Radar do Varejo Cearense aponta avanço de 6,7% no número de negativados em maio, enquanto inflação pressiona famílias e comércio segue com desempenho positivo no estado
O número de cearenses com o nome negativado voltou a crescer em maio de 2026, mas em ritmo menor do que o observado no mês anterior. Segundo o Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas do Ceará, o avanço foi de 6,7% na comparação com maio de 2025. O dado ficou abaixo da alta registrada em abril, quando a inadimplência havia subido 10%, e também abaixo da média nacional, que alcançou 8,9% no mesmo período.
As informações constam na edição de junho de 2026 do Radar do Varejo Cearense, publicação da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará, a FCDL-CE, em parceria com o SPC Brasil. O levantamento reúne indicadores sobre crédito, consumo, inflação, mercado de trabalho e desempenho do varejo, com foco na leitura econômica do estado.
Apesar da desaceleração no ritmo de crescimento, os números acendem alerta para o orçamento das famílias. A maior parte dos consumidores negativados no Ceará, equivalente a 32,6%, possui dívidas em atraso entre um e três anos. Já os débitos recentes, com até 90 dias, representam 10,1% do total. O valor médio devido por consumidor inadimplente chegou a R$ 4.739 em maio deste ano, alta de 8,4% em relação aos R$ 4.370 registrados no mesmo mês de 2025.
Para o presidente da Federação das CDLs do Ceará, Freitas Cordeiro, o cenário exige atenção redobrada, especialmente diante da pressão dos preços sobre o consumo. Segundo ele, a inflação continua sendo o principal ponto de atenção, com impacto direto no orçamento das famílias e possível influência sobre o comportamento do consumo e dos juros nos próximos meses.
“O principal ponto de atenção continua sendo a inflação. O aumento dos preços, especialmente dos alimentos, vem pressionando o orçamento das famílias e poderá influenciar o comportamento do consumo e dos juros nos próximos meses. Também merece atenção o avanço da inadimplência. Embora o Ceará apresente desempenho melhor que a média nacional, cresce o número de consumidores com restrições de crédito e aumenta o valor médio das dívidas. Por outro lado, o crédito continua em expansão, tanto para famílias quanto para empresas, contribuindo para sustentar a atividade econômica. Em síntese, os dados revelam um comércio que segue crescendo, um mercado de trabalho em recuperação e um ambiente econômico que exige atenção redobrada à inflação e à inadimplência”, afirma Freitas Cordeiro.
Comércio cearense mantém resultado positivo
Mesmo com o aumento do endividamento das famílias, o comércio cearense apresentou desempenho positivo em grande parte dos segmentos analisados. Dados do IBGE mostram que oito das 11 atividades pesquisadas tiveram crescimento nas vendas entre janeiro e abril de 2026.
O destaque ficou para o segmento de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui lojas de departamento, óticas, brinquedos e artigos esportivos, com alta de 10,5%. Em seguida aparecem o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, com crescimento de 7,9%, e o setor de veículos, motocicletas, partes e peças, com avanço de 6,2%.
Na outra ponta, alguns segmentos apresentaram retração no acumulado dos quatro primeiros meses do ano. O principal recuo foi registrado em materiais de construção, com queda de 11,3%, seguido por equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que teve baixa de 10,4%.
O comportamento do varejo indica que, apesar do aperto no orçamento familiar, o consumo ainda encontra sustentação em setores específicos. A expansão do crédito para famílias e empresas também aparece como um dos fatores que ajudam a manter a atividade econômica em movimento no estado.
Inflação pressiona Região Metropolitana de Fortaleza
Outro ponto de atenção apontado pelo Radar é a aceleração da inflação na Região Metropolitana de Fortaleza. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, registrou alta de 0,72% em relação ao mês anterior.
A principal pressão veio do grupo de alimentação e bebidas, que avançou 1,51% no período. No acumulado de 12 meses, a inflação local chegou a 5,3%, acima da média nacional de 4,72%. O resultado reforça a preocupação com o peso dos alimentos no orçamento das famílias e com os reflexos desse movimento sobre o poder de compra dos consumidores.
Na avaliação do setor varejista, o cenário combina sinais positivos e desafios importantes. De um lado, as vendas seguem em crescimento em parte relevante do comércio. De outro, a inflação e a inadimplência continuam impondo limites ao consumo e exigem planejamento de empresários, lojistas e consumidores.
Sobre o Radar do Varejo Cearense
O Radar do Varejo Cearense é uma publicação da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará que reúne dados da economia estadual com base em índices oficiais de órgãos governamentais e entidades de referência. A proposta é oferecer aos empresários do varejo uma leitura consolidada dos principais indicadores econômicos, ajudando na tomada de decisões e no planejamento do setor.
Serviço
Levantamento: Radar do Varejo Cearense
Edição: junho de 2026
Instituição responsável: Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará, FCDL-CE
Parceria: SPC Brasil
Dados de vendas e inflação: IBGE
Acesso: fcdlce.org.br





