Falta de processos, documentos descentralizados e excesso de dependência do empreendedor comprometem produtividade, segurança e crescimento dos negócios
Empresas perdem dinheiro por falta de organização digital, alerta especialista
Enquanto muitos empresários concentram seus esforços em vendas, marketing e estratégias de crescimento, um problema silencioso tem comprometido diariamente a eficiência de milhares de empresas brasileiras: a falta de organização da operação digital.
Documentos espalhados em diferentes plataformas, contratos difíceis de localizar, acessos compartilhados sem controle, informações concentradas em poucos colaboradores e decisões tomadas exclusivamente por aplicativos de mensagens fazem parte da rotina de muitas organizações. Embora pareçam situações comuns, esses fatores podem gerar prejuízos significativos para os negócios.
Segundo especialistas, a ausência de processos bem definidos aumenta o risco de perda de informações estratégicas, retrabalho, falhas na comunicação, interrupção das atividades e dificuldades para expandir a empresa de forma sustentável.
Desorganização compromete segurança e crescimento
A necessidade de estruturar melhor a gestão das informações também acompanha um desafio nacional. Pesquisa do Sebrae aponta que, embora 80% dos pequenos empresários já tenham ouvido falar da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), apenas 5% afirmam conhecer profundamente a legislação. Além disso, 77% das empresas ainda não adotaram medidas de adequação, evidenciando que a governança da informação continua sendo um ponto crítico para grande parte dos negócios.
Para a advogada Gennyfer Kasprzykowski, especialista em Compliance Digital e Nova Economia, muitas empresas acreditam enfrentar problemas jurídicos quando, na verdade, a origem das dificuldades está na falta de organização da operação.
“Na maioria das vezes, o problema não começa no contrato ou na LGPD. Ele começa quando ninguém sabe onde estão os documentos, quando os acessos ficam sem controle, quando um colaborador sai levando informações importantes ou quando toda a empresa depende exclusivamente do dono para funcionar. Antes de pensar em soluções jurídicas, é preciso compreender como o negócio realmente opera”, explica.
Diagnóstico operacional identifica vulnerabilidades
De acordo com a especialista, o primeiro passo para corrigir esses problemas não é investir imediatamente em uma consultoria complexa, mas realizar um diagnóstico da operação para identificar vulnerabilidades e oportunidades de melhoria.
O levantamento analisa aspectos como organização documental, definição de responsabilidades, ferramentas digitais utilizadas, fluxo das informações, comunicação interna, gestão de acessos, dependência de pessoas específicas e riscos operacionais.
Segundo Gennyfer, quando essas estruturas não estão organizadas, situações aparentemente simples podem provocar grandes prejuízos. A saída inesperada de um colaborador pode interromper processos importantes, fornecedores podem deixar de prestar suporte sem que a empresa tenha acesso às plataformas utilizadas, documentos podem ser perdidos e decisões estratégicas acabam dispersas em conversas de aplicativos de mensagens.
Organização gera eficiência e reduz riscos
Além de aumentar a produtividade, uma operação digital organizada proporciona maior segurança para as informações, reduz riscos operacionais e cria condições para o crescimento sustentável do negócio.
A organização também facilita o cumprimento das exigências relacionadas à proteção de dados, fortalece a governança corporativa e diminui a dependência excessiva do empreendedor nas atividades do dia a dia, permitindo que a empresa opere de forma mais eficiente e preparada para novos desafios.
Serviço
Especialista: Gennyfer Kasprzykowski
Área de atuação: Compliance Digital e Nova Economia
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