Cearense de 14 anos conquistou vaga na decisão nacional do Surf Brasil Base 2026 e representou o estado na categoria Sub-14, em Navegantes, Santa Catarina.
Antes de chegar às ondas de Santa Catarina para disputar uma competição nacional, João Monteiro construiu sua relação com o surfe a milhares de quilômetros dali. O ponto de partida está na Praia da Caponga, em Cascavel, no litoral cearense.
Aos 14 anos, João começa a transformar o lugar onde aprendeu a surfar em parte de uma trajetória que já ultrapassou as fronteiras do Ceará.
O jovem cearense esteve entre os atletas classificados para a decisão do Surf Brasil Base 2026, circuito organizado pela Confederação Brasileira de Surf. A etapa nacional reuniu competidores das categorias Sub-12, Sub-14, Sub-16 e Sub-18 na Praia Central de Navegantes, em Santa Catarina, entre 23 e 27 de setembro.
João disputou a categoria Sub-14 representando o Ceará. A presença na competição não aconteceu por acaso. Meses antes, ele havia chegado à final da Seletiva Norte/Nordeste do Surf Brasil Base, realizada em Mataraca, na Paraíba. Na decisão, terminou entre os quatro primeiros ao lado de Narciso Inácio, Saymon Rocha e Lucas Peixoto, garantindo espaço na etapa nacional.
É justamente aí que a história ganha outra dimensão.

Da Caponga para o Brasil
João começou a surfar aos 9 anos. Desde então, o esporte deixou de ser apenas uma atividade ligada à rotina de quem cresce próximo ao mar e passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida.
Treinos, viagens e campeonatos começaram a fazer parte do processo.
Ao longo dos últimos anos, o atleta participou de competições estaduais, regionais e eventos locais, acumulando experiência em um momento decisivo da formação esportiva. O resultado desse percurso apareceu quando conquistou a classificação para enfrentar alguns dos principais nomes de sua geração no país.
A final do Surf Brasil Base em Navegantes reuniu atletas classificados nas seletivas Norte/Nordeste, Sudeste e Sul. A competição nacional teve representantes de 13 estados e colocou frente a frente jovens de diferentes escolas do surfe brasileiro.
Entre eles estava o garoto da Caponga.
Na primeira fase da categoria Sub-14 masculina, João enfrentou Narciso Inácio, do Rio Grande do Norte, e os também cearenses Saymon Rocha e Lucas Peixoto. O atleta terminou a bateria na quarta colocação, com 4,87 pontos.
O resultado encerrou sua participação naquela fase da disputa, mas ajuda a dimensionar o caminho percorrido até ali.
Aos 14 anos, competir em uma decisão brasileira significa enfrentar atletas de diferentes estados, condições de mar e níveis de experiência. Para quem ainda está nas categorias de formação, esse contato também integra o desenvolvimento esportivo.
Uma geração cearense ganha espaço
João não chegou sozinho a Santa Catarina.
O Ceará levou uma delegação com dez surfistas para a decisão do Surf Brasil Base 2026. Além dele, estavam nomes como Kelysson Carneiro, Aurineto Silva, Italo Alves, Nicolas Silva, Saymon Rocha, Lucas Peixoto, Gabriel Venâncio, Anaelya Lima e Eloá Lima.
O desempenho cearense também apareceu no pódio.
Lucas Peixoto conquistou o título brasileiro Sub-14, enquanto Nicolas Silva venceu a categoria Sub-16 masculina. O resultado colocou dois atletas do Ceará entre os campeões nacionais da temporada.
Há ainda um detalhe simbólico na passagem da delegação por Navegantes. Durante a cerimônia de abertura, cada estado levou areia de uma de suas praias para um ato que representava a união das delegações. A areia escolhida pelo Ceará veio justamente da Praia da Caponga, em Cascavel.
O mesmo lugar onde João aprendeu a surfar aos 9 anos apareceu, literalmente, na abertura da competição que marcou sua chegada ao cenário nacional de base.
O sonho começa perto de casa
Histórias como a de João ajudam a revelar uma camada do esporte que costuma aparecer pouco fora dos grandes campeonatos: o caminho percorrido antes de um atleta chegar ao alto rendimento.
No surfe, esse percurso envolve treinamento constante, deslocamentos para competições, equipamentos, inscrições, preparação física e a necessidade de enfrentar diferentes condições de mar.
Para atletas de base, o suporte familiar e a construção de uma rede de apoio podem ter papel importante na continuidade desse processo. Patrocínios e parcerias também podem ampliar as condições para que jovens competidores participem de calendários estaduais, regionais e nacionais.
No caso de João, o objetivo já está definido: continuar evoluindo, avançar dentro das categorias de formação e buscar espaço no surfe profissional.
Ainda é cedo para saber até onde essa trajetória chegará. Aos 14 anos, o resultado mais relevante talvez esteja justamente no caminho já aberto.
Da Praia da Caponga para uma decisão brasileira.
E, onda após onda, um garoto do litoral cearense começa a descobrir até onde o surfe pode levá-lo.




