Jovens de 21 a 28 anos apresentam a maior disposição para adquirir imóveis no país, enquanto dificuldade para reunir o valor da entrada ainda é um dos principais obstáculos.
A Geração Z lidera a intenção de compra de imóveis no Brasil e amplia sua participação como público estratégico para construtoras, incorporadoras e instituições financeiras. O movimento ganha destaque às vésperas do Dia Nacional da Habitação, celebrado nesta sexta-feira, 21 de agosto, e evidencia mudanças no perfil de quem busca conquistar a casa própria.
Dados mais recentes da Brain Inteligência Estratégica mostram que 67% dos jovens de 21 a 28 anos declararam intenção de adquirir um imóvel em junho de 2026. O índice cresceu em relação aos 57% registrados em meados de 2025 e coloca a Geração Z à frente das demais faixas etárias. A média nacional chegou a 52% no segundo trimestre deste ano, maior nível da série histórica iniciada em 2019.
O avanço reforça uma tendência que já vinha sendo identificada no início de 2026. Em março, 59% dos integrantes da Geração Z entrevistados pela Brain afirmavam ter intenção de comprar um imóvel, diante de uma média nacional de 49%.
Entrada ainda dificulta compra da casa própria
Apesar do interesse elevado, transformar os planos em uma compra efetiva continua sendo um desafio principalmente por questões financeiras.
Pesquisa Retratos do Morar, realizada pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo Grupo QuintoAndar, identificou que 47% dos jovens da Geração Z apontam a falta de dinheiro para dar entrada ou financiar um imóvel como um dos principais obstáculos para a aquisição. No levantamento, realizado com pessoas de 18 a 28 anos nesse recorte geracional, metade afirmou que pretendia comprar um imóvel.
O cenário aumenta a importância de alternativas como condições mais flexíveis para pagamento da entrada, financiamento imobiliário e acesso a políticas habitacionais. Para as empresas do setor, reduzir as dificuldades encontradas no início da jornada de compra pode ser determinante para converter o interesse dos jovens em contratos.
Para o gestor comercial da MRV, Bruno Malheiros, a combinação entre facilidade de crédito e tecnologia tem papel importante nesse processo.
“A Geração Z enxerga o imóvel próprio como um investimento de proteção patrimonial a longo prazo. No entanto, em início de carreira, o acesso ao valor de entrada é a principal barreira. Quando o mercado oferece opções flexíveis de parcelamento desse valor e integra o processo a jornadas digitais de aprovação de crédito, a tomada de decisão desse jovem é acelerada”, afirma.
Geração Z também influencia novos empreendimentos
A entrada de consumidores mais jovens no mercado imobiliário também influencia características dos projetos residenciais. Além do preço, fatores como funcionalidade, possibilidade de adaptação dos ambientes e estrutura oferecida pelos condomínios passam a ganhar maior peso na decisão.
Plantas compactas com dois quartos, por exemplo, permitem transformar o segundo dormitório em escritório ou espaço de estudos. O modelo acompanha uma rotina marcada pela integração entre moradia, trabalho, lazer e atividades realizadas em ambiente digital.
Áreas de convivência e lazer compartilhadas também ganham espaço nos projetos voltados a esse público, ao mesmo tempo em que as incorporadoras procuram equilibrar estrutura condominial e custos de manutenção.
A própria jornada para encontrar e adquirir um imóvel também passa por transformação. Pesquisa de imóveis, simulações, envio de documentos, análise financeira e etapas de contratação estão cada vez mais integradas aos canais digitais, comportamento alinhado a uma geração acostumada a resolver serviços pelo celular.
Mercado imobiliário acompanha mudança de perfil
O crescimento da intenção de compra ocorre em um momento de fortalecimento do interesse dos brasileiros por imóveis. No segundo trimestre de 2026, 52% dos entrevistados pela Brain afirmaram pretender comprar uma propriedade nos próximos meses. Além da liderança da Geração Z, o Nordeste apareceu como a região com maior intenção de compra, alcançando 59%.
A tendência ajuda a reposicionar os jovens dentro das estratégias comerciais do setor. Em vez da percepção de uma geração menos interessada em patrimônio imobiliário, os levantamentos apontam um público que mantém o desejo da casa própria, mas exige novas formas de financiamento, comunicação, atendimento e contratação.
Celebrado em 21 de agosto, o Dia Nacional da Habitação faz referência à criação, em 1964, do Sistema Financeiro da Habitação e do Banco Nacional da Habitação.
Mais de seis décadas depois, o acesso à moradia continua no centro das discussões do setor. Agora, com uma nova geração assumindo protagonismo entre os potenciais compradores, o mercado imobiliário enfrenta o desafio de adaptar produtos e condições financeiras para transformar intenção de compra em acesso efetivo à casa própria.
Serviço
Dia Nacional da Habitação
Data: 21 de agosto
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