do Estado em quatro décadas. O período permite acompanhar transformações profundas: a profissionalização de agentes culturais, o fortalecimento de equipamentos e políticas públicas, o crescimento de festivais, a expansão da produção audiovisual, a valorização de mestres e mestras da cultura, o avanço da pesquisa, a circulação de artistas cearenses e o reconhecimento de manifestações populares como parte essencial da identidade do Estado.
Esse percurso também revela que o campo cultural é construído com continuidade. O que hoje parece consolidado, em muitos casos, nasceu de tentativas, disputas, projetos, articulações e insistências de diferentes gerações.
A própria Sílvia Furtado observa que o ponto de partida não foi escolhido ao acaso. “Quando olhamos para o Ceará de quatro décadas atrás, percebemos que boa parte do que hoje parece natural no campo cultural ainda era desejo e tentativa. Registrar esse percurso é compreender como uma política de cultura se constrói no tempo, com insistência e com escolhas”, observa Sílvia Furtado.
Cultura como documento, presença e permanência
Um dos pontos centrais de Ceará em 40 anos: Cultura e memória está na compreensão de que lembrar é também elaborar. A obra trabalha a memória não como um arquivo estático, mas como um campo vivo, em permanente reorganização.
Ao reunir relatos de diferentes agentes, o livro reconhece que a cultura é formada por permanências, ausências e disputas de sentido. O que se preserva, o que se esquece, o que se registra e o que se transmite são decisões que influenciam a forma como uma sociedade compreende a si mesma.
Nesse sentido, a publicação contribui para um debate importante: a necessidade de documentar a produção cultural do Ceará a partir de seus próprios protagonistas. Ao transformar depoimentos em livro, a Fundação Waldemar Alcântara amplia o alcance dessas narrativas e oferece ao público um material que pode servir a pesquisadores, estudantes, jornalistas, gestores, artistas e leitores interessados na história recente do Estado.
O projeto também reforça a importância das instituições de memória em um tempo marcado pela velocidade da informação. Em meio à circulação acelerada de conteúdos, iniciativas editoriais como esta ajudam a organizar referências, preservar trajetórias e construir pontes entre passado, presente e futuro.
Tributo a nomes que seguem presentes na cultura cearense
A obra também presta tributo a personagens fundamentais que já não podem ser ouvidos diretamente, mas continuam presentes por meio de suas ideias, obras, gestos e contribuições. Entre os nomes citados estão Violeta Arraes, Gilmar de Carvalho, Olga Paiva, Oswald Barroso e Zé Tarcísio.
A presença desses nomes na publicação amplia o caráter de homenagem do livro. Ao citá-los, o projeto reconhece que a cultura cearense foi construída por pessoas que ajudaram a abrir caminhos, consolidar pensamentos, valorizar expressões populares, tensionar debates e formar novas gerações.
Violeta Arraes, Gilmar de Carvalho, Olga Paiva, Oswald Barroso e Zé Tarcísio representam diferentes campos de atuação, mas compartilham um ponto comum: deixaram contribuições que seguem atravessando a produção cultural do Ceará. O livro não os trata apenas como referências do passado. Eles aparecem como vozes que continuam ecoando nas práticas, nos acervos, nos palcos, nas pesquisas e nas formas de pensar a identidade cultural do Estado.
Um panorama assumidamente incompleto
Ao reunir 44 vozes, Ceará em 40 anos: Cultura e memória oferece um recorte expressivo, mas os próprios organizadores reconhecem que ele não pretende encerrar a discussão. A produção cultural cearense é ampla, diversa e espalhada por diferentes territórios, linguagens, gerações e contextos.
Esse reconhecimento fortalece a obra. Em vez de propor uma narrativa definitiva, o livro se apresenta como uma contribuição para a construção de uma memória coletiva. O recorte escolhido aponta caminhos, ilumina trajetórias e abre espaço para novas pesquisas, novas publicações e novas escutas.
A incompletude, nesse caso, não enfraquece o projeto. Ela revela a dimensão do campo cultural cearense. Nenhum livro seria capaz de reunir todas as vozes, experiências e movimentos que formam a cultura do Estado. Ainda assim, a publicação cumpre um papel fundamental ao registrar parte importante desse percurso e ao incentivar que outras memórias também sejam preservadas.
Fundação reforça papel na preservação da memória cearense
A publicação integra a atuação da Fundação Waldemar Alcântara no campo da cultura e da memória. Criada em 1983, a instituição desenvolve ações ligadas à pesquisa histórica, à catalogação de documentos, à preservação de acervos e à produção editorial.
Com o lançamento de Ceará em 40 anos: Cultura e memória, a Fundação volta seu olhar para as pessoas que mantêm a cultura em movimento. A escolha reforça uma dimensão essencial da memória: os acervos, documentos e publicações são fundamentais, mas a história também é feita por vozes, testemunhos, experiências e trajetórias humanas.
A sede da Fundação, em Fortaleza, também carrega valor simbólico nesse processo. O espaço está diretamente associado à memória de Waldemar Alcântara e abriga atividades voltadas à preservação histórica e bibliográfica do Ceará. A realização do lançamento no próprio local reforça o vínculo entre livro, instituição e território.
Um convite à leitura do Ceará por dentro
Ceará em 40 anos: Cultura e memória chega ao público como uma obra de referência para quem deseja compreender a cultura cearense por dentro. O livro oferece uma leitura construída não apenas por registros formais, mas por pessoas que participaram diretamente da formação de um cenário cultural plural, inquieto e em constante transformação.
A publicação também chega em um momento em que o debate sobre memória, identidade e preservação ganha força no Brasil. Ao olhar para quatro décadas de produção cultural no Ceará, a obra ajuda a compreender como políticas, artistas, instituições, coletivos e pesquisadores contribuíram para formar um ambiente criativo reconhecido por sua diversidade.
O lançamento, marcado para 26 de junho, é também um encontro com a própria história recente do Estado. Em cada depoimento, há uma parte do Ceará que se revela. Em cada trajetória, uma memória que se preserva. Em cada página, uma tentativa de compreender o tempo não como algo que passa, mas como algo que permanece quando encontra quem o registre.
Serviço
Lançamento do livro Ceará em 40 anos: Cultura e memória
Data: 26 de junho de 2026
Horário: 18h30
Local: Fundação Waldemar Alcântara
Endereço: Rua Júlia Vasconcelos, 100, Fortaleza
Vendas: no local
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