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Marco Nanini chega a Fortaleza com “Fim de Partida”, clássico de Samuel Beckett na CAIXA Cultural

Marco Nanini chega a Fortaleza com “Fim de Partida”, clássico de Samuel Beckett dirigido por Rodrigo Portella. A temporada acontece em julho de 2026 na CAIXA Cultural Fortaleza.
@feedfortal 22 de junho de 2026 9 minutes read
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Montagem dirigida por Rodrigo Portella reúne Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França em uma leitura intensa sobre poder, dependência e ruínas humanas

A CAIXA Cultural Fortaleza recebe, em julho de 2026, uma das montagens teatrais mais aguardadas da temporada cultural da capital cearense. O espetáculo “Fim de Partida”, adaptação do clássico de Samuel Beckett, chega ao equipamento com Marco Nanini no elenco e direção de Rodrigo Portella, em uma montagem que revisita um dos textos fundamentais da dramaturgia do século XX.

As apresentações acontecem de 8 a 12 e de 15 a 19 de julho de 2026, no teatro da CAIXA Cultural Fortaleza, na Praia de Iracema. A produção reúne nomes de grande relevância da cena brasileira: Marco Nanini, Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França. Os ingressos estarão disponíveis a partir de sexta-feira, 3 de julho, na bilheteria física e no site da CAIXA Cultural.

Escrita na década de 1950, sob o impacto da Segunda Guerra Mundial, “Fim de Partida” é uma das obras centrais de Samuel Beckett, autor irlandês associado ao teatro do absurdo e reconhecido por sua investigação radical sobre a condição humana. A peça trabalha temas como dependência, dominação, repetição, esgotamento, solidão e perda de sentido, compondo um universo cênico em que os personagens parecem presos a um tempo que não avança.

Um clássico sobre um mundo em colapso

No centro da trama estão Hamm, interpretado por Marco Nanini, e Clov, vivido por Guilherme Weber. A relação entre os dois é marcada por dependência física e emocional, mas também por violência, crueldade e jogos de poder. Presos em um espaço claustrofóbico, eles convivem em uma rotina de repetições e tensão permanente, em uma realidade sem horizonte de transformação.

A obra apresenta uma atmosfera pós-apocalíptica, na qual os personagens parecem habitar os restos de um mundo em ruínas. Nada se resolve por completo. Tudo se repete. A espera, elemento recorrente na dramaturgia de Beckett, surge como um estado existencial, atravessando ações, silêncios e disputas.

A força de “Fim de Partida” está justamente na capacidade de transformar uma situação aparentemente simples em uma reflexão profunda sobre relações humanas e estruturas de poder. Em cena, o vínculo entre Hamm e Clov pode ser lido como uma relação doméstica, política, filosófica e teatral. É uma peça sobre a impossibilidade de partir, sobre a dificuldade de permanecer e sobre os limites entre dependência e dominação.

Marco Nanini revisita Beckett em novo desafio cênico

A presença de Marco Nanini dá à montagem um peso especial. Um dos atores mais reconhecidos do teatro, do cinema e da televisão no Brasil, Nanini interpreta Hamm, figura central da obra. O personagem, cego e incapaz de se mover sozinho, ocupa um lugar de comando, mas também de profunda fragilidade.

“Costumo dizer que Beckett fica orbitando a cabeça dos atores contemporâneos, pois oferece um imenso desafio com os múltiplos caminhos que a sua obra permite”, conta Nanini, que já pensava em encenar algum texto do autor irlandês quando aceitou de pronto a provocação de Guilherme Weber, responsável pela sugestão para atuarem juntos em ‘Fim de Partida’. Juntos, eles já estiveram nas montagens célebres de ‘Os Solitários’ (2002) e ‘A Morte do Caixeiro Viajante’ (2004).

A parceria entre Marco Nanini e Guilherme Weber é um dos pontos de destaque da montagem. Os dois artistas já dividiram experiências marcantes no palco e agora se reencontram em uma obra que exige precisão, escuta e presença intensa. Em Beckett, cada pausa, gesto e repetição tem peso dramático. O texto pede domínio técnico, mas também abertura para o absurdo e para o vazio.

Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França completam o elenco

Além de Marco Nanini, o espetáculo conta com Guilherme Weber no papel de Clov, personagem que vive em estado de serviço permanente. Ele se movimenta, obedece, questiona, ameaça partir, mas permanece preso à engrenagem que o sustenta e o aprisiona.

Helena Ignez e Ary França completam o elenco, ampliando a força da montagem. A presença dos dois artistas reforça a dimensão histórica e simbólica da produção, que reúne intérpretes com trajetórias sólidas no teatro e no audiovisual brasileiro.

A combinação do elenco cria um campo de tensão cênica no qual os personagens parecem presos não apenas ao espaço físico, mas também a memórias, hierarquias e resíduos de uma ordem em decomposição. O resultado é uma tragicomédia ácida e melancólica, capaz de provocar incômodo, reflexão e fascínio.

