Deputado estadual cobra explicações sobre falha na preservação de área onde a Polícia Civil localizou cerca de 290 mil pés de maconha no interior do Ceará
O deputado estadual Pedro Matos (PL-CE) elevou o tom contra o governo Elmano de Freitas (PT) após a repercussão do caso envolvendo uma extensa plantação de maconha localizada em Acopiara, na região Centro-Sul do Ceará. A área foi identificada pela Polícia Civil do Estado do Ceará durante uma ação de combate ao tráfico de drogas realizada na última quinta-feira (25), com estimativa de cerca de 290 mil pés da droga.
Segundo a Polícia Civil, o terreno tinha aproximadamente três hectares e abrigava cerca de 160 mil pés de maconha em fase de cultivo, além de outros 130 mil já colhidos. A corporação classificou a ação como a maior apreensão de plantação de maconha localizada pela Polícia Civil do Ceará nos últimos anos. O caso, no entanto, ganhou novo peso político depois que o deputado federal André Fernandes (PL-CE) divulgou imagens no local e afirmou que a área teria ficado sem a devida preservação após a operação.
Diante da denúncia, Pedro Matos passou a cobrar explicações da gestão estadual e questionou a condução do caso pela cúpula da Segurança Pública. O parlamentar afirmou que a dimensão da plantação revela a ousadia de organizações criminosas no interior do Estado.
“É um absurdo a gente ter, no interior do estado do Ceará, uma plantação de maconha que cabe quase quatro castelos de maconha. É incrível a gente ver que na frente do Governo do Estado, a olho nu, exista algo desse tipo. Parece até situação de filmes de narcoestado, mas não é na Colômbia, não é na Argentina, não é na Venezuela; é no Brasil, no estado do Ceará”, declarou Pedro Matos.
As críticas também miraram a reação do governador Elmano de Freitas às declarações de André Fernandes. Para Pedro Matos, o governo deveria concentrar esforços em esclarecer por que a operação não teria sido concluída de forma imediata e como a área teria permanecido vulnerável após a localização da plantação.
“O mais incrível é ver a declaração do governador cobrando explicações do deputado André Fernandes, no sentido de que ele deveria dar explicação do porquê que ele foi até lá, quem foi que deu o furo para ele daquela plantação de maconha. Ou seja, uma explicação que era para ser dada pelo governador, ele estava cobrando do deputado André Fernandes, que fez a denúncia do que é que estava acontecendo de errado”, criticou.
O Governo do Ceará informou que o governador esteve em Acopiara na segunda-feira (29), acompanhado de autoridades da segurança estadual, para acompanhar a destruição da droga. Em pronunciamento, Elmano afirmou que a Polícia Civil não sairia do local até destruir toda a plantação e disse que eventuais irregularidades seriam apuradas.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social também informou a abertura de inquérito para investigar possível falha nos procedimentos de custódia do local. A Controladoria Geral de Disciplina do Ceará instaurou procedimento disciplinar para apurar a conduta dos policiais responsáveis pela preservação da área.
Para Pedro Matos, o episódio exige investigação rigorosa e independente. O deputado defendeu que a apuração esclareça se houve erro operacional, falha de comando ou eventual omissão de agentes públicos. Até o momento, não há comprovação pública de conivência do governador ou do Governo do Estado com a plantação, e as acusações seguem no campo político enquanto os órgãos competentes apuram as circunstâncias do caso.
“É muito grave a denúncia que o André fez, de dizer que, após uma operação de desmonte, você volta lá no outro dia e todo mundo está vendo que não aconteceu nada. No mínimo, ocorreu aí um erro grave por parte do alto comando de Segurança Pública do Governo do Estado, ou até mesmo a gente pode crer, por isso que precisa haver uma apuração mais firme, uma conivência do governador e do Governo do Estado nesse sentido”, concluiu Pedro Matos.
O caso segue em investigação. Segundo informações divulgadas pela SSPDS, o proprietário e o arrendatário do terreno foram identificados, mas os nomes não foram informados para não comprometer o andamento das apurações.





