Doença evolui de forma silenciosa e pode ser descoberta somente após uma fratura; estimativa aponta que apenas um em cada três pacientes recebe diagnóstico antes da primeira ocorrência
A osteoporose afeta cerca de 10 milhões de brasileiros e permanece como uma das doenças crônicas de maior impacto sobre a saúde óssea, especialmente por avançar sem sintomas nas fases iniciais. O alerta ganha destaque durante as mobilizações relacionadas ao Dia Mundial da Osteoporose, lembrado em 20 de outubro, e reforça a importância do diagnóstico antes que a perda de massa óssea resulte em fraturas.
A condição é caracterizada pela redução progressiva da densidade e da resistência dos ossos. Com o avanço da doença, quedas aparentemente simples ou traumas de baixa intensidade podem provocar fraturas, principalmente em regiões como quadril, coluna e punhos.
Um dos principais desafios está justamente na identificação precoce. Estima-se que apenas um em cada três pacientes seja diagnosticado antes da primeira fratura, cenário que contribui para o avanço silencioso da doença e aumenta o risco de complicações.
Fratura pode ser primeiro sinal
Diferentemente de outras doenças que apresentam sintomas perceptíveis desde as fases iniciais, a osteoporose pode permanecer por anos sem provocar sinais claros.
Segundo o ortopedista Itallo Rêgo, do Hospital Oto Santos Dumont, muitas pessoas descobrem a condição somente após sofrer uma fratura.
“A osteoporose não apresenta sinais clínicos prévios e costuma ser identificada apenas no momento da fratura. O rastreio profilático é o único meio de intervir precocemente”, explica.
Essa característica faz com que o acompanhamento médico seja especialmente importante para pessoas que apresentam fatores de risco, mesmo quando não há dor ou qualquer alteração aparente.
Fraturas de quadril exigem atenção
Entre as consequências mais graves da osteoporose estão as fraturas de quadril. Além da necessidade de tratamento hospitalar e, em muitos casos, de intervenção cirúrgica, esse tipo de ocorrência pode comprometer a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida.
As taxas de mortalidade no primeiro ano após uma fratura de quadril podem chegar à faixa de 20% a 24%, principalmente entre pessoas idosas e pacientes que apresentam outras condições de saúde.
O impacto também pode se prolongar durante a recuperação, com necessidade de fisioterapia, reabilitação e adaptações na rotina.
Em escala global, a osteoporose também representa um desafio crescente diante do envelhecimento da população. Estimativas apontam que uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de 50 anos podem sofrer uma fratura relacionada à fragilidade óssea ao longo da vida.
Densitometria identifica perda óssea
A Densitometria Óssea é um dos principais exames utilizados para avaliar a densidade mineral dos ossos e identificar alterações antes da ocorrência de uma fratura.
O procedimento é rápido, não invasivo e utiliza baixa dose de radiação. Além da osteoporose, o exame pode identificar a osteopenia, condição marcada por uma redução da massa óssea que ainda não atingiu os critérios de osteoporose.
A indicação do exame depende da idade, histórico clínico e presença de fatores de risco. Por isso, o acompanhamento médico é necessário para definir quando iniciar o rastreamento e a periodicidade das avaliações.
Mulheres após menopausa estão entre os grupos de risco
O envelhecimento é um dos principais fatores associados à perda de massa óssea. Nas mulheres, o risco aumenta especialmente após a menopausa devido à redução dos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha papel importante na manutenção dos ossos.
Histórico familiar, baixo peso corporal, deficiência de cálcio e vitamina D, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso prolongado de determinados medicamentos também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
Homens também podem apresentar osteoporose, principalmente com o avanço da idade ou diante de condições clínicas que interferem no metabolismo ósseo.
Prevenção começa antes dos sintomas
Algumas medidas podem contribuir para a manutenção da saúde dos ossos ao longo da vida. Uma delas é garantir ingestão adequada de cálcio por meio da alimentação, além de manter níveis adequados de vitamina D.
A prática regular de exercícios também tem papel importante. Atividades de resistência e exercícios realizados com orientação adequada ajudam no fortalecimento muscular e na manutenção da estrutura óssea.
Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas também integra as estratégias de prevenção.
Para pessoas idosas, outro ponto fundamental é reduzir o risco de quedas dentro de casa. Boa iluminação, retirada de tapetes soltos, atenção a pisos escorregadios e instalação de barras de apoio em locais necessários podem diminuir a possibilidade de acidentes.
A avaliação médica individual continua sendo essencial para identificar fatores de risco, definir a necessidade de exames e estabelecer medidas preventivas ou tratamento quando necessário.
Siga o @feedfortal no Instagram.