Rodrigo Portella aposta em camadas políticas e metateatrais

A direção é assinada por Rodrigo Portella, nome de destaque da cena contemporânea brasileira. Na montagem, o diretor propõe uma leitura em camadas, observando a obra tanto a partir da relação simbiótica entre Hamm e Clov quanto pela possibilidade de uma interpretação política.

Ele divide o texto de ‘Fim de Partida’ em fluxos: “o primeiro seria a relação simbiótica entre Hamm e Clov, mas numa segunda camada a peça pode ser lida como uma alegoria política. Hamm surge como um déspota, um tirano arbitrário, figura que alude à lógica da guerra e do militarismo, cuja autoridade se funda no poder bélico e opressivo. Clov é o corpo submisso, o soldado em vigília permanente, sempre de pé, incapaz de repouso, a serviço de uma engrenagem que não faz nenhum sentido. A cena torna-se, assim, um campo de poder em ruínas”, conta o diretor, que chama a atenção ainda para uma terceira camada de leitura: a do metateatro.

Essa abordagem amplia o alcance da montagem. Embora o texto tenha sido escrito na década de 1950, “Fim de Partida” segue dialogando com o presente. A peça coloca em cena relações autoritárias, corpos exaustos, estruturas que perderam sentido e sujeitos incapazes de romper definitivamente com aquilo que os oprime.

Beckett e a permanência de uma obra inquietante

Samuel Beckett construiu uma obra marcada pela economia de palavras, pela repetição e pela investigação da espera. Em “Fim de Partida”, o autor cria um universo fechado, quase sem saída, no qual a linguagem se torna tentativa de sobrevivência. Os personagens falam, provocam, repetem e encenam pequenas disputas como se cada frase fosse uma forma de adiar o fim.

A peça é frequentemente associada ao teatro do absurdo, mas sua força não está apenas no estranhamento. Beckett expõe, com humor seco e melancolia, a condição de personagens que não conseguem viver plenamente nem terminar aquilo que começaram. O título, inspirado no vocabulário do xadrez, sugere o momento final de uma partida, quando restam poucas peças e cada movimento carrega a sensação de inevitabilidade.

Essa ideia atravessa toda a obra. Hamm e Clov parecem saber que estão no fim, mas seguem representando seus papéis. A cena vira um tabuleiro emocional, político e existencial, em que a repetição substitui a ação e a dependência impede qualquer ruptura definitiva.

Fortaleza recebe temporada em julho

A chegada de “Fim de Partida” à CAIXA Cultural Fortaleza reforça a presença da cidade no circuito de grandes montagens nacionais. A temporada oferece ao público cearense a oportunidade de assistir a um texto fundamental da dramaturgia mundial com um elenco de forte reconhecimento artístico e uma direção voltada a novas leituras da obra.

O espetáculo também dialoga com o público que acompanha a programação cultural da Praia de Iracema, região histórica de Fortaleza e um dos polos mais importantes para a circulação de arte, teatro, música e exposições na cidade.

Com ingressos a preços populares, a montagem deve atrair tanto espectadores habituais do teatro quanto pessoas interessadas na presença de Marco Nanini em cena. A classificação indicativa é de 16 anos, e a duração informada é de 100 minutos.

Oficina gratuita integra a programação

Além das apresentações, a programação inclui a oficina “Introdução à produção teatral”, com o produtor de cinema e teatro Fernando Libonati. A atividade será realizada no dia 16 de julho, com inscrições gratuitas.

As inscrições serão abertas em breve no site e no Instagram da CAIXA Cultural. A iniciativa amplia o alcance da temporada ao oferecer uma ação formativa para interessados nos bastidores da produção teatral, aproximando o público dos processos que tornam possível a realização de espetáculos.

Serviço

[Teatro] Fim de Partida

Local: CAIXA Cultural Fortaleza, Avenida Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema

Data: 8 a 12 e de 15 a 19 de julho de 2026, de quarta a domingo

Sessão gratuita: dia 08/07 gratuita para clientes CAIXA, com retirada de ingressos no mesmo dia de abertura das vendas, na bilheteria física e no site

Horários informados: quinta a sábado, às 19h; domingo, às 18h

Ingressos: R$ 30 inteira e R$ 15 meia-entrada para clientes CAIXA e demais casos previstos em lei

Vendas: a partir de sexta-feira, 3 de julho, às 10h na bilheteria física, e às 15h no site da CAIXA Cultural para as sessões de 8 a 12 de julho; a partir de 10 de julho para as sessões de 15 a 19 de julho

Duração: 100 minutos

Classificação indicativa: 16 anos

Informações: Site da CAIXA Cultural, Instagram @caixaculturalfortaleza e telefone (85) 3453-2770

Acessibilidade: LIBRAS aos domingos, nos dias 12 e 19 de julho. Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: CAIXA

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