Especialista alerta que decisão de pequenos fornecedores em setembro de 2026 influenciará créditos tributários de médias e grandes empresas e poderá impactar preços ao consumidor
Enquanto hotéis, restaurantes, organizadores de eventos e demais empresas do setor de Turismo e Serviços vivem um dos períodos de maior movimentação do ano, os impactos da Reforma Tributária já exigem atenção das áreas jurídica e financeira. Um dos principais pontos de alerta envolve a escolha que micro e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional deverão fazer até setembro de 2026 sobre a forma de recolhimento dos novos tributos CBS e IBS.
Embora a decisão seja tomada pelos pequenos negócios, seus efeitos alcançam diretamente médias e grandes empresas contratantes. Isso porque a opção escolhida pelos fornecedores determinará o volume de créditos tributários que poderá ser aproveitado pelas empresas tomadoras no novo sistema de não cumulatividade.
Escolha dos fornecedores pode aumentar custos operacionais
Segundo o advogado tributarista Igor Frota Moreira, do APSV Advogados, a lógica da Reforma Tributária prevê que empresas possam utilizar créditos gerados na aquisição de bens e serviços para compensar parte dos tributos devidos.
Nesse contexto, a escolha feita pelos fornecedores do Simples Nacional ganha relevância estratégica.
Caso permaneçam no regime tradicional do Simples Nacional, continuarão recolhendo menos tributos individualmente, mas gerarão créditos reduzidos para seus clientes. Já aqueles que optarem pelo recolhimento do IBS e da CBS fora do Simples passarão a oferecer créditos integrais às empresas contratantes, ainda que assumam novas obrigações acessórias.
“Diversas redes hoteleiras, restaurantes ou operadores de eventos dependem hoje de uma malha extensa de terceirizados e fornecedores. Se, em setembro, boa parte dessa cadeia decidir permanecer no Simples tradicional, é a empresa tomadora, a média ou grande operação do setor, que perde o direito a esses créditos. Na prática, o custo de operação sobe justamente no auge da temporada, e esse efeito cascata tende a chegar, mais cedo ou mais tarde, ao preço pago pelo hóspede, pelo cliente do restaurante ou pelo participante do evento”, afirma Igor Frota Moreira.
Mapeamento da cadeia de fornecedores deve começar ainda em 2026
Apesar de muitos empresários associarem os principais efeitos da Reforma Tributária apenas ao início de 2027, quando a CBS substituirá definitivamente PIS e Cofins, o especialista ressalta que o planejamento precisa ocorrer ainda neste segundo semestre.
A recomendação é identificar quais fornecedores são optantes pelo Simples Nacional, abrir diálogo sobre a escolha tributária que será realizada em setembro e revisar contratos de longo prazo para avaliar possíveis impactos financeiros.
“O segundo semestre de 2026 deve ser usado para mapear quais fornecedores são optantes pelo Simples Nacional, abrir um canal de diálogo direto com eles sobre a opção que farão em setembro e revisar as cláusulas dos contratos de longo prazo. É preciso avaliar, contrato por contrato, se vale a pena manter parceiros que não vão gerar crédito ou se será necessário negociar reajustes para equilibrar a perda financeira antes que o novo sistema entre em vigor de forma definitiva”, conclui o advogado.
Sobre o APSV Advogados
Fundado em 2007, o APSV Advogados é um escritório cearense especializado em advocacia empresarial. A atuação contempla áreas como Direito Tributário, Direito Societário, Contratos, Investimento Estrangeiro, Direito Digital, Relações de Trabalho, Negócios Imobiliários e Meio Ambiente, oferecendo soluções jurídicas voltadas ao fortalecimento dos negócios.
Siga o @feedfortal no Instagram.





