Região registrou 12.453 veículos eletrificados em agosto e ficou atrás apenas do Sudeste; no Ceará, BYD Dolphin Mini aparece entre os automóveis mais vendidos do mercado

Os carros elétricos e híbridos no Nordeste ampliaram espaço no mercado automotivo brasileiro em agosto de 2026. A região registrou 12.453 emplacamentos de veículos leves eletrificados durante o mês, o equivalente a 21,7% das vendas nacionais do segmento, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a ABVE.
O desempenho colocou o Nordeste na segunda posição entre as regiões brasileiras, atrás apenas do Sudeste, que concentrou 24.010 unidades, ou 41,8% do mercado. Na sequência aparecem Sul, com 10.058 veículos, Centro-Oeste, com 8.162, e Norte, com 2.703.
Os números mostram que a expansão da eletromobilidade no país já não está concentrada apenas nos grandes mercados consumidores do Sudeste. Estados nordestinos passaram a representar uma parcela relevante dos emplacamentos e também ganharam protagonismo na disputa entre fabricantes que apostam em modelos elétricos e híbridos.
Eletrificados avançam no Brasil
Em todo o país, foram comercializados 57.386 veículos leves eletrificados em agosto, considerando a metodologia da ABVE, que reúne modelos 100% elétricos, conhecidos como BEV, híbridos plug-in, PHEV, híbridos convencionais, HEV, e híbridos flex.
O resultado representa crescimento de 184% na comparação com agosto de 2025, quando haviam sido registrados 20.222 veículos dentro das mesmas categorias. Em relação a julho deste ano, quando ocorreram 56.074 emplacamentos, a alta foi de 2%.
A participação dos eletrificados também alcançou aproximadamente 22% do mercado brasileiro de veículos leves em agosto. Na prática, cerca de 22 de cada 100 veículos leves vendidos no país durante o mês utilizaram alguma das tecnologias consideradas eletrificadas pela entidade.
De janeiro a agosto de 2026, foram 328.477 eletrificados leves emplacados no Brasil, crescimento de 160,5% em relação às 126.071 unidades registradas no mesmo período de 2025.
O avanço colocou o mercado brasileiro próximo de outro marco. A série histórica acompanhada pela ABVE desde 2012 contabilizava 950.183 veículos eletrificados leves em circulação até o encerramento de agosto. Mantido o ritmo de vendas, o país poderá alcançar a marca de um milhão de unidades ainda em setembro.
Elétricos puros lideram vendas
Os automóveis 100% elétricos foram a principal tecnologia entre os eletrificados vendidos em agosto. Os BEV registraram 27.166 emplacamentos e responderam por 47,3% do segmento.
Os híbridos plug-in vieram na sequência, com 20.535 unidades e participação de 35,8%. Juntas, as duas categorias que permitem recarga externa concentraram 83,1% das vendas de eletrificados no mês.
Os híbridos convencionais contabilizaram 4.445 veículos, enquanto os híbridos flex chegaram a 5.240 unidades.
A metodologia é importante para compreender diferenças entre levantamentos divulgados pelo mercado automotivo. A ABVE não classifica os micro-híbridos, conhecidos como MHEV, como veículos eletrificados porque esses modelos não possuem tração elétrica autônoma. Os micro-híbridos registraram isoladamente 6.669 vendas em agosto. Quando somados aos eletrificados, o volume chega a 64.055 unidades, correspondentes a aproximadamente 24% do mercado de veículos leves.
Ceará acompanha transformação do mercado
No Ceará, a presença dos eletrificados já pode ser percebida também entre os modelos com maior número de emplacamentos, independentemente da motorização.
O BYD Dolphin Mini registrou 362 unidades no estado durante agosto e terminou como o segundo automóvel mais vendido no mercado cearense no mês, atrás apenas da Fiat Strada, que contabilizou 450 unidades.
Outro modelo da fabricante chinesa, o BYD Dolphin, apareceu com 203 emplacamentos. O GWM Haval H6 também figurou entre os cinco veículos mais vendidos no Ceará, com 179 unidades.
Quando o recorte considera somente modelos eletrificados, o Dolphin Mini liderou em seis estados nordestinos: Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Bahia.
O Geely EX2 ocupou a liderança entre os eletrificados no Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. No Rio Grande do Norte e em Sergipe, o modelo da Geely chegou inclusive ao primeiro lugar no ranking geral de veículos, incluindo automóveis a combustão.
O cenário evidencia a força adquirida pelas fabricantes chinesas no mercado regional. BYD, Geely e GWM passaram a disputar consumidores com montadoras tradicionais em diferentes faixas de preço e categorias, especialmente por meio de veículos elétricos e híbridos.
Oferta maior influencia decisão do consumidor
A ampliação do portfólio disponível, a chegada de novas marcas, a instalação de fabricantes no Brasil e o crescimento da infraestrutura de recarga estão entre os fatores associados à expansão do segmento.
O país já conta com mais de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga, segundo levantamento divulgado pela ABVE. A maior disponibilidade de eletropostos reduz uma das principais barreiras enfrentadas nos primeiros anos de comercialização dos veículos totalmente elétricos.
Para Leonardo Dall’Olio, diretor comercial do Grupo Carmais, a mudança também está relacionada ao nível de informação dos consumidores e à maior diversidade de produtos disponíveis.
“O consumidor está mais informado e encontra hoje uma oferta muito maior de veículos eletrificados. Isso muda a percepção sobre esse tipo de automóvel e faz com que a tecnologia passe a ser considerada de forma mais natural no momento da compra”, afirma.
Com mais de 50 anos de atuação no setor automotivo, o Grupo Carmais mantém operações com diferentes fabricantes no Nordeste e acompanha a entrada de novas marcas e tecnologias no mercado regional.
Os resultados de agosto indicam que a eletrificação deixou de representar um nicho restrito a determinados mercados e passou a ocupar uma parcela relevante das vendas brasileiras. No Nordeste, a participação de 21,7% do volume nacional reforça o peso crescente da região na transformação do setor automotivo.
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