“As Mangueirenses” reúne histórias inspiradas nas vivências de 13 mulheres da comunidade e será lançado nesta quarta-feira, 7, na quadra da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro

As Mangueirenses transforma lembranças, afetos, perdas e episódios cotidianos de mulheres do Morro da Mangueira em literatura. O livro de contos será lançado nesta quarta-feira, 7 de outubro, às 19h, na quadra da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, com entrada gratuita.
A obra nasceu a partir da convivência do escritor Yke Leon com 13 mulheres da comunidade. Durante dois meses, ele ouviu relatos que serviram de inspiração para a construção de 30 histórias, reunindo experiências que atravessam humor, identidade, família, dor, resistência e pertencimento.
A iniciativa é da Associação Meninas e Mulheres do Morro (AMMM), organização criada na comunidade da Mangueira e dedicada a projetos nas áreas de educação, cultura, cidadania e fortalecimento feminino. O projeto foi contemplado em edital de Produção Literária da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro e realizado em parceria com a Editora Albatroz.
Entre o cotidiano e a memória

As narrativas partem de experiências particulares para revelar diferentes dimensões da vida no território. Entre elas está a história de uma mulher que saiu de casa com um nome e acabou registrada com outro na certidão de nascimento. Em outro relato, uma mãe da Mangueira enfrenta a perda da filha durante um desfile da escola na Marquês de Sapucaí.
A proposta do livro é ampliar o espaço ocupado por essas mulheres na narrativa sobre as comunidades, afastando-se de representações que reduzem a favela apenas à violência, à vulnerabilidade ou à ausência de oportunidades.
Yke Leon, que também atua como coordenador editorial do projeto, afirma que a quantidade de histórias encontradas durante os encontros superou as expectativas iniciais.
“Comecei este projeto acreditando que meu grande desafio era extrair dessas mulheres as histórias que elas não contavam para ninguém. Ledo engano. Bastou uma tarde para perceber que cada encontro seria uma fonte inesgotável de narrativas”, relata.
Segundo o escritor, o material reunido seria suficiente para outros volumes, transformando “As Mangueirenses” em um primeiro registro de um universo muito maior de histórias preservadas pela memória das moradoras.
Alcione e Guanayra Firmino assinam prefácios
A ligação entre a obra e a identidade cultural da Mangueira também aparece nos prefácios. Os textos são assinados pela cantora Alcione e por Guanayra Firmino, presidenta da Estação Primeira de Mangueira.
Alcione destaca a trajetória de resistência das mulheres da comunidade e o papel desempenhado por elas dentro das famílias e da história do próprio morro.
“Falar das mulheres da Mangueira é falar de mulheres guerreiras e batalhadoras”, afirma a cantora, que ressalta a capacidade dessas personagens de atravessar dificuldades sem perder a ligação com o território e a própria identidade.
Livro reivindica outros olhares sobre a favela
Para Kely Louzada, fundadora e coordenadora geral da Associação Meninas e Mulheres do Morro, o projeto também funciona como uma disputa por espaço e representação.
“Estamos cansados de só aparecer nas páginas policiais. Nós queremos mostrar que também podemos estar nas páginas de cultura”, afirma.
A AMMM atua desde 1995 no Morro da Mangueira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Entre suas frentes está a Biblioteca Comunitária Atelier das Palavras, ligada ao trabalho de incentivo à leitura e à formação de crianças, jovens e mulheres.
Além da apresentação do livro, o lançamento terá sessão de autógrafos com as mulheres que inspiraram a obra e com Yke Leon, coquetel e exibição de “As Mangueirenses: O Documentário”, dirigido por Guilherme Quadrado. O filme acompanha o processo de criação do projeto e as histórias por trás da publicação.
Serviço
Lançamento do livro “As Mangueirenses”
Data: 7 de outubro de 2026, quarta-feira
Horário: 19h
Local: Quadra da Estação Primeira de Mangueira
Endereço: Rua Visconde de Niterói, 1072, Mangueira, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita
Instagram: @meninasemulheres
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