Quatro longas e 15 curtas disputam o Troféu Mucuripe na 36ª edição do festival, que será realizada de 7 a 13 de novembro, em Fortaleza, com programação gratuita.
Mostra Olhar do Ceará reúne 19 produções e amplia retrato do audiovisual cearense
O cinema produzido no Ceará ocupará uma das principais vitrines da 36ª edição do Cine Ceará, que anunciou os 19 filmes selecionados para a Mostra Olhar do Ceará. O recorte competitivo reúne quatro longas-metragens e 15 curtas e coloca lado a lado diferentes gerações, linguagens e maneiras de observar questões sociais, culturais e afetivas do estado.
Com obras de ficção, documentário e animação, a seleção atravessa memória, música, religiosidade, infância, envelhecimento, relações afetivas, diversidade, violência, território e cultura popular. Os filmes concorrem ao Troféu Mucuripe dentro da mostra dedicada à produção cearense.
A 36ª edição do Cine Ceará acontece entre 7 e 13 de novembro, em Fortaleza, com acesso gratuito à programação. O festival terá atividades no Cineteatro São Luiz e no Cinema do Dragão, que receberá a Mostra Olhar do Ceará e exibições especiais.
Quatro documentários disputam entre os longas
A seleção de longas da Mostra Olhar do Ceará é formada exclusivamente por documentários, mas parte de universos bastante distintos.
Em “Adulto/Homem”, Pedro Diógenes coloca a câmera diante de 20 atores que aguardam um teste de elenco. A proposta parte de uma situação aparentemente simples para observar rostos, expectativas e aquilo que pode ser revelado durante a espera.
“Douvina”, dirigido por Márcio Câmara, trabalha a relação entre memória e presente a partir de uma narrativa construída como exercício de contemplação sobre marcas, lembranças e permanências.
A cultura popular e a religiosidade aparecem em “O Cio da Terra”, de Rivelino Mourão. O documentário acompanha a Festa do Pau da Bandeira, aproximando-se dos fiéis e brincantes que participam de uma das celebrações tradicionais do Ceará.
Já “Pessoal do Ceará – Lado A Lado B”, de Nirton Venâncio, mergulha na história da música cearense e no movimento que projetou uma geração de artistas do estado, relacionando sua trajetória ao contexto político e social brasileiro.
Curtas percorrem diferentes gerações e conflitos
Os 15 curtas selecionados ampliam o alcance temático da competição e mostram como o audiovisual cearense vem explorando narrativas que transitam entre experiência íntima, memória coletiva e questões contemporâneas.
“Deu Praia”, de Amanda Pontes, acompanha um encontro na praia situado entre delírio e realidade. “Era Vânia”, de Ticiana Augusto Lima, observa uma mulher sozinha em sua sala de estar, enquanto “Quase à meia-voz”, de Maria Tamires e Victor Emanuel Borges, acompanha duas mulheres na terceira idade descobrindo espaço para desejo e paixão.
A memória histórica aparece em “Do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto”, de Adeciany Castro, Weyna Macedo, Mariana Smith e Lucas Parente, que revisita o movimento comunitário religioso do Caldeirão, no Cariri. Em “Erô”, da Coletiva Cinema Instantâneo, o foco está na trajetória de Erodimar e em sua presença no sertão.
O documentário “Stênio”, de Yan Tavares, acompanha o xilogravurista Stênio Diniz e a permanência de um fazer artístico ligado à cultura popular. Já “Vejo você de repente”, de Aída da Costa, parte das poucas pistas disponíveis para que a filha do artista Da Costa revisite a memória do pai.
Animação, futuro e novas formas de imaginar o Ceará
A animação também ganha espaço na competição. “Janaína e a Concha”, de Malu Meneses, acompanha uma sereia que passa a viver como humana depois de se casar com um pescador, até que uma perda altera o rumo de sua história.
Em “Plano secreto de Ali”, de Lux Faria Silva, uma criança sonhadora embarca em uma aventura ao lado de um calango para devolver as estrelas ao céu. “Kaira e o temporal”, de Wagner Nogueira Mendes, apresenta uma jovem que enfrenta a Máquina-Metrópole Cronos enquanto tenta reacender as memórias perdidas de seu povo.
A imaginação sobre o próprio futuro conduz “Marimbã está acontecendo”, de Maryn Marynho, produção que parte das perspectivas de pessoas trans sobre aquilo que ainda está por vir.
Afeto, violência e vida coletiva completam seleção
Em “Pirexia”, de Nico da Costa, o rockstar Baby enfrenta um bloqueio criativo e reencontra um antigo companheiro musical para construir uma nova melodia ligada à cura e à ressurreição.
“Rua 16”, de Ryan Lopes, acompanha moradores que recorrem à instalação de placas solares diante dos apagões, mas veem a decisão coletiva ser tensionada por divergências internas.
Em “Sinal”, de Barbara Matias Kariri, um agricultor integrante de um grupo de Penitentes abandona sua comunidade levando consigo uma pedra. “Umbuzeiro”, de Emílio Ribeiro, acompanha os desdobramentos de uma história marcada pela violência e pela escrita de um livro que transforma a maneira de compreender o passado.
O conjunto revela uma mostra interessada não apenas em representar diferentes territórios e personagens, mas também em observar como memória, identidade e transformação social atravessam a produção audiovisual contemporânea do Ceará.
Cine Ceará ocupa duas salas de Fortaleza
Além da Mostra Olhar do Ceará, a programação do festival terá as mostras competitivas Brasileira de Curta-metragem e Ibero-americana de Longa-metragem, além de exibições especiais, mostras sociais, debates, homenagens, cursos e outras atividades.
A presença simultânea de curtas e longas cearenses dentro de uma competição própria também cria uma vitrine para diferentes estágios da produção local, aproximando realizadores, público e circuito de festivais em uma programação concentrada em Fortaleza.
Serviço
36º Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema
Data: 7 a 13 de novembro de 2026
Local: Cineteatro São Luiz e Cinema do Dragão, Fortaleza
Mostra Olhar do Ceará: Cinema do Dragão
Entrada: gratuita
Informações: cineceara.com
Instagram: @cineceara
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